Pediatra Josaine Foloni diz que redução das mortes envolve uma série de medidas de saúde, de educação e econômicas
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No ano passado, no Estado de São Paulo, foram registrados 6.569 óbitos de crianças menores de um ano, resultando em taxa de mortalidade infantil de 10,74 óbitos por mil nascidos vivos, índice ligeiramente menor que em 2016, quando foi de 10,91 por mil.
Em Bariri o índice de 2017 foi de 12,22 óbitos por mil nascidos vivos. O montante está acima da média estadual e acima também dos dois anos anteriores (veja no quadro). Os números são da Fundação Seade. A pediatra Josaine Foloni analisa os números do município e fala a respeito de medidas para reduzir os casos de morte de crianças (confira box).
Cidades de menor porte às vezes não registram índices de mortalidade infantil. O motivo é que em determinados anos não há dados para comparação.
A taxa de mortalidade infantil é obtida por meio do número de crianças de um determinado local (cidade, região, país) que morrem antes de completar um ano, a cada mil nascidas vivas.
O cálculo é feito da seguinte forma: o número de óbitos de menores de um ano é multiplicado por mil. O resultado é dividido pelo número de nascidos vivos.
Como exemplo, tomam-se os dados de 2017 de Bariri. Multiplica-se o número de mortes (cinco) por 1.000. O resultado (5 mil) é dividido pelo total de nascidos vivos (409 crianças). O índice é de 12,22.
Caso Bariri tivesse registrado uma morte a menos no ano passado o índice seria de 9,77. Por outro lado, uma morte a mais elevaria o índice para 14,66. Isso demonstra que para uma cidade do porte de Bariri uma morte tem impacto significativo na taxa de mortalidade infantil.
Reduções
Em nível estadual, o indicador passou por reduções expressivas desde 1900. A taxa de mortalidade infantil saiu de altos índices no início do século 20, oscilando em torno de 150 e 250 óbitos de menores de um ano por mil nascidos vivos, para tendência de queda contínua a partir da década de 1940.
Apesar do aumento verificado entre o final dos anos 1960 até meados dos anos 1970, a taxa voltou a diminuir sistematicamente, atingindo níveis quase estáveis nos anos mais recentes.
A diminuição observada pode ser melhor compreendida quando se avalia a redução segundo os grupos de idade. A queda registrada em diversas causas de morte contribuiu para que a mortalidade se concentrasse nos primeiros dias de vida.
Se em 2017 predominavam as doenças infecciosas, parasitárias e o binômio diarreia/desidratação, que se concentravam principalmente na mortalidade pós-neonatal (28 dias a 11 meses), com sua redução predominam as causas perinatais e as malformações congênitas, que atingem basicamente as crianças com até seis dias de vida (neonatal precoce).
Todos os óbitos de gestantes, fetos ou bebês com até um ano de vida são investigados pelos comitês municipais de mortalidade materno-infantil e fetal.
Taxa de mortalidade infantil na região
Município 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017
Bariri 11,14 25,25 18,91 11,66 15,15 9,85 9,9 12,22
Barra Bonita 22,16 7,87 19,95 8,5 5,92 14,37 6,49 16,45
Bauru 9,29 10,71 11,58 14,1 12,2 10,57 8,69 11,22
Bocaina 6,13 – – 6,21 6,06 – 28,17 24,39
Boraceia 29,41 – 41,67 – 14,29 35,09 35,71 –
Dois Córregos 9,76 21,51 31,66 8,6 5,39 19,61 11,11 11,53
Ibitinga 25,39 18,99 13,91 11,43 12,21 10,4 17,27 13,61
Itaju – 41,67 – 25,64 30,3 – – –
Itapuí 6,13 – 6,41 – – 11,43 16,67 27,97
Jaú 11,33 12,1 8,53 10,75 12,8 10,96 6,77 10,64
Pederneiras 16,27 10,27 10,22 7,75 8,97 11,25 9,03 9,24
Fonte: Fundação Seade
Óbitos de menores de um ano em Bariri
Ano Óbitos menores de um ano Nascidos vivos*
2010 4 359
2011 10 396
2012 8 423
2013 5 429
2014 6 396
2015 4 406
2016 4 404
2017 5 409
* Por local de residência
Fonte: Fundação Seade
Box: Pediatra destaca medidas para redução dos casos
A pediatra Josaine Foloni diz que há casos de mortalidade infantil difíceis de evitar, no entanto, outros podem ser minimizados com uma série de ações.
Ela se formou em medicina em 1991 pela Universidade Federal Fluminense, com residência em pediatria pela mesma instituição. É especialista em pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e pela Associação Médica Brasileira (AMB).
Candeia – No ano passado Bariri registrou cinco mortes de crianças menores de um ano em um total de 409 nascimentos. A taxa de mortalidade infantil foi de 12,2 para cada mil nascimentos. De 2013 a 2016 houve poucas oscilações nos casos de morte. Que análise a senhora faz desses números?
Josaine – Em primeiro lugar parece que nossas taxas estão estabilizadas. Enquanto as taxas de mortalidade infantil aumentaram no Brasil, chegando a 14 mortes a cada mil nascimentos em 2016, após décadas de queda desde 1990. Nos anos 1980, a taxa de mortalidade brasileira chegou a registrar 82 mortes por mil nascimentos, e desde então vinha caindo numa média anual de 4,9%. Uma das explicações para esta alta na mortalidade no País foi a crise econômica e o surto de zika em 2016. Cuidados na gestação e no pós-parto contribuem para queda na taxa de mortalidade infantil; condições sócio-econômicas, como saneamento básico, grau de escolaridade materno e acesso à serviços de saúde, também estão relacionados à mortalidade infantil.
Candeia – É possível reduzir os casos de mortes de crianças até um ano de idade em Bariri? De que forma?
Josaine – Sim, claro. A nossa meta é melhorar cada vez mais. Alguns óbitos infantis são difíceis de evitar, como o dos prematuros extremos, e das anomalias congênitas, algumas incompatíveis com a vida. Mas para os casos preveníveis iremos diminuir os índices de mortalidade infantil melhorando as condições sócio-econômica das pessoas, com aumento do emprego e da renda familiar, aumento da escolaridade das mães e consequente diminuição do número de filhos por mulher e, finalmente, melhorando o acesso a serviços de saneamento básico e de saúde.
Candeia – Que medidas devem ser adotadas pela sociedade, pela rede pública de saúde e também pelos pais para essa redução?
Josaine – Na prática, ações simples como aconselhamento das adolescentes nas escolas ou igrejas para evitar a gravidez precoce; prevenção do uso de drogas lícitas e ilícitas na gestação e na amamentação; orientação e acesso aos diversos métodos contraceptivos pelos casais; estimular o pré-natal bem feito, inclusive com exames do parceiro da gestante; acesso facilitado aos médicos especialistas: obstetras e pediatras quando necessário; amamentação exclusiva até os seis meses (incluindo o aumento da licença maternidade por seis meses ao invés de apenas quatro meses); manter o aleitamento por dois anos ou mais para proteger os bebês de infecções; medidas de conscientização da necessidade de se manter atualizada a carteira de vacinação das crianças; formação de grupos de ajuda e orientação às mães quanto aos cuidados com seus filhos, como o trabalho que a Pastoral da Criança realiza há anos no Brasil e aqui em nossa cidade. Resumindo, toda a sociedade tem que se mobilizar, junto com o poder público, pois não é apenas um problema de ordem médica.

























