Slider

A partir da esquerda. Adriana, Aline, Marina e Mozart: sistema de Saúde perto do colapso e pedido para que população evite aglomerações – Alcir Zago/Candeia

Alcir Zago

Gestores e médicos ligados à rede municipal de Saúde e à Santa Casa de Bariri falaram à imprensa no dia 26 de fevereiro, no Clube da Melhor Idade, sobre a gravidade da pandemia do novo coronavírus em Bariri e na região e a necessidade de colaboração da população para redução dos casos da Covid-19.

Médica que atende no ambulatório da Covid-19 (Centro de Saúde) desde o início da pandemia, Aline Franco Gonçalves destaca que a situação da doença está muito grave e que a cada dia aumentam os casos, sintomáticos e positivos.

Em decorrência disso, crescem as internações. Segundo Aline, a nova onda da pandemia apresenta redução na idade de pessoas contaminadas e maior rapidez na evolução do quadro clínico dos pacientes.

“Antes, era no meio da quarentena que os casos complicavam”, diz. “Agora, os casos no início ou no fim da quarentena é que complicam.”

Para a médica, é preciso que a população siga as recomendações médicas quanto ao distanciamento social, uso de máscaras e lavagem das mãos constantemente.

Outro ponto abordado por Aline é que a maioria das pessoas que procuram o ambulatório é jovem. E são essas pessoas que levam o vírus para dentro de casa, podendo contaminar pais e avós.

Em relação a crianças, a médica diz que aumentaram os casos de contaminação, no entanto, elas atuam como vetores, transmitindo a doença. “Observamos casos mais brandos e leves com crianças, só que elas transmitem muito rápido”, explica.

O mesmo quadro é relatado pela médica Adriana Stela Barbosa Fontes, que atua na linha de frente nas internações da Santa Casa de Bariri.

De acordo com ela, há muitos pacientes indo ao hospital quando os sintomas estão mais graves. Adriana têm observado casos assim em pacientes com menos de 50 e 60 anos de idade. Além disso, entre o sétimo e o décimo dia de contágio é que a Covid-19 se torna mais grave.

“Antes, dávamos alta com sete dias; agora não conseguimos tirar do oxigênio”, comenta a médica. “Os pacientes não evoluem e ficam por 15 a 20 dias no hospital.”

O resultado desse cenário é que os leitos acabam sendo ocupados mais tempo, diminuindo a oferta para quem eventualmente precisar, seja por causa da Covid-19 ou outra doença qualquer.

Adriana ressalta que pacientes obesos e diabéticos são os que apresentam quadros mais graves.

 

Corredores

 

Gestor geral da Santa Casa de Bariri, Mozart Marciano comentou que no dia da entrevista coletiva três pacientes estavam internados na unidade semi-intensiva esperando vaga na Cross (Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde).

O problema é que as referências regionais, como Jaú e Bauru, enfrentam o mesmo problema de superlotação.

Nesse mesmo dia, havia 25 pacientes com Covid-19 internados no hospital baririense, totalizando ocupação de 70% dos leitos existentes.

Para dar conta da demanda, houve divisão interna da Santa Casa separando pacientes com Covid-19 e outras doenças, com uso, inclusive, de corredores.

“Não temos como assimilar mais demanda de internação”, ressalta Mozart. “Haverá atendimento e os pacientes serão medicados, mas terão de esperar leitos serem disponibilizados.”

A diretora municipal de Saúde, Marina Prearo, conta que Bariri está no radar do Estado para verificar se a nova cepa do coronavírus está ou não presente no município.

Em relação à fiscalização dos setores comercial e de prestação de serviço, ela diz que a prefeitura resolveu contar com a colaboração de bombeiros municipais nessa tarefa.

Finalizou a entrevista relatando que os profissionais de saúde estão esgotados e que há alguns deixando o serviço por causa do estresse. Pediu a colaboração da população para diminuição da transmissão do vírus para que o atendimento seja dado a quem precisa.