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Helena Alves de Alice, 4 anos: vida salva porque Santa Casa de Bariri dispunha de soro antiescorpiônico e porque houve agilidade no atendimento – Reprodução/Facebook

Alcir Zago

De janeiro até o fim de novembro deste ano a Santa Casa de Bariri atendeu 172 moradores da cidade que foram picados por escorpião. Contabilizando também Boraceia e Itaju e um acidente com o aracnídeo de morador de Bauru, ao todo foram 225 atendimentos em 2020.

A situação preocupa, especialmente quem tem criança em casa. E os números não param de crescer. Segundo a Santa Casa de Bariri, foram feitos 44 atendimentos pelo hospital de 1º de agosto de 2017 a 31 de dezembro de 2017. Em 2018 os registros foram de 139 pessoas atendidas e no ano passado, de 166.

No sábado (28), a menina Helena Alves de Alice, 4 anos, foi picada por escorpião. O caso foi relatado pela mãe, Alice Alves de Alice, em sua página no Facebook.

Segundo ela, a criança estava no sofá na casa da avó, quando foi picada nas nádegas e na virilha.

Vizinhos socorreram rapidamente a garota até o pronto-socorro de Bariri. Helena foi atendida pelo plantonista e por médica pediatra (plantonista à distância). Ali no hospital, tomou seis ampolas de soro antiescorpiônico.

Alice relata que a menina apresentava sintomas graves, com vômitos, falta de ar e ataques. Por esse motivo, houve necessidade de transferência para a Santa Casa de Jaú, onde foi internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Lá, a criança recuperou-se e no início da semana retornou para casa.

“Queria agradecer a agilidade no atendimento”, disse Alice ao Candeia. “Se não tivesse o soro (antiescorpiônico) em Bariri, minha filha não teria aguentado. Os médicos costumam dar duas ou três ampolas, mas no caso da minha filha foi preciso usar todo o estoque.”

Segundo a interventora da Santa Casa de Bariri, Angélica Fanti Moço, não procede a informação de que o hospital ficou desguarnecido de soro no fim de semana.

A cota de Bariri é de seis ampolas. Usando-se parte ou todas elas há pedido junto ao Departamento Regional de Saúde (DRS) de Bauru para reposição. Angélica diz que no mesmo dia da aplicação do soro na menina as doses foram disponibilizadas na Santa Casa. Essa medida deve-se a uma ação movida pelo Ministério Público Federal (leia box).

 

Inquérito

 

No início deste ano o Ministério Público (MP) instaurou inquérito civil para apurar a forma como a prefeitura de Bariri está atuando no controle de zoonoses, especialmente em relação aos escorpiões.

O procedimento teve a iniciativa da promotora de Justiça Gabriela Silva Gonçalves Salvador.

O MP decidiu apurar a proliferação dos aracnídeos no município em decorrência de inquérito civil instaurado em 2016 e por causa de recentes informações prestadas pela Vigilância Epidemiológica.

Em novembro de 2019, o setor relatou à Promotoria de Justiça que havia grande foco de criadouro de escorpiões nas imediações da Creche Carmen Sola Modolin Aquilante. Por esse motivo, a unidade educacional teve as atividades suspensas e as crianças foram transferidas para outros prédios.

 

Justiça determina encaminhamento de soro

 

Desde outubro de 2018 cada um dos 11 municípios da região de Jaú passou a receber seis ampolas de soro antiescorpiônico. A medida foi determinada pela Justiça Federal, atendendo à ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Federal (MPF).

Na época, as cidades de Bariri, Barra Bonita, Bocaina, Boraceia, Brotas, Dois Córregos, Igaraçu do Tietê, Itaju, Itapuí, Mineiros do Tietê e Torrinha não possuíam doses em suas unidades de saúde, obrigando a população a se deslocar até Jaú para receber o tratamento sorológico, quando necessário.

Em abril de 2018 a ausência de doses no Hospital de Barra Bonita pode ter contribuído para a morte de uma criança de seis anos.

Cerca de 40 minutos após dar entrada na unidade, ela foi encaminhada para a Santa Casa de Jaú, onde chegou a tomar o antiescorpiônico, mas não resistiu e faleceu três horas após o acidente com o aracnídeo. Os dois municípios ficam a apenas 20 quilômetros de distância.

O pedido do MPF para que todas as 11 cidades contem com um estoque mínimo de soro pretendeu garantir o atendimento emergencial em episódios graves de picadas de escorpião, geralmente envolvendo idosos e crianças, nos quais a administração do antídoto é muitas vezes a única maneira de salvar a vítima.

A decisão também determinou a preservação das 12 unidades do antídoto mantidas na Santa Casa de Jaú, bem como a reposição imediata das doses utilizadas, sob pena de multa de R$ 15 mil em caso de descumprimento.