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Prefeito Abelardinho ouviu assessores, vereadores e lideranças antes de decidir sobre as medidas que colocam a cidade em lockdown – Divulgação

Quarta-feira, 10, na hora do almoço, o prefeito Abelardo Maurício Martins Simões (MDB) realizou reunião virtual prévia para discutir medidas restritivas para combater o avanço da pandemia de Covid-19 em Bariri.

O debate resultou na decisão de decretar o lockdown de quatro dias, anunciado em coletiva às 17h, na Câmara Municipal de Bariri.

Participaram do encontro, vereadores, assessores e diretores municipais e o presidente da Associação Comercial e Industrial de Bariri (Acib), José Roberto Dalla Coletta. Abelardinho comentou que a consulta prévia foi sugerida pelo presidente do Legislativo, Benedito Antonio Franchini (PTB). Ressaltou a grave situação da Santa Casa, do pronto socorro e de algumas unidades municipais de saúde, que vivem realidade de caos e colapso de atendimento devido à Covid-19.

Defendeu medidas restritivas e drásticas para conter a contaminação pelo vírus, sob pena da situação de grave, passar para incontrolável. Comentou que em Bariri, devido às condições financeiras da Santa Casa, o enfrentamento ao vírus está sendo muito mais difícil. “Gastávamos 100 mil reais ao mês em medicamentos e materiais médicos. Hoje gastamos este valor por semana, sem ter condições”, exemplifica.

Adiantou que vai enviar projeto para o Legislativo transferindo R$ 600 mil destinados às obras no primeiro andar do Hospital São José – hoje suspensas – para serem gastos no combate ao coronavírus.

A diretora de Saúde, Marina Prearo, fez relato dramático do atendimento na Santa Casa, hoje em colapso. Ressaltou o trabalho sobre humano dos profissionais da saúde, que estão esgotados e sobrecarregados. “Só para exemplificar, são quatro técnicos em enfermagem para cuidar de mais de 40 pacientes da ala da Covid-19”, conta.

Segundo ela, na quarta-feira havia 54 pacientes internados na Santa Casa, sendo 42 contaminados pelo coronavírus. Oito pacientes em estado grave, precisando de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), sendo que o hospital dispõe somente de uma unidade intermediária para no máximo seis pessoas.

Não há para quem recorrer. Os hospitais referência para Bariri estão com capacidade tomada acima de 100% e não recebem mais pacientes.

Disse que não há confirmação da presença de nova cepa do vírus em Bariri, mas os recentes dados colocam a cidade no radar de controle da Diretoria Regional de Saúde de Bauru (DRS). Os dados: em 24 horas morreram quatro pessoas da doença, sendo que duas delas com menos de 45 anos. Confirmando que a Convid-19 tem vitimado pessoas mais jovens e em menos tempo.

Adiantou que a Diretoria da Saúde deve alocar emergencialmente alguns servidores de outras unidades para socorrer o pronto socorro e o Soma 2, hoje saturados.

Outros diretores defenderam medidas drásticas para o combate ao vírus, para não aumentar a quantidade de casos da doença. Entre eles o diretor de Desenvolvimento, Vicente Sérgio Barbieri Júnior, e o chefe de gabinete, Flávio Muniz Della Coletta.

Roberto Coletta afirmou que o comércio e a indústria concordam em dar sua contribuição às ações mais rígidas no combate à pandemia, mas defendeu “cortar o mal pela raiz”. Ele se referiu à restrição de venda de bebidas alcoólicas, na tentativa de evitar aglomerações, festas e contaminação durante o período de eventual lockdown. “Essas é que são fábricas de transmissão, não comércio”, opinou.

Vereadores que participaram da reunião concordaram com a decisão de endurecer as medidas para controlar a contaminação, mas defenderam ações complementares. Uma delas é a intensificação da fiscalização. Destacaram que em outras cidades houve ação conjunta com as polícias militar e civil, em caso de lockdown, como Dois Córregos.

Outro aspecto defendido pelos vereadores foi que as medidas devem atingir todos os segmentos igualmente. Para eles, se houver equidade nas normas restritivas, mesmo que intensas, são bem-vindas.