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Prédio da Santa Casa de Bariri: intervenção por mais 90 dias, podendo ser prorrogada por igual período – Divulgação

Alcir Zago

O prefeito eleito de Bariri, Abelardo Maurício Martins Simões Filho (MDB), adiantou ao Candeia nesta semana que irá prorrogar a intervenção do município na Santa Casa de Bariri pelo período de 90 dias. O decreto de continuidade da requisição administrativa do hospital deverá ser publicado no dia 1º de janeiro, após a posse do prefeito.

Recentemente Abelardinho reuniu-se com a promotora de Justiça Gabriela Silva Gonçalves Salvador para tratar do assunto. Há possibilidade de que, após março, a intervenção seja mantida por mais 90 dias. Enquanto a medida estiver em vigor, o Executivo irá estudar providências para a manutenção da oferta de serviços de pronto atendimento, ambulatorial e hospitalar em Bariri.

Recentemente, o Candeia divulgou que a Receita Federal do Brasil emitiu três autos de notificação de responsabilidade tributária contra a Santa Casa de Bariri e ex-gestores da Organização Social (OS) Vitale Saúde. No total, os processos somam R$ 127,2 milhões.

São pendências com a contribuição previdenciária dos anos de 2016 e 2017 de todos os CNPJs utilizados até então pela OS.

Além do débito com o Fisco, o hospital possui dívidas de quase R$ 90 milhões (trabalhistas e com fornecedores), incluindo as filiais no período de gestão da Vitale Saúde.

 

Histórico

 

A prefeitura de Bariri decidiu pela intervenção da Santa Casa de Bariri no dia 10 de setembro de 2018, dois meses após Francisco Leoni Neto (PSDB) ter assumido o cargo de prefeito.

A justificativa foi que a gestão do hospital vinha sendo feita de modo a não garantir um bom atendimento de saúde à população de Bariri e também de cidades da região.

Para a função de administrar a unidade de saúde foi nomeado Fábio Zenni, que ocupava o cargo de diretor municipal de Saúde.

Em fevereiro de 2019, Neto Leoni decidiu prorrogar a medida por mais seis meses. Como Zenni deixou a função de interventor por ter sido aprovado em concurso público, a gestão do hospital passou a ser exercida pelo médico Marco Antonio Gallo, assessorado por mais dois médicos: Luiz Carlos Ferraz do Amaral e Jésus Fernandes da Costa Junior.

Já em setembro de 2020, o Executivo nomeou a enfermeira Angélica Fanti Moço, que atuava como responsável pela Estratégia Saúde da Família (ESF) 2, para o cargo de interventora.

Na ocasião, o prefeito disse que a mudança foi feita por causa de falta de diálogo entre a rede municipal de Saúde e a Santa Casa.

 

Como candidato, Abelardinho comentou assunto

 

O Jornal Candeia entrevistou os candidatos a prefeito de Bariri durante a campanha eleitoral. A entrevista com Abelardo Maurício Martins Simões Filho (MDB) foi publicada na edição de 24 de outubro.

Uma das perguntas feitas ao político foi como pretendia manter a intervenção na Santa Casa e de que forma. A resposta de Abelardinho foi a seguinte:

“A Santa Casa é um tema muito delicado. Sendo eleito, vou trabalhar todos os dias para cuidar da Santa Casa e mantê-la de portas abertas. Manter a intervenção é um assunto delicado. Do meu ponto de vista, isso foi feito de forma errada. Teremos de analisar a melhor forma de, aos poucos, ir deixando essa intervenção de lado. Não é sadio para a entidade e nem para o município ter a intervenção na Santa Casa, porque com isso é feita política dentro do hospital. Sou voluntário da Apae e vejo como é complicado ter a prefeitura mandando ali dentro. Isso não pode existir. A entidade tem de caminhar com as próprias penas. Pretendemos incentivar a Santa Casa a resgatar os voluntários que existiam. Hoje ninguém quer ser irmão da Santa Casa. Vemos um hospital abandado, que não tem nem lençol para atender aos munícipes. Vemos uma Santa Casa em que a pessoa entra com vida e sai sem. Há um mau atendimento e não porque existem maus funcionários – e lá há excelentes funcionários –, mas porque não são motivados. Pretendemos lutar por incentivos a esses profissionais, não só na Santa Casa, mas como em toda a prefeitura. Temos um funcionalismo hoje completamente desmotivado e desgastado por falta de bom exemplo. Precisamos nos amparar em Brasília e em São Paulo para atrair mais recursos para essa entidade e fazer com que caminhe com as próprias pernas.”