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Gestor geral da Santa Casa de Bariri, Mozart Marciano, falou de problemas e medidas que podem ser adotadas para manutenção do hospital – Alcir Zago/Candeia

Alcir Zago

A diretoria da Santa Casa de Bariri apresentou na quarta-feira (24), em coletiva de imprensa na Câmara Municipal, um raio-X da situação financeira e administrativa do hospital desde o início da intervenção do município, em setembro de 2018.

Segundo o gestor geral da Santa Casa, Mozart Marciano, o déficit mensal da instituição é de quase R$ 200 mil, isso sem contar o enorme passivo por conta de contribuições previdenciárias não pagas, falta de acerto com funcionários dispensados etc.

A diretoria do hospital e o Executivo municipal consideram essencial a manutenção dos serviços prestados pela Santa Casa e buscam alternativas para que haja equilíbrio das contas e melhoria do atendimento à população de Bariri, Boraceia e Itaju, municípios atendidos pela unidade.

Marciano relatou que no período da intervenção (27 meses) o hospital teve 39% de despesas com pagamento de médicos, 34% com funcionários, 20% com medicamentos, alimentação etc. e 7% com a área administrativa.

Entre 2019 e 2020 os valores pagos a fornecedores tiveram alta de 36%, os salários subiram 11% e os encargos e impostos registraram majoração de 73%.

O déficit mensal foi de R$ 125,4 mil, chegando a R$ 3,3 milhões em todo o período da requisição administrativa pela prefeitura. No entanto, o gestor explicou que a Santa Casa recebeu verbas extras no montante de R$ 5,2 milhões durante a intervenção, o que permitiu reduzir o déficit real.

Um problema adicional é relacionado à Covid-19. Com oito leitos de enfermaria reservados para pacientes com essa doença, a Santa Casa chegou a receber 33. Os custos aumentaram para o atendimento das pessoas.

 

Outros problemas

 

Além das dívidas, existem outros problemas enfrentados pelo hospital. Há advertência do Ministério Público (MP) para que a unidade semi-intensiva conte com médico 24h. O custo mensal com os profissionais é de R$ 116,5 mil.

O Conselho Regional de Enfermagem (Coren) apontou que nas cirurgias auxiliares de enfermagem não podem “ocupar” o lugar de médico para auxiliar o cirurgião.

Há também inquérito civil do MP para que haja compatibilidade de horário dos médicos. Por esse motivo, recentemente a diretoria do hospital adaptou o horário de médicos que já trabalhavam no local. Há necessidade de que seja implantado registro de ponto biométrico no hospital.

O gestor relatou que a Santa Casa tem pactuado com o Ministério da Saúde a realização de 22 cirurgias por mês. No entanto, no ano passado foram feitas quatro com recursos do SUS.

Em contrapartida, na ocasião a prefeitura contratou empresa via licitação para procedimentos cirúrgicos no hospital num total de R$ 140,6 mil. Ao todo, foram 79 cirurgias no ano passado. Esse foi um dos pontos que despertou maior polêmica na coletiva.

 

Receitas

 

A Santa Casa de Bariri tem receita de R$ 630 mil por mês. São R$ 400 mil da prefeitura de Bariri para manutenção do pronto-socorro e R$ 230 mil do Sistema Único de Saúde (SUS). Pela Programação Pactuada Integrada (PPI), Boraceia repassa R$ 8,9 mil por mês ao hospital e Itaju, R$ 5,4 mil mensais.

“Cada vez mais a Santa Casa depende do poder público”, disse Marciano. De acordo com o gestor, o custo mensal para a manutenção do hospital é de R$ 913 mil por mês.

Ele citou possibilidades para aumentar as receitas, como realização de cirurgias, inclusive particulares, permitir que empresa de fora realize os procedimentos, abrir diálogo com Boraceia e Itaju para aumento dos repasses, contar com a iniciativa privada para melhoria da estrutura do hospital, firmar contratos de aluguel e taxas de hotelaria do hospital, entre outras.

Em relação ao pronto-socorro, a ideia é transferi-lo para o setor oeste da Santa Casa, onde hoje está a maternidade, ao lado do Hospital São José.

A imprensa e vereadores presentes (Airton Luis Pegoraro, Edcarlos Pereira dos Santos, Francisco Leandro Gonzalez, Paulo Egidio Grigolin e Luis Renato Proti), participaram da audiência. Em geral, comentaram que a apresentação dos dados permite ter um conhecimento real da situação da Santa Casa e que há planejamento para a melhoria do atendimento.

Marciano e o prefeito Aberlardo Maurício Martins Simões Filho (MDB) responderam aos questionamentos. O chefe do Executivo afirmou que a intervenção será mantida por tempo indeterminado até a resolução dos problemas da Santa Casa. A requisição administrativa foi prorrogada inicialmente até o fim deste mês.

Sobre as obras de reforma no Hospital São José, chamado de Elefante Verde, Abelardinho Simões disse que houve suspensão da obra porque o prédio está irregular, por não dispor de Habite-se e por estar penhorado. Segundo ele, os R$ 640 mil destinados às obras serão empregados na prevenção e combate à Covid-19.