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Heleno Faria: “a relação entre nós, como prestadores de serviços de saúde, está muito estreita e parceira das entidades governamentais” – Divulgação

O diretor assistencial do Hospital Erasto Gaertner, de Curitiba, Heleno Faria, tem atuado na liderança de equipes, entre outras tarefas, no enfrentamento da Covid-19.

Ele morou, estudou e trabalhou em Bariri até se formar em auxiliar de enfermagem e partir para novos desafios.

Também cursou a graduação de enfermagem, especialização em UTI e MBA em gestão de pessoas.

Além de diretor assistencial, coordena a pós-graduação de gestão da saúde e gestão da qualidade em saúde pela UniDomBosco, de Curitiba.

Heleno trabalhou no Hospital Amaral Carvalho, de Jaú, Hospital de Câncer de Barretos. Nessa oportunidade, chegou ao cargo de gerente de enfermagem, coordenando o trabalho junto a mais de 1000 funcionários e auxiliando na gestão de mais de sete unidades avançadas espalhadas pelo Brasil.

Mais tarde foi convidado a conhecer o Hospital Erasto Gaertner. “De cara senti quanto potencial a proposta administrativa do HEG poderia me trazer bons frutos, e resolvemos mudar toda a nossa rotina e assumir a direção assistência, onde estou até o momento”, conta ele. Confira a entrevista concedida ao Candeia:

 

Candeia – Conte um pouco sobre sua vivência em Bariri.

Heleno – Passei toda a minha infância em Bariri, desde meus cinco anos de idade. Viver em Bariri me fez o ser humano que sou hoje, foi onde conheci e tive a oportunidade de conviver com pessoas boas que sempre me deram bons exemplos. Tive acesso a uma boa formação de caráter e escolar com ótimos professores. Bariri sempre foi um lugar muito bom para se educar e ter uma família. Ficaria feliz se meus filhos pudessem ter a vida que tive em Bariri. Ainda tenho contato ativo com meus amigos de infância e como meus melhores amigos sempre que vou a passeio nos encontramos, e meu filho tem a oportunidade de conviver e ter os filhos deles como amigos também.

 

Candeia – Por que você optou pela área de saúde?

Heleno – Meu primeiro emprego na área da saúde foi na Drogaria Modelo, do Ciomar Oréfice, meu grande mestre. Lá foi meu primeiro contato com doenças e tratamentos, e ele foi crucial para minha paixão pela saúde, porque foi ele que nos ensinava sobre os medicamentos e para que serviam e quais os problemas poderiam causar. Trabalhei com ele muitos anos (dos 14 aos 19 anos)  até me mudar para Jaú para fazer enfermagem. Na época em que entrei para a enfermagem foi repentino. Eu fazia cursinho para entrar na faculdade e em frente tinha um colégio (Senac), que anunciava o curso de auxiliar de enfermagem. Acabei trocando o cursinho pelo curso de auxiliar de enfermagem. E foi aí que me apaixonei pela profissão e este curso me deu a oportunidade de evoluir para a graduação.

 

Candeia – Que trabalho desenvolve atualmente? Qual a relação com a Covid-19?

Heleno – Como diretor assistencial, hoje, trabalho minimizando riscos ao paciente, orientando e coordenando equipes, gerenciando custos, administrando contratos, auditando serviços afins e implantando novos serviços de saúde para que sejam auto-suficientes, desde gestão de pessoas e conflitos, recursos humanos até mesmo sobre pactuações com o SUS e com a saúde suplementar, financiamentos e gerenciamento dos recursos e minimizar desperdícios e uso indevido desses recursos. Fazer a gestão consciente dos recursos e serviços de saúde logo mostra resultados. Além do enfrentamento à Covid-19 no nosso complexo hospitalar também somos pactuados com o município, com os leitos de retaguarda para o atendimento de pacientes oncológicos e não oncológicos que necessitarem na capital. Nossa grande preocupação com o perfil de paciente que atendemos é que os tratamentos não podem parar, realizamos algumas medidas para diminuir o fluxo de pessoas na instituição fazendo análise e refinamento dos atendimentos ambulatoriais. O grupo gestor do HEG ganhou tanto destaque em suas condutas positivas e ativas no gerenciamento dos seus serviços que angariou o projeto de estruturação de um hospital de campanha em Guarapuava para atender todo Estado, com 120 leitos de enfermaria e 40 leitos de UTI. Estamos programados para iniciar as atividades deste hospital de campanha ainda no mês de junho, sob a gestão do corpo administrativo Hospital Erasto Gaertner, a qual faço parte com os protocolos e gestão assistenciais, junto à minha equipe.

 

Candeia – Como está a situação em Curitiba, onde você mora, e no Paraná como um todo?

Heleno – O Paraná é um estado muito centrado, hoje estamos com ocupação de 30% dos leitos destinados para o enfretamento da Covid-19 e acompanhamos um trabalho em conjunto entre governador e os prefeitos das cidades, onde vejo que é a chave do sucesso neste momento. As ações de isolamento têm de ser personalizadas assim evitando possíveis erros de estratégia. Não existe uma receita de bolo para uma situação dessa que estamos vivendo, mas trago como um mantra junto a minha equipe segundo esta citação do Autora Barbara Hoogenboom, diretora do Instituto Bert Hellinger da Holanda: “Ontem fizemos o melhor que podíamos fazer com base no que sabíamos ontem”; “Hoje adotamos a melhor abordagem com base no que sabemos melhor hoje.”

“Amanhã saberemos o que é melhor para amanhã”; “Em todas as crises, aprendemos coisas novas sobre nós mesmos e entre nós”.

 

Candeia – Qual seu posicionamento sobre o enfrentamento da doença no Brasil, contemplando os governos federal, estaduais e municipais?

Heleno – É difícil dizer se algo que está funcionando (no âmbito da saúde) está certo ou errado, sei que muitas das medidas que estamos tomando com tanto afinco já deveríamos estar realizando em nossas vidas. Um exemplo que dou é que eu e minha esposa que também é enfermeira não entramos em casa com o sapato de trabalho e não tocamos em nada, assim como lavar bem as mãos e usar EPIs para entrar em contato com pacientes em isolamento. Só que essas condutas agora passaram a ser obrigatórias também ao restante da população leiga, pega de surpresa pela pandemia, é aí que me preocupo.

 

Candeia – A proliferação de fake news preocupa?

Heleno – A cada fake news, nós da área da saúde e áreas afins sabemos no que acreditar e qual conduta melhor a ser conduzida. O Ministério da Saúde elaborou vários decretos e manuais muito bem descritos e auto-explicativos, para nos auxiliar neste enfrentamento, assim podermos adaptá-los à nossa realidade. Agora uma pessoa de senso comum (que não é da área da saúde) se vê confusa dentre tantos boatos e inverdades, causando pânico e desviando a atenção do real problema sócio-econômico do país. Um exemplo claro para mim quando me coloco no lugar dessas pessoas em um terremoto ou um furacão que estivesse matando as pessoas eu na minha ignorância sobre os fenômenos e seus impactos me vejo acuado aceitando as informações que nos passam os especialistas e veículos de comunicação. Mas enquanto gestor de um grande serviço de saúde de alta complexidade, digo que todas as instâncias: tanto legislativa quanto executiva, estão oferecendo total apoio e subsídios para conseguirmos minimizar o caos e os impactos do isolamento, desde financiamentos, congelamento de juros, prazos e também, subsídios financeiros para mantermos os hospitais ativos e a manutenção dos empregos e com os colaboradores recebendo corretamente. A relação entre nós, como prestadores de serviços de saúde, está muito estreita e parceira das entidades governamentais. Como profissional e também líder de equipes que estão na linha de frente e sob o risco iminente de contágio, estou ciente quanto os riscos e em nenhum momento nos obrigam ou omitem qualquer informação dos riscos e dos casos graves. Mesmo nos submetendo ao um código de ética profissional, somos tratados como parte da população, e sinto-me seguro quanto aos riscos que sofro e minha família, mas respaldado pelo estado e união através de leis e decretos que nos protegem e asseguram o atendimento de qualidade.

 

Candeia – O isolamento social é a melhor medida no momento?

Heleno – Quanto ao isolamento social, temos de analisar as situações de forma personalizada e conforme evolução de cada região do Brasil sempre pesando a questão da saúde física e financeira das cidades. Neste momento observamos como o Brasil se destaca na execução das ações para o enfrentamento e como a população se comprometeu prontamente em dar o seu melhor incluindo mantendo seus pagamentos em dia e seus colaboradores, “segurando as pontas” como podem ajudando o próximo. Depois que me tornei adulto nunca mais tinha sentido tanto calor humano como agora, mesmo longe a população tem pensado muito no próximo. Mesmo triste por algumas perdas em nossas vidas, vejo que há esperança para todos nós e como mudamos nosso ritmo desenfreado atrás de riquezas a qualquer custo, nossos filhos terceirizados em escolhas, um ódio que agora se tornou amor pelo próximo e as famílias voltaram a ser a unidade mais importante para nós todos.