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João Paulo Poli, médico infectologista: “o isolamento de assintomáticos é para evitar a contaminação de outras pessoas” – Divulgação

Alcir Zago

Desde novembro, Bariri não registrava óbito relacionado à Covid-19. A situação mudou após a chegada do boletim epidemiológico anteontem (13), que registrou morte por causa da doença.

Mulher de 79 anos veio a óbito no dia 12 de janeiro. Agora, desde o início da pandemia são 124 mortes no município.

Em relação aos casos, desde o início do ano Bariri contabilizou 402 exames positivos para o novo coronavírus. O aumento começou a ocorrer principalmente a partir de 5 de janeiro, muito provavelmente em decorrência das festas de fim de ano.

Os números atuais contrastam com o fim de 2021. Em julho houve 271 testes positivos e nove óbitos no município.

A partir de agosto os números caíram. Em agosto foram 74 casos e duas mortes. Houve 33 registros positivos em setembro, 29 em outubro, 11 em novembro e seis em dezembro. De setembro a dezembro, o Setor Municipal de Saúde contabilizou apenas um óbito relacionado à Covid-19: em novembro.

 

Boraceia e Itaju

 

Em sete dias (de 5 a 12 de janeiro), 60 moradores de Boraceia receberam o exame positivo para o novo coronavírus.

No dia 12 de janeiro eram 1.073 exames positivos, total consolidado desde o início da pandemia.

No mesmo dia havia 69 pessoas em isolamento domiciliar em Boraceia, nenhuma delas internada.

Em Itaju, foram contabilizados 61 novos casos de Covid-19 desde o início do ano. Na quarta-feira (12) havia 59 pessoas em domicílio, nenhuma internada. Itaju registrou ao todo 762 casos da doença.

 

Imunizado que teve contato com pessoa com Covid tem de ficar em casa

 

Está cada vez mais frequente ter alguém do círculo familiar ou do trabalho que positivou para a Covid-19. Num momento de disseminação da ômicron, que é mais contagiosa que as variantes anteriores do coronavírus, é importante tomar a vacina e endurecer novamente com as medidas sanitárias para se proteger e não colocar outras pessoas em risco. Uma das dúvidas do momento é o que fazer quem está vacinado e teve recente contato com alguém que terminou de positivar para a Covid.

Mesmo que não apresente sintomas, a orientação é ficar em casa e se observar. Caso desenvolva sintomas, mesmo que leves, deve procurar atendimento médico, ressalta João Paulo Poli, infectologista do Grupo São Francisco, que integra o Sistema Hapvida. “O isolamento de assintomáticos é para evitar a contaminação de outras pessoas, principalmente àquelas com imunidade comprometida, como os idosos, quem tem doença crônica, câncer e os HIV positivo”, explica. O tempo de isolamento total para os infectados pela ômicron não está bem estabelecido ainda, mas é seguro considerar 10 dias, acrescenta ele.

Poli lembra que a ômicron é uma cepa nova, da qual ainda não se conhece muito. Identificada inicialmente na África do Sul e Botsuana, mas quase simultaneamente em outras partes do mundo, tem elevado número de mutações, principalmente na proteína de superfície Spike. E é isso o que confere a ela altíssima taxa de contágio comparado às cepas anteriores. “Até o momento, os dados mostram que é menos letal, mas ainda é cedo para determinar visto que é uma variante recém-descoberta. Mas sabemos que é responsável pela explosão recente de casos no mundo todo. Inicialmente na África do Sul, Europa e Estados Unidos. E, agora, provavelmente no Brasil”, comenta.

Por isso, a preocupação em frear o contágio. A boa notícia é que entre os vacinados infectados pela ômicron, até agora, o mais comum são sintomas leves. Os mais frequentes, de acordo com o infectologista, são dor no corpo intensa, dor de cabeça, mal-estar, dor de garganta e congestão nasal, que é o nariz entupido. Já tosse e falta de ar e perda de olfato e paladar são mais raros.

Como a variante ômicron é mais transmissível, o infectologista João Paulo Poli frisa que é necessário endurecer com as medidas sanitárias adotadas lá no início da pandemia: uso de máscara em tempo integral, higienização frequente das mãos com água e sabão ou álcool em gel, distanciamento social e evitar locais fechados sem ventilação natural e aglomerações de todo o tipo.