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Ele foi indicado pelo Sindicato dos Trabalhadores da Saúde de Jaú e Região – Cedida

O auxiliar de enfermagem Claudio Breda Júnior, 59 anos, é um daqueles casos raros de profissionais da saúde que labutam a vida inteira num mesmo ambiente de trabalho. Está há 44 anos na Santa Casa de Bariri, no início como um mirim e depois passando por todos os setores da enfermagem no hospital.
Nascido em 1963, foi indicado pelo Sindicato dos Trabalhadores da Saúde de Jaú e Região para a homenagem a ser realizada pela Assembeia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) nesta sexta-feira (13), por ocasião da sessão solene pelo Dia Estadual do Trabalhador da Saúde.
Sócio do Sindicato de Jaú, Breda teve atuação importante na greve vitoriosa realizada pela categoria em 2018 na Santa Casa de Bariri, quando salários eram pagos com atraso, reajustes salariais não eram concedidos e cesta básica entregue fora do prazo. Ele ajudou a mobilizar trabalhadores no hospital na greve contra a gestão da época, a Organização Social Vitale Saúde.
A greve durou 11 dias e o Sindicato se saiu vencedor em audiência no TRT de Campinas, que determinou datas e multas para a Santa Casa regularizar as pendências. Breda estava na assembléia antes da greve, esteve na paralisação na frente do hospital ou trabalhando para liberar colegas para a greve. Ele, assim como outros trabalhadores da Santa Casa, foi fundamentais para o sucesso da greve.
Ele lembra da “sacanagem” que a gestão fazia com os funcionários, considerando o pior momento vivido por ele na Santa Casa de Bariri. “A Vitale veio para ajudar, mas a bomba estourou. A gente esperava o melhor para o hospital, mas teve muitos problemas, um rebuliço geral.” Foi nesse cenário de desrespeito aos funcionários que a greve teve início.
“O Sindicato lutou ao lado da gente, melhorou depois daquela greve, a Prefeitura fez uma intervenção no hospital e já dá pra enxergar uma luz no fim do túnel”, comenta Breda, otimista como atual momento e na esperança de que a Santa Casa de Bariri volte a ter a importância que teve no passado.
Ele considera importante ser sócio do Sindicato, ter a retaguarda que a entidade oferece a todos os trabalhadores e as oportunidades e serviços prestados à categoria. Na época da greve nem era sócio, mas ao ver a força do sindicato, decidiu se filiar e a convencer outros colegas para que façam o mesmo. Por sua participação na greve, foi demitido. Sendo reintegrado tempos depois, já sob nova gestão.

Vida na Santa Casa

Ele entrou na Santa Casa como mirim, mas logo fez curso de enfermagem, passando a ser auxiliar, função que ainda exerce, apesar de ser aposentado há mais de 10 anos. “Já fiz de tudo na Santa Casa de Bariri, passei pela UTI, clínica médica, pediatria, maternidade, pronto-socorro e, mais recentemente, no setor de covid”, conta.
“Foram muitos anos no pronto-socorro, a maior da minha vida na Santa Casa. Naquele tempo não tinha separação de setores. Um ajudava o outro, conforme a necessidade. Fazia transferência de pacientes para outras cidades e até ajudava a buscar pacientes em acidentes na rodovia”, relembra sua trajetória.
Breda diz, que se fosse para escolher, o seu setor preferido é o pronto-socorro. Hoje, atua na parte clínica, fazendo jornada de 12 x 36 no plantão noturno. Por um período conciliou o trabalho na Santa Casa com o serviço público na Prefeitura local, no setor de Vigilância Epidemiológica.
Breda foi um dos trabalhadores da saúde infectados pela Covid-19, mas, felizmente, o quadro não se agravou. Relembra que fez o teste no segundo dia de férias, testando positivo. “Em seguida minha esposa e o filho também pegaram covid e consegui cuidar deles”. Sente-se feliz por não ter perdido nenhum colega de trabalho para o coronavírus, mas lamenta das mortes dos profissionais da saúde ocorridas em outros hospitais da região e no Brasil.
Por fim, disse que apesar de décadas na profissão, sempre atuando como auxiliar, adquiriu conhecimento para ajudar os demais companheiros no dia a dia. Considera-se feliz co a carreira, mas não cansa de recomendar aos mais novos da categoria para que invistam na formação profissional.

Texto: Sindicato dos Trabalhadores da Saúde de Jaú e Região