Entre 2010 e 2020 o Hospital Amaral Carvalho (HAC) de Jaú notificou 1.636 casos de câncer relacionados a moradores de Bariri. Há mais prevalência da doença em homens do que em mulheres (veja quadro).
Os números foram encaminhados a pedido do Candeia pela equipe de Registros do HAC. A média anual (período de 11 anos) é de 148 casos de câncer no município.
É preciso considerar que mais pessoas que residem em Bariri tiveram algum tipo de tumor na última década, mas que procuraram atendimento em outra instituição de saúde.
O jornal solicitou os dados do HAC porque é a maior referência para a região para média e alta complexidades oncológicas.
Em relação à faixa etária, 85% dos casos de câncer foram relacionados a quem tem 50 anos ou mais. Das 1.636 notificações de 2010 a 2020, 1.392 foram para esse público. Outros 244 casos (15%) atingiram moradores de Bariri até 49 anos de idade.
Câncer de pele
O HAC informou também as principais localizações dos tumores. Quase metade dos casos, em homens ou mulheres, ocorre na pele (veja quadro).
De acordo com o Ministério da Saúde, para a prevenção é preciso evitar exposição prolongada ao sol entre 10h e 16h, procurar lugares com sombra, usar proteção adequada, como roupas, bonés ou chapéus, aplicar na pele, antes de se expor ao sol, filtro (protetor) solar com fator de proteção 30, no mínimo, usar filtro solar próprio para os lábios e manter a proteção mesmo em dias nublados.
Nas atividades ocupacionais, pode ser necessário reformular as jornadas de trabalho ou a organização das tarefas desenvolvidas ao longo do dia.
Para os homens, em segundo lugar, aparece o câncer de próstata, com 10,7% dos casos notificados pelo HAC. Quanto às mulheres, o câncer de mama é o segundo de maior prevalência, com 14,8%. O de colo de útero vem em terceiro, com 9,4%.
Prevenção
O câncer é uma doença causada por mutações genéticas. Por muito tempo, acreditou-se que essas mutações tinham origem em falhas congênitas e que, por isso, não seria possível interferir ou evitá-las.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), hoje, com os avanços das pesquisas, sabe-se que 30% a 50% dos casos de câncer podem ser prevenidos a partir de mudanças no estilo vida, como não fumar, preferir alimentos naturais, manter uma dieta equilibrada, se vacinar, reduzir o consumo de bebidas alcoólicas e praticar atividade física.
Segundo Duílio Rocha Filho, oncologista da SBOC, ao contrário do caso do cigarro em que a relação com câncer de pulmão é direta, os impactos do estilo de vida na saúde são pouco palpáveis para a maioria das pessoas, pois é muito difícil dizer com precisão o que originou o tumor; se foi o consumo de álcool ou de carnes processadas, por exemplo.
“Estamos falando de uma doença com causas multifatoriais. Por isso, é extremamente importante investir em prevenção e campanhas de conscientização, além de ajudar a população a buscar soluções mais saudáveis no dia a dia, de acordo com a necessidade e perfil de cada região”, explica.
O consumo de tabaco, especialmente inalado, é responsável por até 90% dos casos de câncer de pulmão, além de responder pela grande maioria dos casos de câncer de cabeça e pescoço, esôfago e bexiga. Os benefícios são inúmeros e podem ser reconhecidos já algumas horas após o último cigarro.
Outra recomendação é a prática de atividade física, que melhora a imunidade do corpo e reduz a produção de mediadores inflamatórios, fenômenos que minimizam as mudanças celulares e, consequentemente, os riscos de desenvolvimento do câncer. Estudos apontam que a atividade física regular reduz de fato o risco de desenvolvimento de câncer de mama, cólon e endométrio.
Também é preciso atenção especial à alimentação. Segundo a SBOC, além de evitar alimentos processados, é preciso entender que uma alimentação balanceada envolve o consumo de alimentos ricos em fibras, porções diárias de vegetais e frutas (cinco ou 400g por dia) e redução do consumo de carne vermelha (três porções ou 500g por semana).
O que é estadiamento do câncer?
De acordo com o Hospital Amaral Carvalho (HAC) de Jaú, dos casos estadiáveis pela Classificação TNM de registros de moradores de Bariri de 2010 a 2020, 51,4% foram classificados como I. Depois aparecem as classificações II (16,8%), IV (12,7%), III (10,3%) e 0 (8,9%).
O estadiamento do câncer é uma classificação de quão avançado está um determinado tumor para uniformizar a comunicação entre os diferentes profissionais de saúde e determinar o melhor tratamento.
Para determinar o estadiamento de um paciente, são levadas em consideração as informações sobre o tamanho do tumor, se ele já afetou outros órgãos, tecidos e áreas próximas, se ele invadiu os linfonodos e se ele já atingiu outros órgãos distantes do local onde foi identificado, o que é chamado de metástase.
Ter informações completas sobre o estadiamento serve como um grande auxílio ao profissional de saúde na hora de determinar o tratamento pelo qual o paciente deve passar.
O estágio 0 é utilizado para descrever uma lesão não invasora, restrito à área inicial. Um paciente em estágio I, por exemplo, pode ser tratado por meio de cirurgia e radioterapia, enquanto um paciente em estágio II pode necessitar também de quimioterapia. O estadiamento é variado para cada doença e pode depender das características do paciente.
Para determinar o estadiamento é necessária uma avaliação clínica cuidadosa e exames adicionais, como exames de imagem, tais como uma tomografia. Os exames necessários dependem do tipo de tumor e da avaliação médica inicial.
Os estágios, em geral, variam de I a IV, sendo que quanto maior a classificação, maior o grau de acometimento da doença. Para isso, leva-se em consideração o tamanho do tumor (T), o acometimento de linfonodos próximos (N) e a presença de metástases a distância (M).
Fonte: Rede D’Or São Luiz

Hospital Amaral Carvalho de Jaú: 85% dos casos de câncer foram relacionados a quem tem 50 anos ou mais | Divulgação
Da Redação
























