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Segundo a FOB, Estado deve assumir gestão do ‘Predião’ e do Centrinho para Conselho Universitário analisar criação da faculdade – Divulgação

A abertura definitiva do Hospital das Clínicas (HC) em Bauru se faz necessária não somente para minimizar o problema crônico de falta de vagas de internação na região. O seu funcionamento também é requisito imprescindível para que o curso de Medicina da USP em Bauru possa contar com uma unidade própria, a Faculdade de Medicina da universidade.

Hoje, o curso está ligado à Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB/USP), que também abriga as graduações de Odontologia e Fonoaudiologia. Para a criação da Faculdade de Medicina, será necessário, primeiro, transferir para a Secretaria de Estado da Saúde a gestão das duas unidades do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC), que são o ‘Predião’ azul, onde ficará o HC, e o próprio Centrinho.

É o que explica o diretor da FOB/USP e superintendente do HRAC, Carlos Ferreira dos Santos. De acordo com ele, em 4 de julho de 2017, o Conselho Universitário (CO) da USP aprovou a criação do curso de Medicina da FOB. E, na ata desta reunião, consta que a aprovação foi condicionada à assunção da gestão e custeio das unidades 1 e 2 do HRAC pelo Estado. A partir disso, a USP criaria a Faculdade de Medicina de Bauru.

“Como se estabeleceu esta condicionalidade, quando eu apresentar a proposta de criação da Faculdade de Medicina ao CO, o primeiro item que será observado pelos conselheiros será se existe ou não a formalização da assunção das duas unidades do HRAC. Se esse documento não existir, a discussão não avança”, justifica.

Proposta

Pela proposta, os atuais servidores do HRAC continuarão vinculados à USP, por meio da nova Faculdade de Medicina, atuando no mesmo local e mesmas funções dentro do Centrinho. Já as novas contratações, os custos com manutenção, atendimentos e aquisição de novos equipamentos para o HC e o Centrinho ficariam sob responsabilidade do governo do Estado.

“O HC será um hospital para atender as necessidades de Bauru e região e o Departamento Regional de Saúde (DRS-6) já tem mapeadas quais são as especialidades médicas necessárias”, explica Santos. De acordo com ele, um decreto estadual, assinado em 2018 pelo então governador Geraldo Alckmin, criou formalmente o HC de Bauru e um termo de cessão de uso das unidades 1 e 2 do HRAC foi firmado entre Secretaria de Estado da Saúde e Reitoria da USP.

Agora, falta a assinatura do acordo de cooperação técnica entre a USP e a secretaria para que o HC possa, de fato, entrar em operação. “A USP colocou toda sua estrutura à disposição, não está em um embate com o governo do Estado. Os 11 andares não precisam ser ocupados de uma vez só. Há condições de iniciar o funcionamento de forma gradual, porque já há uma estrutura que pode ser usada”, frisa.

O diretor lembra ainda que, a partir do ano que vem, a primeira turma do curso de Medicina entrará no quinto ano, quando começa o internato, mas, mesmo sem o HC, a rede de hospitais de Bauru terá estrutura suficiente para garantir a formação dos estudantes. “Tanto é que alunos de outras cidades já fizeram internato em Bauru. Os hospitais serão utilizados por meio de convênio já existente entre a FOB e a Famesp. Além disso, hoje, a rede municipal também é usada para a formação. O HC será mais um ambiente de prática”, observa.

Fonte: JCNET