
“O que se viu foram especulações, calúnias e difamações, que foram coroadas com relatório mentiroso, contendo nove jurisprudências falsas”, afirmou Myrella (Divulgação)
Em seu pronunciamento na Tribuna da Câmara, durante o julgamento da denúncia que apurou suposta infração político-administrativa, segunda-feira (14), a vereadora Myrella Soares da Silva (União Brasil) disse que foi vítima de perseguição política e transfobia.
Ela iniciou a fala ressaltando a importância de sua presença no Legislativo baririense. “Vereadora eleita para segundo mandato, primeira e única mulher negra e transexual a ocupar o plenário nos 135 anos baririenses. Estou entre as 26 vereadoras trans eleitas no País e, destas, 10 parlamentares que representam o Estado de São Paulo”, enfatizou.
Segundo ela, caso sua cassação ocorresse – o que se confirmou – a Câmara de Bariri se tornaria totalmente branca e elitizada, sem representante negro e da comunidade LGBTQIAPN+. “Uma verdadeira higienização”, afirmou.
Ainda de acordo com a vereadora, a transfobia, assim como o racismo, se manifestam de forma velada, através de ações silenciosas e baseadas no falso moralismo e na criação de narrativas infundadas. “Os tempos são outros, mas os grilhões ainda existem”, ressaltou.
Por isso, considera que o seu mandato está sendo julgado politicamente, sem embasamento mínimo para sua abertura. “Foram ignorados os pareceres da própria Procuradoria da Câmara, o arquivamento do Ministério Público e até do Poder Judiciário”, argumentou.
Garantiu que durante o processo não foram encontrados lastros de irregularidades que pudessem configurar quebra de decoro de sua parte. “O que se viu foram especulações, calúnias e difamações, que foram coroadas com relatório mentiroso, contendo nove jurisprudências falsas, objetivando reforçar factoides ali colocados pela relatora”, acusou.
Ressaltou frase que considerou machista utilizada por Aline no relatório que pede sua cassação: “À mulher de César não basta ser honesta, tem que parecer honesta”. Myrella rebateu, enfatizando que a mulher deve ser independente e autônoma. “A mulher não precisa de César. Ela é Cesar”.
Disse que sua atuação na política sempre foi independente, dialogando e debatendo com os homens da Câmara de igual para igual. Acredita que talvez por isso tenha sido tão combatida. Citou alguns exemplos de falas no Legislativo que, para ela, denotaram transfobia. “´Muita gente me querendo fora da Câmara”, concluiu.
Relatou seu trabalho como vereadora: 360 proposituras; 10 projetos de lei aprovados, beneficiando mulheres, crianças, idoso, autistas, crianças e saúde de LGBTQIAPN+, além de emendas parlamentares para Bariri.
Disse que se sente de dever cumprido, consciência tranquila e em relação ao trabalho na equipe de saúde, que motivou o processo de cassação, lembrou que em 2025 não houve morte registrada por dengue.
Disse que acredita na democracia e no Poder Judiciário, confirmando que pretende reverter na Justiça a decisão de perda do mandato.
























