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Durante a Palavra Livre, Folieni, Leandro e Vaguinho não pouparam críticas à gestão de Neto Leoni – Alcir Zago/Candeia

A gestão do prefeito Francisco Leoni Neto (PSDB) foi o principal alvo da primeira sessão de 2020, realizada pela Câmara de Vereadores segunda-feira, 3, após recesso legislativo.
As críticas ocorreram, em especial, durante a Palavra Livre. Os três vereadores que usaram a Tribuna – Evandro Antonio Folieni (PSDB), Francisco Leandro Gonzalez (Cidadania) e Vagner Mateus Ferreira (PSD) – não esconderam as restrições feitas ao prefeito e parte dos assessores.
Folieni centrou suas críticas em uma pessoa: o chefe de Gabinete, Olavo Gomes Nunes. Uma delas é a de que o assessor seria o culpado por grande parte dos problemas que a atual administração estaria enfrentando. Disse que Olavo desagrega, não respeita antigos aliados nem adversários políticos. Insinuou que ele seria um dos responsáveis pelo afastamento da vice-prefeita, Maria Pia Betti Pio da Silva Nary (PP).
Para o vereador, que rompeu com a atual gestão, mas permanece no mesmo partido que o prefeito, o assessor “é a pior oposição ao lado do prefeito”.
Reclamou que o chefe de Gabinete é “provocador” e o acusou de manter informações importantes distantes do prefeito. Folieni acusou Olavo de “ficar colocando apelido nas pessoas” e listou as pessoas que teriam sido vítimas da brincadeira, inclusive ele próprio.
Por sinal, a história de cognomes parece ser recíproca uma vez que Folieni em vários momentos se referiu ao assessor de forma pejorativa como “moleque”, “bonequinho inflável”, “filhinho de papai”; “boneco de presépio” e outros.
Folieni fez outras acusações graves ao assessor como tráfico de influência, desvio de documentos e requisições, assédio moral, mentir para autoridades e “fritar” outros diretores. Sem contar a insinuação de que ele não cumpre jornada de trabalho e a ameaça de que vai fiscalizar “viagens” feitas pelo assessor.
Fosse verdade pelo menos um terço dessas acusações, já seria passível de investigação e/ou pronto esclarecimento. Ou se for o caso reverso, a acusação de injúria e difamação. Numa situação normal de governo.

Moleques, vagabundos e bandidos

A fala de Leandro Gonzalez não foi menos dura. Para ele, parte da equipe do atual prefeito é formada por “moleques, vagabundos e bandidos”. Insinuou que um antigo assessor se encontra infiltrado em empresa que presta serviço público, ou seja, na prática não teria se incompatibilizado do cargo que ocupava. “Estamos na cola”, afirmou.
Elencou série de irregularidades e falhas nos diversos setores da administração municipal como mato alto em vias públicas e terrenos particulares, uma vez que o prefeito até o momento não teria regulamentado lei que enrijeceu as penalidades. “Perigo para proliferação do mosquito da dengue”, ressaltou Gonzalez.
Também criticou o caso dos escorpiões da Creche Carmem Sola Aquilante, que há três meses permanece fechada, deslocando as crianças que residem nos altos da cidade para região central da cidade. Fora gasto aditivo por conta de aluguel e transporte de alunos e funcionários. “Jogo de empurra que só pretende, sem sucesso, disfarçar a incompetência da atual gestão”, comentou o vereador.
Outro assunto comentado por Gonzalez foi referente ao Rodeio Bariri. Disse que não é contra a festa, mas ressaltou que o município vai gastar quase R$ 500 mil com shows gratuitos e que o lucro do evento pode ficar na mão de empresários de fora. Defendeu utilizar a estrutura do estádio municipal para beneficiar a cidade e os ambulantes locais.
Ainda comentou o movimento do sindicato e dos servidores municipais no sentido de aumentar o índice de aumento salarial proposto pelo prefeito – 3,36% – e do vale alimentação. Disse que vai votar contra o reajuste, se ele permanecer nesse patamar.

“Cagada”

Vagner Ferreira criticou o teor da entrevista concedida pelo prefeito Neto Leoni em órgãos de imprensa local. Disse que ele próprio teria admitido que tem medo da Câmara e das críticas que receberia. “Eu entendo, o senhor é péssimo prefeito”, ressaltou.
Vagner também criticou o assessor de gabinete e classificou a atual gestão de “casa da Mãe Joana”. Disse que a cidade está nessa situação porque nas eleições/2016 Neto Leoni escolheu “um bandido” para vice e insistiu no nome mesmo sendo condenado pela Justiça.
Afirmou que há sete meses a atual administração cortou gastos e compras, por falta de recursos, provocando falta de medicamentos, fila de exames e cirurgias. Lembrou que os funcionários da Santa Casa só tiveram décimo terceiro porque chegaram recursos de emenda parlamentar. “E nessa situação, o que o prefeito faz? Na primeira entrevista anuncia o Rodeio Bariri e gasto de R$ 500 mil em shows”, critica.
O vereador do PSD continuou as críticas citando o caso do não pagamento de férias dos professores; o imbróglio da creche e escorpiões; os problemas no setor de Saúde; e o índice de reajuste do funcionalismo proposto. “Há dez anos e meio o senhor vem fazendo cagada”, finalizou.