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A família enfrenta a pandemia com isolamento e responsabilidade social, além de solidariedade aos mais vulneráveis – Arquivo Pessoal

A baririense Aline Cavallieri Michiellin, 43 anos, reside com a família – marido Péricles, e filhos, Rafael, 8, e Mila, 5 – em Los Angeles, no estado da Califórnia (EUA), e, por solicitação do Candeia, relatou como estão enfrentado a pandemia do coronavírus (Covid 19).

Segundo ela, a área metropolitana de Los Angeles tem quase 13 milhões de pessoas. No dia 25 de março, quarta-feira, os arquivos de controle registravam 812 casos confirmados do Covid 19, com 13 mortes.  Na data, no país, eram 69.018 casos confirmados e 1.042 mortes.  “A situação mais complicada está na região de Nova Yorque.  São aproximadamente 32 mil casos”, comenta.

Aline – que é formada em Economia, com especialização em Comércio Exterior – deixou de exercer a profissão desde que nasceu o filho Rafael. A rotina da família na pandemia está limitada pelo isolamento social e se assemelha à atual situação de grande parte das famílias no Brasil.

 

Cronograma do isolamento social

 

Ela conta que há mais de 15 dias, em 13 de março, a escola onde os filhos estudam suspendeu as aulas. A partir de então, a família não saiu mais de casa, a não ser para caminhar e ir ao parque que fica em frente à residência. Ainda saem para ir ao supermercado.

O distrito escolar de Los Angeles determinou o fechamento de todas as escolas no dia 16, segunda-feira. Nesse mesmo dia, por ordem da prefeitura, bares, restaurantes, casas de show, boates e qualquer tipo de entretenimento também foram fechados.  Restaurantes podem seguir operando para entregas ou retirada de comida.

Dia 19, quinta-feira, o prefeito decretou estado de emergência e ordenou que todos os residentes da cidade de Los Angeles ficassem dentro de suas casas e limitassem imediatamente qualquer deslocamento que não fosse necessário. Bancos e correios funcionam normalmente.

Segundo Aline, as escolas desenvolveram processo de transição para o aprendizado à distância.  Pela manhã, as crianças fazem videoconferência com os professores e grupo de alunos. Depois, os pais trabalham com eles o material que recebem por e-mail.

A baririense diz que, provavelmente, a suspensão de aula vai emendar com as “férias da primavera”, previstas para as próximas duas semanas. “A escola vai se preparar para a possibilidade de seguirmos com o aprendizado à distância, até o final do ano letivo, que aqui é em junho”, ela comenta.

 

Rotina do isolamento social

 

Aline relata que na maior parte do dia a família passa dentro de casa. Essa rotina é quebrada um pouco com as idas ao supermercado e passeio ao parque. Nesse local, inclusive, está proibido ficar parado ou sentar na grama. A ordem é circular. Contato com os vizinhos somente através de conversa na janela ou à distância, quando estão caminhando.

Ela diz que não há problema de desabastecimentos no supermercado. “Você encontra quase tudo nas prateleiras, com exceção de produtos desinfetantes, como spray, lencinhos umedecidos e o famoso álcool em gel”, especifica.

Para fazer as compras os consumidores formam filas na porta, com alguma distância, e somente entra um determinado número por vez.  Ainda de acordo com Aline, um percentual de 20 ou 30% de pessoas usam máscaras.

Em casa, eles seguem as recomendações de lavar bem as mãos quando chegam da rua. Ainda tomam cuidado de deixar os sapatos para o lado de fora, na porta de entrada.  “Acho que vou usar o mesmo sapato por três meses”, conta resignada.

 

Atendimento aos pacientes

 

Aline ressalta que a cidade de Los Angeles tem muitos hospitais, mas com 13 milhões de pessoas na área metropolitana, não consegue atender grande número de infectados.

Diz que, no momento, os testes para o coronavírus são limitados e estão disponíveis somente aos maiores de 65 anos, aos portadores de doenças crônicas e às pessoas que foram expostas a casos confirmados de Covid-19 e que já estejam de quarentena por alguns dias.

Para Aline, se tivesse que recomendar ações eficazes para o enfrentamento da pandemia em Bariri, destacaria três: ter responsabilidade social, praticar o isolamento de verdade para conter a propagação do vírus – isso inclui cada um dentro da sua casa, saindo somente o necessário -, e solidariedade com os mais vulneráveis.

Afirma que em seu bairro foi montada uma rede de voluntários para assistir o grupo de maior risco.  “Pessoas se voluntariam para fazer compras para eles, por exemplo, ir à farmácia e até passear com cachorro”, especifica.

Aline nasceu em Bariri e é filha do casal Ulisses (Byta) Cavallieri e Maria Célia Tonin Cavallieri. Reside nos EUA desde 2001 e na cidade de Los Angeles, desde 2005.