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Augusto Cesar Zaparolli

“Infelizmente sabemos que muitos de nossos atendidos acabaram perdendo esse contato familiar e sentimos o quão essa carência interfere na saúde emocional dos mesmos”

Desde o início do ano o Lar Vicentino de Bariri está sob a presidência de Augusto Cesar Zapparolli, 62 anos. Segundo ele, é importante a participação das famílias para o bem-estar dos idosos atendidos na entidade. “Por melhor que sejam nossos serviços eles jamais suprirão a necessidade do convívio da família e amigos”, afirma Zaparolli. Entre suas prioridades estão a promoção de atividades de lazer e entretenimento para os atendidos e a reativação do salão social para festas. De maio a dezembro do ano passado a entidade ficou sob a intervenção da Sociedade São Vicente de Paulo (SSVP). O presidente do Lar Vicentino avalia como positivo o trabalho feito nesse período com o intuito de reorganizar e orientar na administração da entidade. Zaparolli é nascido em Bariri e exerce a profissão de mecânico. É voluntário no Lar Vicentino de Bariri desde 1993, atuando como presidente da entidade e do conselho particular, que é um movimento de conferências vicentinas formado por leigos que se dedicam a realizar atividades junto a pessoas em situações de vulnerabilidade social a fim de aliviar o sofrimento do próximo.

Candeia – Qual a prioridade do senhor à frente do Lar Vicentino de Bariri?
Zaparolli – Minha prioridade é continuar favorecendo nossos atendidos, através da proteção e inclusão social dos mesmos, bem como oferecer condições dignas de saúde e bem-estar. Pretendo, através de parcerias, disponibilizar novas possibilidades de atividades de lazer e entretenimento para nossos idosos. Temos interesse também em reativar o salão social do asilo, para que novamente possa ser um espaço de aluguel para festas proporcionando assim uma renda que irá muito colaborar com os nossos serviços.

Candeia – De que forma a entidade mantém o atendimento diariamente?
Zaparolli – Atualmente o Lar Vicentino mantém o atendimento através de recursos públicos e privados, como aluguéis de imóveis, arrendamento de áreas agrícolas, campanhas como o leilão de gado, apoio da comunidade e uma parte da aposentadoria de nossos atendidos. Torna-se importante ressaltar que esses recursos são insuficientes para arcar com todas as nossas despesas, uma vez que cada idoso gera um gasto de aproximadamente R$ 2,2 mil mensais para entidade.

Candeia – A prefeitura de Bariri alugou parte da ala da entidade para atendimento psicossocial. Em que medida esse recurso extra irá contribuir com a manutenção da instituição?
Zaparolli – Esse recurso será muito importante para nossa entidade uma vez que esse prédio se encontrava ocioso e gerava despesas de manutenção. Esta parceria com a prefeitura complementará a receita contribuindo assim com a qualidade dos nossos serviços.

Candeia – Quantas pessoas são atendidas hoje no Lar Vicentino? Há perspectiva de aumento desse público?
Zaparolli – Atualmente são atendidos 38 idosos, não tendo perspectiva de aumento, uma vez que nossa proposta é de atender 35 idosos.

Candeia – Como o senhor avaliou a intervenção feita na instituição pela Sociedade São Vicente de Paulo de maio a dezembro de 2019? Essa medida promoveu alguma mudança no Lar Vicentino a partir de agora?
Zaparolli – Inicialmente gostaria de colocar que a palavra “intervenção” teve para nossa cidade um peso muito negativo tendo em vista os últimos acontecimentos no município. No Lar Vicentino a intervenção ocorreu de uma forma muito tranquila, uma vez que os interventores são vicentinos confrades como nós e vieram com a proposta de reorganizar e nos orientar na administração de nossa entidade. O trabalho foi realizado através de colaboração entre ambas as partes. Sendo assim, considero que essa parceria foi de extrema importância para reestruturação e fortalecimento de vínculo com a Sociedade São Vicente de Paulo – SSVP. Essa parceria também trouxe novas ideias que pretendemos implantar nos próximos anos.

Candeia – Como avalia a participação das famílias que possuem idosos na instituição no dia a dia deles?
Zaparolli – Entendemos que a participação e o vínculo familiar são fundamentais para o bem-estar de nossos idosos e que por melhor que sejam nossos serviços eles jamais suprirão a necessidade do convívio da família e amigos. Nossa equipe realiza constantemente intervenções para acolhimento familiar e fortalecimento de vínculos, porém, infelizmente sabemos que muitos de nossos atendidos acabaram perdendo esse contato familiar e sentimos o quão essa carência interfere na saúde emocional dos mesmos.