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Lauan Guilherme da Silva – “Onde não há arte e cultura, impera a desesperança e a violência”

 

O artista itajuense, Lauan Guilherme da Silva, 25 anos, é, assumidamente, apaixonado pela arte circense. Criador do projeto Circo da Vila em Itaju, ele utiliza as atividades cênicas para promover a inclusão social e cultural de crianças, jovens e adolescentes, em especial os que têm poucas oportunidades de lazer e formação artística. Neste sábado, 27 de março, é comemorado o Dia do Circo, data escolhida em homenagem ao palhaço brasileiro Abelardo Pinto, conhecido popularmente como Piolin, que nasceu nesse dia em 1897. Piolin era considerado um grande palhaço, que se destacava pela enorme criatividade cômica e pela habilidade como ginasta e equilibrista. Para marcar a data, o Candeia conversou com o artista, que falou sobre sua ligação com a arte circense e o Projeto Circo da Vila. Lauan Guilherme da Silva é formado em Educação Artística – Artes Cênicas, pela Universidade do Sagrado Coração (USC). Além de idealizador do projeto circense de inclusão, o artista, produtor e diretor de arte, atualmente, atua junto à EE Profª Edir Helen Sgavioli Faccioli de Boraceia, ministrando aulas de Arte, no Programa de Ensino Integral (PEI).

 

Candeia – Como você conciliou seu potencial em artes cênicas, com profissionalização e atuação educacional?

 

Lauan Silva – Através do programa do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) iniciei estágio na Prefeitura de Itaju, desenvolvendo atividades junto à Emef Prof. Erasto Castanho de Andrade. Fui me envolvendo cada vez mais com os processos de ensino e adquirindo o gosto pelas atividades ligadas à educação. Em 2013, ingressei na Universidade do Sagrado Coração (USC), para cursar Educação Artística – Artes Cênicas, pois desejava estudar linguagem artística e ingressar na carreira de ator. Durante o curso e após sua conclusão, ministrei aulas eventuais. Em 2015 conheci a artista Priscila Menucci, na época em que ela atuava junto ao programa A Praça é Nossa, no SBT, e na novela Cúmplice de um Resgate. Deste encontro, surgiu convite para que atuar ao lado dela nos shows de humor, em circos e teatros, em diversas cidades do Brasil. Em 2018 e 2019, além de produtor da humorista, desenvolvi oficinas de teatro e dança, no Centro de Convivência do Idoso e Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculo, da Prefeitura de Itaju. Atualmente estou em Boraceia, junto à EE Profª Edir Helen Sgavioli Faccioli, ministrando aulas de Arte, no Programa de Ensino Integral (PEI).

 

Candeia – Como você se envolveu com atividades ligadas à arte circense?

 

Lauan Silva – Itaju é um município que circos de médio e grande porte dificilmente apresentam espetáculos, devido ao pouco potencial de público. Quando estes eventos se instalavam em Bariri, chorava para que meu pai me levasse para assisti-los. Em 2010, o circo Vitória chegou a Itaju, e para minha alegria, comparecia a todos os espetáculos e tinha contato com os integrantes. Em 2012, chegou o circo Hollywood e, em dois dias, a estrutura colorida tomou conta do terreno itajuense, despertando minha curiosidade de conhecer os detalhes daquele universo e intensificando minha paixão pelo mundo circense. A partir daí, durante as férias, comecei a acompanhar alguns circos em suas apresentações pelo estado de São Paulo, como parte integrante da equipe e atuando nas noites de espetáculo. Um caminho de sonhos e alegria que não teve fim.

 

Candeia – O que é o Projeto Circo da Vila, como surgiu e objetivo?

 

Lauan Silva – O Projeto Circo da Vila nasceu do sonho de um garoto, apaixonado pela arte, com o objetivo de levar alegria e cultura para todos, sem fins lucrativos. No ano de 2009 eu e um colega, Lago, ex-participante do Circo da Vila, fomos assistir ao espetáculo de circo que estava se apresentando em Itaju. Ficamos tão deslumbrados com os números apresentados que saímos com a vontade imensa e o sonho grande de termos a nossa companhia circense.  Convidamos algumas crianças que moravam no Núcleo Habitacional Étore Capone para integrar a equipe e, com a ajuda de algumas vizinhas, que doavam cortinas para uma costureira confeccionar os figurinos, iniciamos as apresentações na Praça Mario Augusto Moreto.  Durante algum tempo, o circo não tinha um nome específico. Em 2011, com a chegada do Circo Hollywood na cidade, fomos convidados a nos apresentar e precisávamos de um nome. Já que os membros do circo moravam no mesmo bairro, optamos pelo nome Circo da Vila, um projeto com o objetivo de levar alegria e cultura para todos, sem fins lucrativos. O Circo da Vila sempre esteve envolvido com apresentações em unidades escolares, asilos, orfanatos, praças públicas e sua equipe é formada por 18 crianças e adolescentes que apresentam números relacionados a acrobacia no solo, contorcionismo, malabarismo, dublagens, magia e outros.

 

Candeia – Como a arte circense pode contribuir para política de inclusão social da criança, jovem e adolescente?

 

Lauan Silva – Acreditamos que a arte circense possa contribuir, imensamente, para a inclusão social da criança, jovem e adolescente, pois é uma das responsáveis por despertar a paixão pela arte e pela cultura, elementos tão importantes para a construção de cidadãos críticos e participativos. Através da arte, podemos pensar e repensar elementos e acontecimentos do nosso dia a dia, pois ela nos fornece estruturas cognitivas para avaliarmos o mundo em que vivemos. Portanto, onde não há arte e cultura, impera a desesperança e a violência.

 

Candeia – Com às alterações e restrições devido à pandemia de Covid-19, como estão hoje as atividades do Circo da Vila?

 

Lauan Silva – Atualmente as atividades do Circo da Vila estão suspensas devido à pandemia da Covid 19. Neste período, estamos repensando e reorganizando o modo de trabalho, para que após este triste período que estamos vivenciando, possamos levar entretenimento e alegria para o público.

 

Candeia – Quais as expectativas em médio e curto prazo?

 

Lauan Silva – Durante a pandemia, fomos convidados a participar de quadro de um programa humorístico de rede nacional. Mas, com o agravamento dos casos da Covid 19 e, por falta de patrocinadores e de recursos financeiros para renovarmos o acervo de figurinos, a apresentação foi cancelada. Portanto, as expectativas para os próximos dias é que algum patrocinador nos ofereça apoio e nos ajude a realizar este sonho, já que o Circo da Vila é um projeto sem fins lucrativos, que acolhe crianças e adolescentes que possuem interesse em trabalhar com a arte.

 

Candeia – Qual sua mensagem no Dia do Circo?

 

Lauan Silva – Como afirma Cecília Sfalsin “Não acredito em sonhos impossíveis. Principalmente tendo um Deus tão poderoso como nós temos. O que eu acredito é que quando Ele tem um propósito em nossa vida, e projeta algo para nós, Ele pega aquele nosso sonho, trabalha nele, tira tudo que não será legal para a gente, coloca novos planos, novas certezas, aperfeiçoa da melhor maneira possível e depois nos entrega”. Desejo a todos um Feliz Dia do Circo, cheio de esperança, de novas cores, de alegria, e de muitas bênçãos.

Com equipe de 18 crianças e adolescentes, o Circo da Vila faz apresentações em unidades escolares, asilos, orfanatos, praças públicas, com números relacionados à acrobacia no solo, contorcionismo, malabarismo, dublagens, magia e outros – Divulgação