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Silvia Maria de Barros Gandara, assumiu a direção da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Bariri (Apae) em meados do mês de março – Divulgação

“Alunos, usuários e pacientes estão fora do ambiente escolar e institucional e isso aumenta a preocupação da equipe, com cada um deles. Sabemos que essa situação não é perene, mas o tempo em que se deixa de fazer atendimento pode acarretar prejuízos a todos eles”.

A mestre em educação, Silvia Maria de Barros Gandara, 60 anos, assumiu a direção da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Bariri (Apae) em meados do mês de março, em plena pandemia da Covid-19. Como ela ressalta, em momentos de maior complexidade se intensificam os desafios de uma educação inclusiva. Na entrevista concedida ao Jornal Candeia, comenta as medidas tomadas para minimizar os impactos do isolamento social no trabalho da entidade. Silvia também conta o que pretende manter e quais as alterações e ajustes necessários que vai propor à frente da Apae. Ela descreve os serviços e/ou projetos desenvolvidos pela Apae, a quantidade de alunos atendidos neles e confirma que – não obstante convênios e parcerias firmados – os recursos disponíveis são insuficientes e demandam estratégias de captação. A diretora relata ainda como a população tem contribuído ou pode contribuir mais efetivamente com a Apae.

Candeia – Como a senhora analisa o trabalho desenvolvido na Apae de Bariri?

Silvia Gandara – A Apae de Bariri é uma associação civil, pessoa jurídica, de direito privado, beneficente, filantrópica, de caráter assistencial, educacional, cultural, de saúde, de estudo e pesquisa. Segundo seu Regimento Interno tem por missão promover e articular ações de defesa dos direitos, prevenções, orientações, prestação de serviços, apoio à família, direcionadas à melhoria da qualidade de vida da pessoa com deficiência e à construção de uma sociedade justa e solidária. Importante destacar que embora a Apae seja uma entidade de serviços mistos, a área de preponderância da Apae de Bariri é a Assistência Social, conforme sua certificação. O trabalho nessas diferentes áreas é considerado de média complexidade, portanto, demanda uma equipe com competências técnicas, comprometida e dedicada. Felizmente a Apae de Bariri conta esse pessoal, que trabalha em torno de objetivos que dignificam a associação, embora sempre com muitos desafios e dificuldades de recursos, principalmente.

 

Candeia – O que a senhora pretende manter em relação ao trabalho que era feito na entidade e o que pretende modificar?

Silvia Gandara – Devem ser mantidos: o trabalho realizado com oficinas na área social; o atendimento de uma equipe multidisciplinar de apoio na educação e o Projeto de Estimulação Precoce na área de saúde, pois garantem atendimentos importantes aos usuários, alunos e pacientes, respectivamente. Mantidos também parte dos registros de acompanhamento das ações, pois garantem o acompanhamento da atuação de profissionais, nas diferentes áreas. As possíveis mudanças ocorrerão por conta de orientações da nova diretoria da associação, que assumiu em 2019; por conta de observações da rotina da instituição, durante meu primeiro mês de atuação e escuta atenta das demandas feitas pelos coordenadores e funcionários dos setores de educação, social e de saúde.

 

Candeia – Como a senhora está encaminhando os ajustes necessários?

Silvia Gandara – A partir desses levantamentos, levei para apreciação da diretoria meu plano de trabalho, contendo diretrizes de um planejamento estratégico para a Associação, com vistas a uma gestão por resultados. A associação necessita levantar o custo usuário/aluno da Apae; uma prospecção da capacidade de atendimento, em relação aos recursos recebidos e análise dos recursos humanos, em suas áreas de atuação, de modo a atender às tipificações exigidas nos convênios, porém com mais racionalidade quanto à carga horária/atribuição de cada um. De imediato, com o auxílio dos serviços contábeis, realizamos o impacto financeiro 2020, sendo possível verificar que duas das áreas de atendimento não se pagam com os próprios recursos, exigindo complementação de recursos próprios advindos de campanhas, eventos e ajuda da comunidade. A partir dessa realidade, há que se buscar estratégias para captar recursos, sendo isto nossa preocupação maior, no momento.

 

Candeia – Sendo os recursos insuficientes, até que ponto a questão financeira preocupa no momento?

Sílvia Gandara – A questão financeira sempre é um impasse na instituição Apae, independentemente do cenário que se apresenta. As parcerias com governo federal, estadual e municipal nem sempre correspondem aos custos e despesas, por isso, é necessário captar recursos junto à sociedade para dar conta das obrigações financeiras, principalmente em relação ao pagamento de recursos humanos. A Apae requer diariamente os serviços de diferentes profissionais e especialistas nas áreas de saúde, educação e no social. Também se fazem necessários recursos que garantam o gasto com materiais especiais, que atendam às demandas de crianças, jovens e adultos com deficiência.  Por se tratar de uma associação de caráter privado, haveria de se ter os pais como colaboradores, mas isso ainda não faz parte da cultura da Apae de Bariri. É preciso conscientizá-los para tanto.

 

Candeia – Comente os serviços e/ou projetos desenvolvidos pela Apae e a quantidade de alunos atendidos neles.

Silvia GandaraEducação: 44 alunos distribuídos em cinco classes que funcionam diariamente nos períodos da manhã e tarde. Nessas salas é desenvolvido o Currículo Funcional Natural, dividido em duas etapas: –  fase 1, de escolarização inicial, para alunos de 6 a 14 anos e 11 meses; – fase 2, programa socioeducacional, para alunos de 15 a 29 anos e 11 meses, com atividades interdisciplinares, qualitativas e funcionais, visando o desenvolvimento global. Também na área educacional funciona o Programa AEE- Atendimento Educacional Especializado, com 24 alunos. O aluno para elegibilidade no AEE deve, além de estar enquadrado no público-alvo específico de APAE, estar matriculado em escola comum regular como aluno de inclusão, portando diagnóstico elencados para tanto. Todos os 68 alunos recebem atenção multidisciplinar dos especialistas: pedagoga, assistente social, terapeuta ocupacional, fisioterapeuta, psicóloga e fonoaudióloga.  Social: conta hoje 49 usuários. O público-alvo do social são pessoas que atendem à Tipificação Nacional dos Serviços Socioassistenciais. Dentre os critérios, pessoas com deficiência, idosas com dependência comprovada, com impedimento a longo prazo e que necessitam de apoio contínuo ou intermitente, que tiveram suas limitações agravadas. As famílias dos usuários também recebem apoio da assistência social da APAE. Além dos cuidados de equipe multidisciplinar, os usuários participam de diferentes oficinas, que visam o seu bem-estar físico e mental, o autoconhecimento e desenvolvimento de autonomia e habilidades gerais. Saúde: além do atendimento dos alunos da Escola, a área de saúde conta mais duas iniciativas: Programa de Estimulação Precoce e Diagnóstico. Hoje atende 44 pacientes. O público-alvo para o diagnóstico são crianças de 3 a 12 anos, preferencialmente, podendo estender até os 18 anos, com suspeitas de deficiência e/ou transtornos. O Programa de estimulação Precoce atende crianças de 0 a 6 anos e 11 meses. Os profissionais envolvidos são: fisioterapeuta, fonoaudiólogo, psicólogo, terapeuta ocupacional, assistente social, médico psiquiatra e enfermeira. Portanto, atualmente, a Apae atende, entre alunos, usuários e pacientes, 161 pessoas, além da assistência à maioria das famílias destas pessoas.

 

Candeia – Quais os repasses e valores que mantêm o trabalho da Apae de Bariri? E quanto às parcerias?

Silvia Gandara –  Na área social:  – Convênio FNAS, recurso de fonte federal, repassado ao município e este para a Apae; – Convênio FMAS, recursos próprios do município, repassado para a Apae; – Convênio Social DRADS – fonte estadual.  Educação: – Recurso da Secretaria Estadual de Educação SEE/SP; – Fundeb – Educação Especial – repassado pelo município para o desenvolvimento do AEE; Saúde: – Recurso próprio do município para custear o Projeto de Estimulação Precoce e o trabalho de diagnóstico. A Apae recebe, também, recursos dos municípios de Boraceia e Itaju, para atendimento de alunos oriundos daqueles municípios, atendidos na área de educação e social. Há ainda colaboradores, do comércio, do meio empresarial e da sociedade civil. Quanto aos valores repassados é importante frisar que os convênios não cobrem todos os próprios custos, havendo rotineiramente a necessidade da instituição realizar campanhas, eventos, projetos que envolvem a sociedade civil.

 

Candeia – De que forma a pandemia da Covid-19 impactou no trabalho da Apae de Bariri?

Silvia Gandara – Se os desafios existem na prática de uma educação inclusiva, em momentos de maior complexidade, como este da Pandemia Covid-19, mais ainda. Alunos, usuários e pacientes estão fora do ambiente escolar e institucional e isso aumenta a preocupação da equipe, com cada um deles. Sabemos que essa situação não é perene, mas o tempo em que se deixa de fazer atendimento pode acarretar prejuízos a todos eles.

Na educação, seguindo diretrizes do Conselho Estadual de Educação e Secretaria Estadual, estamos proporcionando atividades extraclasse, por meio de vídeos, contatos telefônicos, WhatsApp e visitas domiciliares para os casos mais urgentes. Embora essa medida não alcance 100% dos alunos, parte deles, com ajuda de pais, irmãos estão realizando as atividades, conforme suas potencialidades.

 

Candeia – E nas áreas social e de saúde, quais as medidas?

Silvia Gandara – Na área social, a equipe já contatou todos os usuários e seus familiares, buscando saber das condições financeiras de cada um, bem como mostrando-se sensível e disposta a ajudá-los no que for preciso. A equipe está produzindo vídeos com conversas, orientações sobre a COVID-19 e mensagens positivas, para explicar que tudo voltará ao normal, e o convívio será restabelecido. Na área de saúde, o Programa de Estimulação Precoce continua, com atendimento aos bebês, dada a complexidade dos casos e para não se regredir no tratamento que já era feito. Para tanto, todos os cuidados de assepsia estão sendo tomados.  Algumas medidas como afastamento aos funcionários de risco, férias, banco de horas foram tomadas, priorizando-se o teletrabalho. A instituição não foi fechada, ficando sempre pelo menos um funcionário de plantão. Nossa prioridade, diante deste cenário trágico que assolou o Brasil, o mundo, é o de aumentar a conexão, embora à distância, pois estamos inseridos numa entidade que carece de envolvimento e comprometimento afetivo de todos, por isso buscamos medidas que busque reconfortar, solidarizar e espalhar esperanças nesse momento.

 

Candeia – Como a população em geral tem contribuído ou pode contribuir mais efetivamente com a Apae?

Silvia Gandara –  A população de Bariri é sempre receptiva às solicitações da Apae. Entretanto, estamos diante de um cenário bem complicado, com a pandemia, em que a questão financeira tem abatido muitas das famílias. Por isso, percebemos que algumas contribuições mais fixas deixaram de ser repassadas à Apae, é o caso da contribuição via conta de água do Saemba (Serviço de Água e Esgoto do Município de Bariri). Ainda assim, queremos reiterar nosso pedido de contribuição, pois temos despesas fixas, que só os convênios não têm sido suficientes. A autorização do contribuinte pela conta do Saemba pode ser feita a qualquer momento, na Apae ou em casa, basta o preenchimento da ficha cadastral. Também é possível contribuir, por meio do Programa PEC Fácil. Consiste em permitir ser creditado na conta da Apae, os “troquinhos” de pagamentos realizados nas lotéricas. As doações de frutas, legumes e ingredientes que enriquecem a alimentação dos nossos usuários também são sempre bem-vindos. Recebemos também produtos de limpeza.

 

Saiba mais sobre a entrevistada

 

Silvia Maria de Barros Gandara é formada em Pedagogia e Letras, pela Fundação Educacional de Jahu/SP.

Fez especializações na área de Psicopedagogia e Neuropsicopedagogia (Instituto Pedagógico – Mantença da Escola Batista da Minas Gerais); Formação Continuada em Conselhos Escolares (Ufscar/SP); Ética, Valores e Cidadania na Escola (USP/Bauru); Gestão da Rede Pública para Supervisores de Ensino (USP/SP); e Planejamento e Gestão de Organizações Educacionais (Unesp Araraquara/SP).

É mestre em Educação, com ênfase em Gestão Educacional e Formação Continuada de Gestores, pelo Centro Universitário Moura Lacerda, em Ribeirão Preto/SP

Iniciou no magistério público estadual como professora de Inglês e Português, nos primeiros sete anos de carreira. Em seguida, ingressou como diretora na rede estadual, onde exerceu o cargo nos municípios de Boraceia e Itaju, por mais de 20 anos.

Foi coordenadora da rede municipal de ensino de Bariri, assim como secretária municipal de educação, por duas vezes.  Aposentou em 2015, após exercer o cargo de supervisora de ensino, na Diretoria Regional de Ensino de Bauru, durante sete anos.

Sempre se dedicou à educação, com mestrado e especializações voltadas em especial às áreas de gestão educacional e formação continuada de gestores e professores.

 

Atenção: próximos eventos da Apae

 

  • OUTLET DA APAE – Dia 9 de maio, véspera do Dia das Mães. Será na quadra da Apae. A organização do evento atenderá às exigências de saúde, semelhantemente no estilo do atendimento dos supermercados.

 

  • FEIJOADA DRIVE THRU – Dia 13 de junho, a partir das 11 horas, em frente à Apae. Você poderá receber sua encomenda de dentro do carro. PARTICIPE! COLABORE!