Composição 1_1
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Foto: Luiz Carlos de Oliveira/Comunicação Santa Casa Jahu

Scila Andrea Pascoalotte Carretero

“Ofertamos 10 vagas de UTI para o SUS e que até o momento não foram habilitadas pelo Ministério da Saúde”

 

Referência no atendimento de média e alta complexidade na região, a Santa Casa de Jaú busca adaptar sua estrutura para recepcionar casos suspeitos e positivos da Covid-19, mas não tem encontrado a devida contrapartida de órgãos governamentais. De acordo com a gerente administrativa de Controladoria do hospital jauense, Scila Andrea Pascoalotte Carretero, embora haja diálogo, até o momento não houve apoio dos governos estadual e federal à Santa Casa. Scila aponta também que na região o hospital conta com parceria apenas da prefeitura de Jaú. Pós-graduada em administração hospitalar pela Santa Casa de São Paulo, Scila trabalha na Santa Casa de Jaú há 20 anos e ocupa o cargo de gerência há 9 anos. A gerente diz que a expectativa é positiva para a habilitação de leitos de UTI pelo Ministério da Saúde após ação proposta pelo Ministério Público Federal (leia abaixo).

 

Candeia – Qual a estrutura da Santa Casa de Jaú para o atendimento da Covid-19 na região? Houve necessidade de modificar essa estrutura por causa da doença?

Scila – A Santa Casa modificou sua estrutura de forma que os leitos de enfermaria e UTI ficassem exclusivos e isolados para o atendimento da Covid-19. Ofertamos 10 vagas de UTI para o SUS e que até o momento não foram habilitadas pelo Ministério da Saúde.

 

Candeia – Qual a expectativa da direção do hospital para a ação do MPF que quer a habilitação de dez leitos de UTI na Santa Casa de Jaú?

Scila – Estamos confiantes que vamos ser habilitados. A nossa preocupação é a demora que isto está ocorrendo, pois se aumentarem os casos de maneira rápida, não teremos leitos para internar esses pacientes.

 

Candeia – Como está a ocupação, no momento, de leitos no hospital para a Covid-19? Há algum tipo de comprometimento no atendimento para outros tipos de doença?

Scila – Hoje, dia 21 de maio, temos 15 pacientes internados na enfermaria, sendo 10 suspeitos e 5 positivos. Na UTI são 11, sendo 4 suspeitos e 7 positivos. Não houve comprometimento no atendimento a outras patologias.

 

Candeia – Por causa da pandemia, houve alterações no atendimento do hospital?

Scila – Sim, o hospital tem um plano de enfrentamento institucional do coronavírus. Estágios dos estudantes e cirurgias eletivas foram suspensos, ambulatórios só funcionam para atendimentos pós-operatórios, fluxo de atendimento PA/PSI/PS (serviços de urgência e emergência) foi modificado para atender aos suspeitos com triagem na porta e houve alteração das visitas e acompanhantes.

 

Candeia – Há afastamento de profissionais da saúde que trabalham na Santa Casa de Jaú por causa da Covid-19? Quantos? Quais as medidas tomadas pelo hospital para evitar a infecção de médicos, enfermeiros etc.?

Scila – Como toda e qualquer instituição hospitalar temos profissionais da saúde afastados devido à Covid-19. Funcionários de risco foram, a princípio, colocados de férias e agora afastados de suas atividades. Todas as medidas, ou seja, protocolos preconizados pela OMS (Organização Mundial de Saúde), Ministério da Saúde e Gerência de Risco e CCIH (Comissão de Controle de Infecção Hospitalar) do hospital estão sendo aplicados com rigor.

 

Candeia – Que cenário é vislumbrado pela direção do hospital para as próximas semanas? Como está a interlocução com o governo estadual nesse sentido?

Scila – Para as próximas semanas tudo leva a crer que o número de casos vai aumentar no interior do estado de São Paulo, mas é muito difícil quantificar quando estamos falando de uma pandemia causada por vírus. Embora haja uma interlocução, não tivemos nenhum tipo de apoio do governo estadual ou federal até o momento.

 

Candeia – Comente as parcerias da Santa Casa de Jaú com órgãos públicos e iniciativa privada para a Covid-19?

Scila – Até o momento, somente temos a parceria da Prefeitura Municipal de Jaú e Secretaria de Saúde de Jaú, que se colocou à disposição para nos auxiliar, inclusive com compras de leitos de UTI e Enfermaria. Os demais municípios estão analisando a proposta. Por enquanto, somente Brotas e Bocaina manifestaram interesse na aquisição de leitos.