Composição 1_1
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“O poder público nem aqui e nem em lugar nenhum do mundo tem braço e verba para fazer tudo sozinho”

Carolina Bicudo da Silva

A empresária Carolina Bicudo da Silva, 39 anos, nascida em São Paulo, há pouco tempo passou a morar em Bariri, mas tornou-se conhecida no município por causa de duas recentes iniciativas que idealizou. A primeira foi a realização da Feira Sabor da Região, em novembro do ano passado na Praça Joaquim Lourenço Corrêa (Praça da Matriz). A segunda foi a revitalização do parquinho do Lago Municipal Prefeito Accácio Masson. Em comum, os dois trabalhos tiveram êxito pela somatória de esforços entre iniciativa privada e poder público. Para Carolina, essa união é fundamental para que projetos saiam do papel. Agora ela prepara a realização de feira italiana, nos dias 18 e 19 de março. Carolina é fundadora da maior feira lowcarb do Brasil, realizada em São Paulo desde 2016. Recentemente assumiu a presidência do Conselho Municipal de Turismo (Comtur). A ideia é inicialmente colocar em prática projetos menores em vez de pensar em propostas mirabolantes, com alto custo.

Candeia – Qual a expectativa com a feira de gastronomia italiana, que será realizada em Bariri nos dias 18 e 19 de março?
Carol Bicudo – Estou bem otimista com a próxima edição, tanto que estamos dobrando o espaço. A primeira edição fizemos somente o corredor principal da praça. Em dois dias tivemos 12 mil passantes; devido ao grande público, sentimos que ficou um pouco desconfortável para as pessoas circularem, por mais que o evento estivesse lindo. Por isso, dessa vez, expandimos o evento para toda a praça até o chafariz, decisão que me agradou muito, pois acho o chafariz da nossa cidade é lindo. Nossa expectativa é um aumento de público de 30% em relação ao ano passado. O primeiro evento foi um sucesso e muito bem falando nas cidades da região, acredito que agora, como tivemos uma boa repercussão, quem não veio, dessa vez não vai querer perder, e quem veio acaba falando e convidando mais pessoas.

Candeia – O que terá de comum e de novidade em relação à primeira edição da feira, promovida em meados de novembro do ano passado na praça central?
Carol Bicudo – Vamos começar pelas novidades. Essa feira terá uma cara nova, será italiana, com música italiana, convidamos um cantor famoso na região, chamado Ricardo Bombarda, para fazer a apresentação nas duas noites, quem não ama a alegria e o romantismo da música típica da Itália? Como decoração também sempre vamos inovar e investir, aumentaremos as luzes, teremos bandeirolas e, claro, a nossa marca registrada que são os guarda-chuvas. Teremos a melhor gastronomia local italiana; bruschetas, focaccia, spaghetti bolognese, tortellini, gnocchi, pizza, polenta, risotto, doces variados italianos, tiramissu, cannoli, salame de chocolate. Não temos nada de comum, a ideia é sempre inovar, até mesmo os expositores que participaram da edição anterior criaram novas receitas italianas e estarão vendendo tantos os produtos tradicionais, como os italianos.

Candeia – Outro projeto em que você atuou diretamente foi a revitalização do parquinho do Lago Municipal. Qual o objetivo desse projeto e que outros locais devem receber melhoria?
Carol Bicudo – Além de eu estar montando um portfólio do meu trabalho, estou mostrando efetivamente para as pessoas que confiem em mim, pois eu sei fazer um bom serviço e me preocupo com a nossa cidade e o crescimento dela. O objetivo é incentivar e mostrar para as pessoas que qualquer um pode melhorar a pracinha do seu bairro, que juntas as pessoas podem construir um ambiente mais prazeroso para usufruto próprio e das suas crianças, que não dá e não é certo depender do poder público para tudo. Um exemplo: se eu jogo um entulho na rua esperando o caminhão da prefeitura passar, até ele não vir, eu vou abrir a janela do meu quarto e me deparar com o meu próprio lixo; já se eu zelar e arrumar os lugares eu posso usufruir deles. Outra questão importante que reparamos, como todos se mobilizaram e ajudaram a fazer a praça, todos estão zelando por ela. O local ficou tão lindo, arrumado e limpo, que ninguém tem coragem de estragar, sujar ou vandalizar. Nosso futuro projeto é ampliar a revitalização outras áreas do lago. Um projeto completo. Será lindo. Com essa revitalização o intuito é fomentarmos o nosso comércio local e nos tornarmos referência de espaço e lazer da região. Assim teremos gente de fora vindo passear na nossa cidade e gastando dinheiro dentro da nossa cidade. Estamos trabalhando 13h por dia nesse projeto com uma equipe de 5 pessoas especializadas em projetos e arquitetura urbana. Seremos referência.

Candeia – Em sua opinião, qual a importância da união entre iniciativa privada e poder público na realização de projetos na área econômica e turística?
Carol Bicudo – Toda, ao meu ver, o poder público nem aqui e nem em lugar nenhum do mundo tem braço e verba para fazer tudo sozinho. As melhores referências de cidades e países em que as coisas funcionam, as pessoas se sentem parte e responsáveis pelo ambiente (cidade, bairro, vila, pracinhas). Então todos põem a “mão na massa”; aqui em Bariri eu percebo que as pessoas se omitem muito, que elas repassam a responsabilidade para o governo só porque pagam impostos. E se pensarmos melhor, não é porque pagamos impostos que o governo vira o provedor de tudo para tudo. Para mim, o poder público é igual o “dono da casa”, mas eu também moro nessa casa, então é meu dever, além de ajudar a pagar as contas, arrumar a cama, lavar a louça, cuidar do lixo, limpar o jardim e ajudar a manter tudo impecável e organizado se eu quiser morar em um ambiente agradável. O poder público, por mais que seja engessando, burocrático e tenha as suas falhas, eu, Carolina, para qualquer mudança já que ele é o “dono da casa”, me sinto no dever de respeitá-lo e em qualquer intervenção, pedir licença. Se a proposta de mudança realmente for boa, se beneficiar muitas pessoas, e fazer sentido, o mesmo vai abraçar a ideia e vai ajudar. Portanto, eu não vejo o poder público como um mostro, ruim, eu vejo um órgão sobrecarregado que precisa da nossa ajuda para melhorar.

Candeia – Você é presidente do Conselho Municipal de Turismo. Quais suas prioridades à frente desse órgão?
Carol Bicudo – Não sou de prometer nada, pois uma coisa é ter uma boa ideia, outra coisa é ela ser viável, tanto em realizar como em custos. Eu não sou entendida da política e, com todo o respeito, não quero ser. O meu intuito é fazer uma cidade melhor para mim, para o meu filho e minha família, é por eles que eu tenho dever e obrigação de zelar. O meu tempo todo é voltado em fazer dinheiro para trazer conforto para a minha família, se um dia o meu filho precisar de um remédio eu trabalhei o suficiente para poder dar a ele. O meu lema é “minha pátria, minha família”. Porque, crise e dificuldade, sempre vamos ter, então não adianta eu culpar governos e esperar por eles. Eu zelo pelos meus. Dito isso, quando eu assumi a presidência de um conselho, veja bem, não é um cargo político, não depende da prefeitura da cidade, é um conselho. O conselho é composto de comerciantes que também têm interesse em melhorar o turismo na cidade, porque têm a clareza que melhorando o turismo, trazendo gente, gasta-se mais na cidade e isso faz crescer a economia local. Então, quando eu assumi esse cargo eu expliquei para quem é do conselho que não adiantava, por enquanto, gastarmos energia fazendo projetos grandes lindos e mirabolantes, já que a cidade não tem esse dinheiro para colocar em prática, que se quiséssemos fazer algo bom, teríamos que fazer coisas pequenas, coisas com custos viáveis, envolvendo todos – como foi no parquinho. Hoje, temos um parque lindo com duas novas gerações de renda (pipoca e algodão doce que vendem no lago). Eles estão vendendo e fazendo dinheiro no parque e nos ajudando a zelar pelo espaço. Isso gera renda para duas famílias, não é pouco partindo do princípio que antes era zero. O parquinho está tão lindo que já começou a vir gente de fora, isso é ótimo, pois aos pouquinhos estamos fazendo as cidades da região virem para a nossa cidade. Então, o que eu estou tentando priorizar é melhorar ainda mais o lago e torná-lo um ponto turístico e priorizar festas bonitas e familiares para trazer ainda mais as famílias da região para gastar aqui. Se isso funcionar, uma hora seremos referência em lazer e festas bem-feitas, bonitas e bem faladas.

Candeia – Em sua opinião, o que é preciso para que Bariri consiga desenvolver o turismo de forma mais eficiente?
Carol Bicudo – De imediato, que o comércio e empresas apoiem essas duas iniciativas. Os eventos que estamos fazendo e o projeto do lago. Eu iniciei, mas para manter o projeto é necessário manutenção e melhorias, além de zeladoria. É como amor, se você quiser manter seu casamento, você diariamente deve estar ali, cuidando, acreditando e investindo nele. Eu percebo que aqui o comerciante e as empresas não incentivam muito novas ações, porque eles não enxergam retorno financeiro. Mas tem retorno, sim, pois se eu tenho eventos faço entrar receita na cidade, as famílias têm mais dinheiro para gastar dentro da própria cidade e aí estaremos retornando o dinheiro investido e, ainda, contribuindo para o crescimento e visibilidade da nossa cidade. Outro ponto é uma festa com tanta visibilidade e público, então, porque as empresas não patrocinam e expõem o trabalho no evento? Isso faz que o negócio se tornar mais conhecido, venda mais, isso faz a empresa ter um marketing positivo e social perante à sociedade. Uma empresa que apoia o crescimento da cidade se torna a queridinha dos clientes. Quem não é visto, não é lembrado. Em longo prazo: a prefeitura junto ao conselho de turismo está buscando ter o título de MIT (Municípios de Interesse Turístico) para a nossa cidade. Se tivermos o MIT, o governo nos cadastra e disponibiliza uma verba, que não é um valor muito alto, mas é um recurso que pode ser utilizado em obras e melhorias de infraestrutura para a nossa cidade.