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Diogo Pazzini Bomfim – “Atendo muitos casos que se agravaram porque a família achava que era uma ‘micose’ e comprou medicamentos sem receita”

 

Existe uma doença que atinge a pele e que, muitas vezes, não é diagnosticada e tratada corretamente. Há até quem confunda com micose. Trata-se da dermatite atópica, um processo inflamatório crônico que pode estar associado a outras respostas imunitárias do organismo, como bronquite, asma e rinite. A explicação é do médico dermatologista Diogo Pazzini Bomfim, do Grupo São Francisco, que integra o Sistema Hapvida. Para difundir os sintomas, o tratamento, e esclarecer que dermatite atópica não é contagiosa, a Sociedade Brasileira de Dermatologia realiza uma campanha de abordagem sobre o tema. A pessoa pode, inclusive, ter outras formas de atopias, que são as reações exageradas do organismo, como asma e rinite. Mas não necessariamente a dermatite ocorre ao mesmo tempo em que a asma ou rinite. Confira a entrevista com o dematologista:

 

Candeia – Os sintomas de dermatite atópica são coceiras e lesões avermelhadas? São confundidas com outras doenças?

Diogo – Os principais sintomas são pele seca e coceira. Mas o quadro clínico depende do grau de intensidade da doença e da faixa etária da pessoa acometida. Podem surgir áreas avermelhadas e até mesmo formação de feridas e infecções pelo ato repetitivo da coçadura. É fundamental alertar que não se deve colocar pomadas e cremes na pele, nem tomar medicamentos sem a prescrição do dermatologista. Atendo muitos casos que se agravaram porque a família achava que era uma “micose” e comprou medicamentos sem receita na farmácia, por exemplo.

 

Candeia – É comum pessoas com quadro mais grave da doença, que ainda não tenha sido diagnosticada, sofrer com o problema por longos períodos?

Diogo – Sim. Apesar de ser mais comum na infância, algumas pessoas continuam com a doença na adolescência, inclusive na fase adulta. Quando ela não está em tratamento e, portanto, tem a pele avermelhada, com descamação ou lesões, há relatos dos meus pacientes que sofrem discriminação. As outras pessoas acham que é algo contagioso, evitam sentar perto, ou ficam olhando muito, por exemplo.

 

Candeia – Como saber se o que a pessoa tem é dermatite atópica?

Diogo – Geralmente nos bebês as bochechas podem ficar avermelhadas; nas crianças maiores, geralmente acomete as áreas de dobras do corpo. No exame dermatológico, precisamos descartar outros diagnósticos diferenciais.

 

Candeia – É uma doença mais comum em criança?

Diogo – É mais comum em crianças. Cerca de 70% delas, que apresentaram a doença, evoluem com remissão na adolescência, ou seja, “desaparece”. Alguns casos podem reaparecer na vida adulta, em algum momento.

 

Candeia – A dermatite pode evoluir para um quadro mais grave? Há tratamento e cura ou apenas controle?

Diogo – Sim, infelizmente existem formas graves de dermatite atópica, podendo acometer todo o corpo, com lesões e infecções, precisando inclusive de internação hospitalar. Há tratamento de controle. A base deste tratamento é a hidratação da pele visando melhorar a barreira cutânea. Também há medicações tópicas, orais, imunossupressores e imunobiológicas. Todo o tratamento deve ser guiado pela prescrição do médico dermatologista. Sabemos que uma das formas de controlar a doença é evitar os gatilhos: variação repentina de temperatura, roupas de lã, tecidos sintéticos e ásperos, banhos longos com água quente, uso de sabonetes em excesso, uso de buchas e situação de estresse.