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Crédito: Governo do Estado de São Paulo

Marco Vinholi – “O momento é delicado. Salvar vidas depende, agora, da responsabilidade de todos os órgãos e agentes públicos, além da própria sociedade”

 

A maior articulação do governo estadual com as prefeituras paulistas recai sobre a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Regional. Um dos assuntos mais delicados no momento é a pandemia do novo coronavírus. Para falar sobre o assunto e como o governo está atuando em nível regional, o Candeia entrevista o titular da pasta, Marco Vinholi. Segundo ele, a orientação é que todos os municípios sigam à risca as determinações do Plano SP, que contempla a maior abertura ou as restrições de atividades econômicas, em especial as não essenciais. Quem descumpre o Plano SP é notificado pela secretaria ou pode sofrer ações de iniciativa do Ministério Público. Vinholi está no cargo desde o início do governo de João Doria. Foi deputado estadual e líder do PSDB na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). Em 2019, concomitantemente ao cargo de secretário estadual, assumiu a presidência do Diretório Estadual do PSDB.

 

Candeia – Qual sua avaliação sobre a interlocução do governo estadual com os municípios paulistas em relação ao Plano SP?

Vinholi – A Secretaria de Desenvolvimento Regional tem dialogado com as prefeituras para o bom entendimento das ações de enfrentamento ao coronavírus. O Governo do Estado tem a responsabilidade compartilhada com as prefeituras e a sociedade. O foco tem de ser preservar vidas e, indiscutivelmente, é necessário olhar também para os aspectos econômicos. Temos de unir esforços para que os recursos cheguem aos que necessitam.

 

Candeia – Como o governo lida com queixas de setores que pleiteiam a abertura de estabelecimentos, muitas vezes em desacordo com o Plano SP?

Vinholi – O Governo de São Paulo mantém canal aberto com todos os setores da economia e representantes de associações. Estamos sempre em contato com os setores mais impactados pela pandemia. Entendemos as dificuldades do momento em que estamos passando e sabemos que é necessário olhar para as questões econômicas. O Governo do Estado espera que os municípios paulistas, sem exceção, respeitem as determinações do Plano SP. O momento é delicado, conforme amplamente divulgado nas últimas semanas. Salvar vidas depende, agora, da responsabilidade de todos os órgãos e agentes públicos, além da própria sociedade.

 

Candeia – Diante do atual cenário no Estado de São Paulo e da região de Bauru, qual a expectativa para a próxima reclassificação do Plano SP?

Vinholi – É delicado prevermos se alguma região ou outra irá avançar ou regredir no Plano SP. O Departamento Regional de Saúde (DRS) de Bauru manteve-se na fase vermelha do Plano SP na última reclassificação (divulgada no dia 5 de fevereiro). Os números são observados diariamente e devemos aguardar o fechamento dos dados da Saúde para que assim tenhamos as definições.

 

Candeia – No caso da prefeitura de Bauru, qual a participação da Secretaria de Desenvolvimento Regional para que houvesse cumprimento à risca do enquadramento da região na fase vermelha do plano? As medidas tomadas até no âmbito judicial servem de alerta para outros prefeitos?

Vinholi – Como dito anteriormente, a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional dialogou desde o início da pandemia como todos os municípios paulistas para alinhar ações de combate no enfrentamento à Covid-19. Porém, como algumas prefeituras desrespeitaram o Plano SP e suas regras, notificamos os municípios que seguiram por este caminho – contrário à Saúde e à ciência. Todas as notificações foram compartilhadas com o Ministério Público (MP) para conhecimento e a tomada urgente de providências. O Governo de São Paulo segue firme no propósito de resguardar a saúde das pessoas e seguirá trabalhando para não perder vidas para a pandemia.

 

Candeia – O promotor de Justiça da Saúde de Bauru, Enilson Komono, publicou vídeos em relação a eventuais leitos fechados no Hospital de Base e possível atraso na viabilização do Hospital das Clínicas (HC), ambos em Bauru. Qual o posicionamento do governo em relação ao assunto? Há déficit de atendimento em saúde na região de Bauru?

Vinholi –Não acompanhei as postagens do promotor, apenas as manifestações oficiais. Não houve fechamento de leitos no Hospital de Base, mas sim direcionamento de 17 leitos para uso sob demanda, considerando o risco de realização de procedimentos eletivos neste momento e a responsabilidade do uso racional de recursos que deve ser adotada por qualquer gestão, considerando inclusive os impactos financeiros da pandemia em todos os setores. Desde o início da pandemia o Governo de São Paulo vem trabalhando incessantemente para atender a todos que precisam de atendimento hospitalar para tratar a Covid-19. Enquanto for preciso assistir casos graves de coronavírus, manteremos leitos para esta finalidade. O compromisso do Governo do Estado é e sempre será manter a assistência a quem precisar.

 

Candeia – A Santa Casa de Jaú vive há dias colapso no atendimento de casos de Covid-19 e também de outras doenças. Que medidas o Estado pode adotar em relação ao hospital, que é referência regional?

Vinholi – Os números do Departamento Regional de Saúde (DRS) de Bauru ainda requerem bastante atenção. Na semana passada reforçamos novamente a capacidade hospitalar da região com a liberação de 247 novos leitos Covid para atendimento de casos de coronavírus, sendo 148 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e outros 99 de Enfermaria, totalizando investimento na ordem de R$ 21,3 milhões. Os leitos serão instalados em hospitais estaduais e filantrópicos da região. Somente na Santa Casa de Jaú, serão 28 leitos de UTI e 30 leitos de Enfermaria. Além disso, o hospital de campanha Dr. Amaral Carvalho receberá outros 29 leitos de Enfermaria.