
“Fui me interando e entendendo num todo, muitas batalhas e desafios nesses anos que assumi, mas tudo foi dando tão certo que acredito que assumimos esse legado que é o Sistema Belluzzo de Rádio” | Divulgação
Há 75 anos presente na história de Bariri, a Rádio Cultura vive uma nova etapa desde a migração do AM para o FM, concluída há um ano. Em entrevista ao Jornal Candeia, a empresária e sócio-proprietária Rosângela Fernandes Belluzzo relembrou os desafios enfrentados durante o processo, marcado pela morte de Neto Belluzzo, questões burocráticas e dificuldades administrativas. Ela também destacou a decisão da família em manter a emissora ativa, apostando em uma programação 100% sertaneja para preservar a identidade da rádio e dar continuidade ao legado construído ao longo de gerações. Hoje com 51 anos, mãe de três filhos e avó de Isis, Rosângela afirma falar com gratidão sobre sua trajetória de vida. Vinda de uma família simples, relembra os ensinamentos recebidos desde a infância, baseados na honestidade e na coragem para enfrentar desafios. Trabalhou desde a adolescência em escritórios de contabilidade e chegou a planejar uma faculdade na área de Educação Física, mas acabou optando por dedicar-se à família após o casamento. Agora, à frente do Sistema Belluzzo de Rádio, ela conduz uma nova fase da Rádio Cultura mantendo viva uma das tradições mais conhecidas da comunicação baririense.
Candeia – A Rádio Cultura de Bariri está completando um ano no ar como emissora FM. Quais os maiores desafios encontrados para realizar a migração do AM para o FM?
Rosângela – O maior desafio começou com o falecimento do Neto, que com esse fato a migração acabou atrasando bastante por questões de inventário, compra da parte da sócia que era a prima dele, enfim, e mais toda a burocracia de documentações, projetos e a liberação do canal 286/B1 105,1 Mhz Bariri-SP.
Candeia – Houve alguma possibilidade de mudar o projeto, como, por exemplo, focar somente na 91 FM, fechando ou vendendo a Cultura?
Rosângela – Por vários momentos diante das situações, pensamos, sim, em vender a concessão, lógico que em comum acordo entre eu e meus filhos e até meu sogro, Sr. Orlando. Trocamos uma ideia, e por ele estava de acordo com a decisão tomada. Com todos os rumores, lógico que vieram alguns especuladores, mas penso que naquele momento não era para ser e que tínhamos essa grande missão de fazer essa transição do AM para o FM e dar continuidade nessa história que vem de geração em geração há tantos anos.
Candeia – Por que a direção da empresa decidiu manter a Cultura exclusivamente voltada ao sertanejo? Quais os locutores e horários da emissora?
Rosângela – Então, com a decisão de seguirmos com a emissora no FM veio o desafio de como montar essa rádio, sendo que já temos a 91 FM. Foi aí que tivemos a ideia de ter o seguimento com programação 100% sertanejo e montar toda equipe fazendo as melhores escolhas para encaixar os locutores nos devidos horários, que hoje segue assim, de segunda à sexta-feira: Osório José, no Ponteio da Viola, das 4h às 7h; Bom dia Cidade, das 7h às 8h, (em rede com a 91 FM); Edmilson de Oliveira, com Manhã Cultura, das 8h às 11h30; Jornal Primeira Página, das 11h30 às 13h (em rede com a 91FM); Laudenir Leonel, com Sertão Brasil, das 14h às 18h; e Sr. Viola, das 18h às 21h. Aos sábados tem o locutor Boi, das 8h às 12h, Betinho Canassa, das 12h às 16h; e Marcelo Furlen, das 16h às 19h. Aos domingos, tem o Osório José, das 6h às 9h; Laudecir Leonel, das 9h às 11h30; e Nami Júnior, das 13h às 19h. Por causa dessa opção em deixar a Cultura com programação 100% sertaneja, a 91 FM ficou com uma programação bem eclética e variada.
Candeia – A emissora foi fundada em setembro de 1950, portanto, tem 75 anos. O que destaca como fundamental para que a empresa permanecesse por tanto tempo em atividade?
Rosângela – Com 75 anos de vida é uma empresa que está consolidada na cidade, com histórias fantásticas de artistas que por ela passaram, programas feito por tantos locutores que sempre levaram o melhor através das ondas da Rádio Cultura. E lógico, para que tudo isso acontecesse, havia pessoas idôneas, administradores que começaram com o Sr. Orlandão, depois passando para o Sr. Orlando, o Neto e hoje nós, deixando um legado que sempre prezou em ser uma emissora de credibilidade e levando sempre a verdade através do rádio. Então seguimos mantendo tudo isso com muita garra. Não é fácil, ainda mais com o avanço da tecnologia, mas ainda vemos que é o meio mais rápido de chegar informação onde você estiver, pois é só ligar o rádio e ouvir o que cada programa está levando, fazendo com que seja instantânea a informação, a música, enfim, nossas emoções se conectam naquele momento real que as ondas estão levando para o ouvinte. O rádio ainda mexe bastante com a emoção dos ouvintes, seja levando ao ar uma música antiga, uma canção mais recente, uma informação relevante, prestação de serviço, enfim, o rádio ainda mantém a tradição de ser um companheiro para muita gente.
Candeia – Com a morte de Neto Belluzzo, o comando das emissoras passou para a senhora. Como foi esse período e as maiores dificuldades e realizações?
Rosângela – Diante da doença do Neto, que foram por 6 anos de luta, não queria pensar que isso um dia fosse acontecer, mas infelizmente foi inevitável, até que um pouco antes do falecimento ele pediu que eu começasse a ir me interando da administração das rádios; o cinema eu já administrava. Não foi fácil assumir tudo e todos, pois tinha também meus filhos, apesar de o Giovani e o Bruno serem adultos, tinha o Pietro com 10 anos somente. Foi uma responsabilidade bem pesada e não tinha como fugir. Fui me interando e entendendo num todo, muitas batalhas e desafios nesses anos que assumi, mas tudo foi dando tão certo que acredito que assumimos esse legado que é o Sistema Belluzzo de Rádio, com muita garra e vontade de fazer acontecer novos capítulos nessa empresa de tantos anos. Gostaria de agradecer a todos os funcionários que conosco estão nas emissoras, toda nossa família, colaboradores e a Deus, porque sem Ele nada conseguimos fazer, porque nos momentos que mais fraquejamos é com Ele que compartilhamos nossos medos e inseguranças.
























