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Wellington Pollonio Bof – “O pior é que fizeram a intervenção no CNPJ da Vitale, e esse foi o erro capital, porque vieram débitos, dívidas e ações trabalhistas. Hoje vemos os bloqueios judiciais de dinheiro nosso”

 

O servidor público municipal, ex-vereador e ex-diretor administrativo da prefeitura Wellington Pollonio Bof (Podemos), o Parraguinha, é o terceiro entrevistado pelo Candeia na série com os candidatos a prefeito de Bariri. Na entrevista, ele afirma que a intervenção feita pela prefeitura na Santa Casa de Bariri teve como erro capital a utilização do CNPJ da Organização Social Vitale Saúde. Parraguinha comenta o que pretende fazer em relação ao hospital caso seja eleito, as propostas na área de desenvolvimento econômico e a ideia de criar programa temporário de transferência de renda para beneficiários do Bolsa Família. A gravação foi feita na manhã de terça-feira (27) no auditório da Associação Comercial e Industrial de Bariri (Acib). A entrevista na íntegra pode ser conferida na página do Facebook do Candeia a partir das 10h deste sábado (31).

 

Candeia – Por que decidiu candidatar-se ao cargo de prefeito de Bariri?

Parraguinha – Ser prefeito por status, por ego? Não. Quero ser prefeito da cidade porque acredito muito no potencial de nossa cidade. Já fui vereador, conselheiro tutelar, sou nascido e criado em Bariri. Vejo o potencial que temos para crescer na parte de desenvolvimento e turismo e não vejo projeto palpáveis sendo apresentados. Bariri tem muitas famílias carentes e precisam de um gestor que olhe para elas. Quero ser prefeito para ajudar nossa cidade a progredir, trazer desenvolvimento e renda, melhorar a saúde, principalmente a questão da Santa Casa. Tenho conhecimento, muita vontade e esperança.

 

Candeia – Você sempre foi um crítico da intervenção na Santa Casa de Bariri. Quais os pontos negativos que vê na intervenção e os positivos?

Parraguinha – Sempre explanei com muita propriedade a situação da Santa Casa. Participei como diretor administrativo da prefeitura. Muitas questões técnicas e burocráticas era eu quem resolvia. Essa intervenção foi feita do dia para a noite, sem colocar uma equipe técnica para verificar realmente as condições. O pior é que fizeram a intervenção no CNPJ da Vitale, e esse foi o erro capital, porque vieram débitos, dívidas e ações trabalhistas. Hoje vemos os bloqueios judiciais de dinheiro nosso, dinheiro bom. Minha proposta – e falei isso desde o início – é que algo tinha de ser feito. O primeiro passo é colocar um CNPJ novo para que os recursos fiquem numa conta separada, com Cnes (Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde) novo específico para hospital. Aí não estaríamos sofrendo esse tipo de bloqueio judicial. A requisição administrativa no prédio é muito tranquila. Através do poder de império que a prefeitura possui, ela tem essa garantia. Nossa proposta é retirar a intervenção no CNPJ da Santa Casa e contratar um administrador hospitalar para fechar as torneiras e estancar as sangrias e checar as informações que recebemos de que há cabide de emprego no hospital. Houve ação judicial que obrigou a prefeitura a exonerar cargos comissionados e muitas pessoas foram encaixadas na Santa Casa sem muitas vezes precisar. Temos de equalizar as contas para dar uma saúde para a população de Bariri.

 

Candeia – No caso da criação de um novo CNPJ, como ficaria a situação de pessoas que trabalharam nas filiais da Vitale e empresas que prestaram serviço e não receberam?

Parraguinha – A intervenção está decretada até o dia 31 de dezembro. A partir de 2 de janeiro iremos criar toda essa estrutura. É direito das empresas que prestaram serviço cobrar, seja da prefeitura ou da própria Vitale. O que vamos fazer é dar vida nova para a Santa Casa para não gastarmos dinheiro bom com coisa que não está dando certo. A população nos cobra muito em relação à Santa Casa. As pessoas comentam que têm medo de chegar lá e não terem a estrutura que precisam. Os profissionais, os médicos são bons e trabalham. Agora é duro trabalhar numa empresa em que não há estrutura, sem ter confiança. Os funcionários estão sem receber o FGTS. Eles estão fazendo o papel deles, mas é preciso que seja dado o suporte. Queremos trazer essa confiabilidade para a Santa Casa. A maior prova é o próprio prefeito, que diz que a Saúde está 90% bem em Bariri, mas deixou a Santa Casa e foi para o Hospital da Unimed de Bauru. Quantas pessoas têm a mesma oportunidade?

 

Candeia – No seu plano de governo há menção para contratação de mais médicos especialistas e ampliação do trabalho de prevenção. Como fazer isso acontecer com a situação financeira do município hoje?

Parraguinha – Na área de prevenção é preciso fazer funcionar o que já temos porque a questão financeira é importante e ser observada. Sobre os médicos especialistas, tínhamos cardiologista, neuro e vascular. Profissionais dessas três áreas pediram exoneração, por isso, estaríamos repondo. O Tribunal de Contas entende que seria uma reposição e não nova contratação. A população nos cobra esses médicos especialistas. A ideia é fazer o concurso já em janeiro. Também na área da Saúde, é preciso ver a questão dos medicamentos. Quando atuei como diretor administrativo a grande reclamação era espaço físico. Fizemos uma ampliação na Farmácia Central. É um prédio que serve, mas não está apropriado. Até comento com o pessoal que se pegar fogo lá os funcionários precisam sair correndo porque é caixa em cima de caixa, corredor estreito. Às vezes há falta de medicamentos porque é preciso colocar na licitação, prevendo aquele medicamento que está sendo receitado. É preciso conversar com os médicos que estão receitando os medicamentos, deixando com eles a lista dos remédios existentes na farmácia.

 

Candeia – Sobre isso que comentou, recentemente o Tribunal de Contas do Estado fez apontamento para a prefeitura de Bariri sobre a falta de Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros em unidades escolares e da saúde? Como resolver esse impasse?

Parraguinha – Até pela minha profissão, de bombeiro, tenho bom trânsito com o Corpo de Bombeiros. Vamos pedir ajuda e apoio ao comando para nos auxiliar. Com essa parceria, podemos reduzir bastante o custo para fazer os AVCBs. É preciso que sejam feitos projetos, e o Setor de Obras realizando esses projetos podemos equacionar esse problema.

 

Candeia – Na área de desenvolvimento econômico, o plano de governo cita metas para cada um dos quatro anos de governo. Qual a razão dessa divisão ano a ano?

Parraguinha – Nosso plano não foi criado por pessoas de fora que não conhecem Bariri. Na área do desenvolvimento sempre me preocupei em colocar prazos. O primeiro ponto tende a dar a manutenção para as empresas que aqui estão. Sabemos da crise pela qual estamos passando e a crise que está por vir. Agora termina o auxílio emergencial, e algumas empresas vão sentir um pouco no começo do ano. O primeiro passo é colocar a estrutura da prefeitura para auxiliar as pequenas e médias empresas, através do Senai e Sebrae para qualificar a mão de obra. O Sebrae, que funciona aqui na Acib, foi uma parceria que nós resgatamos em 2017. Há o PAT que tem a função de captar essa mão de obra, fazer banco de dados. A Univesp também conseguimos em 2017, primeira faculdade de ensino superior gratuito do município. Há a linha de microcrédito do Banco do Povo. É fazer chegar toda essa estrutura nas empresas. Dando essa estrutura, as empresas ficarão confiantes e vão até conseguir aumentar os postos de trabalho. Em segundo, vamos enviar uma autorização legislativa à Câmara para compra de nova área para um novo polo empresarial.

 

Candeia – Algum terreno em vista?

Parraguinha – Acredito que temos de privilegiar a frente das SPs para que quem esteja passando veja o desenvolvimento da cidade. Boraceia é um exemplo disso. No segundo ano, a proposta é estruturar junto ao Conselho de Desenvolvimento a licitação para essas áreas e verificar com se será feito subsídio ou doação. Haverá muitos interessados para esses terrenos. Temos rodovias importantes que ligam o Estado de São Paulo, Bariri está no centro do Estado. Acredito muito no potencial que temos para desenvolver o emprego. Nesta semana visitei a Frisokar. Na expertise de verificar oportunidades, fiquei sabendo que das três plantas que a empresa possui hoje (por questão de expansão e de receber visitas), irão manter a situada na SP-261 e a que fica na Avenida Expressa Sul. A intenção da empresa é no ano que vem devolver o prédio da antiga Resegue para a prefeitura. Veja a expertise que captamos ali e somos os primeiros a estar falando. Vamos fazer a divisão dentro desse espaço. Quando a Frisokar devolver esse prédio para a prefeitura, será possível atrair empresas para aquele local. Em algumas visitas que faço, os empresários falam que querem ampliar o número de emprego, mas não têm espaço. Ali tem tudo pronto, área de descarga e de carregamento. É só fazer a divisão.

 

Candeia – Você atuou como diretor administrativo e comentou nesta entrevista a respeito dos cargos de chefe de Setor e de Unidade. Você vê a necessidade de concursos públicos para algumas áreas e como realizá-los se o gasto com a folha de pagamento está no limite prudencial?

Parraguinha – Há necessidade, sim, mas no primeiro momento vamos verificar a sistemática da administração municipal. O limite prudencial quase foi atingido, mas temos de adotar ferramentas para reduzir gastos. A mais urgente é reduzir as horas extras, mas não de quem trabalha e sim aquelas que ouvimos dizer que não são feitas. Uma média de R$ 200 mil a R$ 250 mil por mês com horas extras conseguimos reduzir. Quando assumi a diretoria administrativa em janeiro de 2017, no governo de transição, a primeira folha de pagamento foi relacionada a dezembro. Tínhamos aí R$ 200 mil de horas extras. Conversamos com os diretores e conseguimos baixar para R$ 70 mil. Sei como faz e pretendo fazer isso para equalizar o orçamento.

 

Candeia – Estamos vivendo um período de pandemia, com reflexo em vários setores, como na Educação. Como recuperar o ano de 2020 no próximo ano na Educação?

Parraguinha – Tenho três filhos e está difícil levar toda a sistemática educacional para dentro de casa. Primeiramente, precisamos entrar nas estruturas de ensino. As creches e as escolas estão precisando de manutenção. Segundo, os professores – que são guerreiros e parabenizo a todos, inclusive minha vice, que é professora –, com essa mudança com aulas pela internet, não tiveram uma capacitação. Queremos capacitá-los para ajudá-los nessa nova fase. Não acredito que as aulas voltem em janeiro, por causa da questão da vacina. Pode ser que a vacina demore mais para chegar em Bariri. E as aulas só voltarão quando tivermos a concordância das autoridades sanitárias. Temos também de garantir a capacitação das ADIs. Junto com os professores, vamos discutir um novo material didático. Sabemos que o material que existe hoje, da Anglo, não vai continuar. A empresa não quer mais fornecer apostilas para o serviço público.

 

Candeia – Então será preciso fazer uma nova licitação?

Parraguinha – Na verdade, a licitação já era para estar sendo feita. Vamos assumir em janeiro sem uma empresa fornecendo esse material. Já em janeiro, pretendemos reunir os professores para decidirmos sobre o material didático. Pretendemos também dar início a um estudo sobre o plano de carreira para os funcionários. Os professores possuem um plano de carreira, muito discutido porque contemplou as progressões, e os professores estudaram, fizeram suas progressões e estão seguindo a lei. O que não foi certo foi a aprovação sem estudo de impacto para saber se haveria dinheiro ou não para arcar com isso. Hoje, o Fundeb que é repassado para o município é utilizado 100% para os funcionários e mais R$ 3 milhões do Tesouro do município para complementar os salários. Acreditamos que a partir de janeiro de 2021, com a complementação pela nova lei do Fundeb que foi aprovada no Congresso, irá dar um pouco de fôlego. A maioria dos professores que progrediram já fez as progressões. Teremos a oportunidade de equalizar essas contas.

 

Candeia – Na área ambiental, que ações considera como prioritárias?

Parraguinha – Vou citar um ponto importante dentro do nosso plano de governo. No barracão da prefeitura há uma estufa. Temos ali capacidade para produzirmos 20 mil mudas por ano, mas hoje isso não acontece. Nosso projeto é fazer o plantio de árvores em toda a cidade, com beiras de córregos e no centro da cidade. Cada comerciante iria adotar uma árvore. A iniciativa de comerciantes no centro da cidade não teve apoio da prefeitura.

 

Candeia – Suas considerações finais.

Parraguinha – Pretendemos lançar um programa muito importante no município. Tenho visitado muitas famílias na cidade junto com a nossa vice, Juliana. Temos observado com as pessoas estão sofrendo, principalmente as mais carentes. Com o fim do auxílio emergencial um terço do País estará na linha da pobreza. Para todas as famílias que recebem o Bolsa Família e não têm mais esse ganho do auxílio emergencial vamos complementar com o Renda Bariri. Só nós temos essa proposta para Bariri. Serão cinco parcelas de R$ 200,00 para pessoas que já recebem o Bolsa Família e irão perder a complementação do auxílio emergencial. Além de gostar de números, um prefeito tem de gostar de pessoas. Não quero ver essas pessoas passando necessidade. É um valor que vai ajudar e vai impactar na cidade, porque gira a economia. Estamos nos preparando há muito tempo para estar aqui hoje pedindo o seu voto, pedindo uma oportunidade. Você que já votou em mim em 2016, quando tivemos quase 5 mil votos, estou mais preparado, formado em administração pública, já fui diretor administrativo da prefeitura, fui vereador, com passagens sem máculas e manchas pelos órgãos públicos. Peço seu voto, meu número é 19, junto com a professora Juliana. Conheço os problemas da cidade e sei como resolver.