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Stefani Edvirgem da Silva Borges

“Sempre converso com os diretores e expus isso em reuniões para os professores. Enquanto gestora, me sentiria segura de volta na fase Amarela do Plano SP”

Juliana Francisca Rodrigues

“Pedimos aos pais para ficarem tranqüilos porque as escolas e os profissionais da Educação estão com todo o olhar para a criança”

 

A partir de segunda-feira (3) Bariri irá liberar de forma presencial atividades escolares nas redes pública e privada para reforço e atendimento de alunos com dificuldade de aprendizagem. Para explicar o alcance dessa nova modalidade, o Candeia conversou com a diretora municipal de Educação, Stefani Edvirgem da Silva Borges, e com a responsável pelo trabalho junto aos psicopedagogos, Juliana Francisca Rodrigues (o conteúdo na integra está no Facebook do jornal). Em relação às instituições públicas de ensino (redes municipal e estadual), elas poderão ofertar atendimentos presenciais aos alunos com dificuldades de aprendizagem, após triagem feita por psicopedagogos. A rede privada poderá ofertar aulas presenciais de reforço, complementação pedagógica, apoio pedagógico e atividades avaliativas no contraturno das aulas regulares. É preciso que seja respeitado o montante de até 25% do total de alunos de cada turma, respeitando os protocolos sanitários.

 

Candeia – Como foi a decisão para retomada de algumas atividades presenciais na Educação?

Stefani – Pensamos num retorno bastante cauteloso. Sabemos que o governo estadual liberou o retorno de 35% para muitas escolas, especialmente as estaduais. Em conversa com a Diretoria de Saúde e com o Executivo, pensamos numa volta cautelosa em que as escolas públicas (municipais e estaduais) e particulares começassem a receber os alunos aos poucos para que na fase Amarela ou mesmo na fase Laranja do Plano SP possamos receber esses estudantes.

 

Candeia – Como está a situação de retorno na região?

Stefani – Tenho conversado com os dirigentes da nossa região, e somente Jaú retornou com aulas presenciais. Mesmo assim, nas escolas públicas, poucos alunos estão indo às escolas porque os pais estão com muito medo. Estamos atentos à questão da pandemia e não estamos com pressa de voltar tão rapidamente. Queremos fazer uma volta gradual para deixar os pais seguros e os professores e profissionais também seguros para fazer a volta.

 

Candeia – Segundo o decreto, há uma diferenciação entre redes pública e privada…

Stefani – Tanto as escolas públicas, quanto as privadas poderão receber os alunos de forma gradual para o acompanhamento pedagógico e reforço escolar. No caso das escolas particulares, que são alunos em menor número, as escolas poderão receber 25% para o apoio pedagógico e avaliações pontuais que precisam ser feitas. Nas escolas públicas vamos fazer a triagem com psicopedagogos aos alunos que também têm dificuldades para podermos proporcionar, de forma remota, o apoio pedagógico. Queremos realmente focar naquele aluno que tem maior dificuldade. As profissionais psicopedagogas estão retornando presencialmente porque já tomaram as duas doses da vacina contra a Covid-19 e isso trouxe muita segurança.

 

Candeia – Como será o trabalho desenvolvido pelos psicopedagogos na rede pública?

Juliana – Em Bariri temos as psicopedagogas, que atuam por segmentos: educação infantil; ensino fundamental 1; e ensino fundamental 2. As profissionais já estão fazendo esse trabalho de forma remota. Os professores realizam o acompanhamento com os alunos e observam os que têm maior dificuldade de aprendizagem, até mesmo crianças com distúrbios. Os professores já estão vendo essa necessidade de acompanhamento com essa criança. Os estudantes serão encaminhados, juntamente com a coordenação e a direção, para o psicopedagogo, que irá iniciar a triagem de avaliação. Às vezes é preciso ajustar o conteúdo ou a rotina da família em casa. Agora, será possível atender os estudantes e pais com dia e hora marcados e analisando as intervenções necessárias.

 

Candeia – Diante de um período de mais de um ano com aulas remotas, o setor dispõe de um quantitativo de alunos a serem trabalhados?

Juliana – Temos alunos na rede com dificuldade de aprendizagem e sempre foram acompanhados. O quantitativo ainda não temos, mas vamos começar agora de forma presencial e mais efetiva.

 

Candeia – Após esse diagnóstico, o trabalho com os alunos será feito pelos professores. Isso continuará a ser feito de forma remota?

Juliana – Continuará à distância, como atualmente é feito. As psicopedagogas já fazem a intervenção e, conforme o caso, elas irão atuar em conjunto para auxiliar no desenvolvimento.

 

Candeia – Alguma consideração a mais sobre esse assunto?

Juliana – Pedimos aos pais para ficarem tranqüilos porque as escolas e os profissionais da Educação estão com todo o olhar para a criança. Iremos cuidar delas com todo o carinho e profissionalismo. Quando as psicopedagogas chamarem os alunos, haverá toda segurança no atendimento. Sabemos que há vários alunos com dificuldades, mas no momento será feita uma triagem. O foco agora é com os estudantes em situação mais gritante.

 

Candeia – Como melhorar o acesso à internet e ao conteúdo remoto pelos alunos, considerando que há lei municipal nesse sentido?

Stefani – Temos feito estudos para disponibilizar o acesso à internet, porém, o quantitativo é alto. O prefeito está estudando e estamos buscando estratégias para disponibilizar esse serviço, mas terá um grande custo para a prefeitura.

 

Candeia – O novo decreto estabelece o retorno presencial a partir do início de junho. A senhora acha isso possível?

Stefani – Sempre converso com os diretores e expus isso em reuniões para os professores. Enquanto gestora, me sentiria segura de volta na fase Amarela do Plano SP. Estamos estudando um plano de retorno híbrido, com a participação do Conselho Municipal de Educação e com os diretores. Mas tudo vai depender da curva da pandemia. Infelizmente muita gente pensa que a pandemia acabou. Sempre sigo as recomendações da Diretoria da Saúde para trazer segurança para todos. Gostaria que até lá o governo estadual disponibilizasse vacinas para mais profissionais da Educação. Hoje, ninguém está seguro em voltar às aulas presenciais.

 

Candeia – A senhora acredita que haverá pressão pelo fato de o governo estadual autorizar o ensino presencial já na fase Vermelha?

Stefani – Os municípios podem restringir mais e não liberar mais. Hoje, o Estado libera até 35% da capacidade de atender os alunos. Pode acontecer de sofrermos uma pressão, mas vamos justificar o porquê de não retornar de acordo com nosso contexto.

 

Candeia – A prefeitura publicou licitação para assessoria à Diretoria de Educação, a qual foi revogada. Qual a importância dessa contratação para o setor?

Stefani – A Educação é a maior pasta do município, com mais profissionais e demanda. Nossa formação não contempla a parte técnico-jurídica. Essa assessoria seria de grande valia para entendermos questões jurídicas relacionadas à gestão educacional. Há uma série de recursos financeiros federais que poderiam vir ao município e que necessitam de documentos específicos. Conseguimos fazer, mas demora muito mais. Há municípios vizinhos que têm esse assessoramento e que receberam uma série de verbas do governo para investir no município, na parte pedagógica e na parte estrutural.

 

Candeia – Uma das críticas foi com relação ao valor para contratação da empresa. Caso fosse efetivada, em sua opinião haveria melhoria no recebimento de recursos e também no diagnóstico da Educação no município?

Stefani – O retorno é muito grande. Municípios vizinhos que tiveram essa assessoria ganharam muito mais que o próprio valor que foi pago para essas equipes. É um retorno garantido porque vamos conseguir chegar na parte técnica onde não se conseguiu chegar até agora. Poderíamos ficar aqui na diretoria e trabalhar, fazendo o básico, mas queremos trazer o melhor para Bariri.