
“Estamos nos reunindo com as equipes responsáveis de cada unidade, para que sejam apresentadas as dificuldades de cada lugar e com isso possamos organizar estratégias para minimizar as problemáticas e proporcionar um atendimento adequado a todos aqueles que necessitam dos serviços” (Arquivo/Candeia)
A diretora municipal de Saúde, Myrella Soares da Silva, pretende priorizar a reestruturação da atenção primária. Para isso, estão sendo feitas reuniões para entender melhor o fluxo de trabalho das unidades e melhorar o atendimento ao munícipe. Myrella fala também na entrevista sobre os gargalos com falta de médicos especialistas e medicamentos e como superar esses desafios. Servidora pública municipal concursada como agente administrativa, ela já desempenhou diversas funções dentro da municipalidade passando pelas pastas do social, desenvolvimento, financeiro (lançadoria) e saúde, onde atuou também como a gente comunitário de saúde, atendente da farmácia central e recepcionista do Soma 2. Myrella foi chefe do setor de agendamento em 2018, chefe da odontologia e da vigilância epidemiológica. Graduada em design e artes visuais, possui também pós-graduação sendo MBA em gestão pública e gestão em saúde pública.
Candeia – Qual seu maior desafio à frente da Diretoria Municipal de Saúde?
Myrella – Os desafios são diversos desde reestruturação da atenção primária, que é o alicerce de toda a saúde do município, como também a captação e destinação dos recursos que podem ser entendidos enquanto financeiros e também humanos. A saúde é uma grande engrenagem onde todas as peças deveriam funcionar de forma contínua e uniforme para que todos alcancem o mesmo objetivo. Desfazer antigas culturas e métodos de trabalho que não são produtivos é uma das maiores dificuldades, visto que culturalmente alguns setores e até mesmo os servidores estão habituados a um ritmo de trabalho que não condiz com as necessidades atuais do município. O planejamento em saúde é algo mais do que necessário, é urgente; precisamos utilizar de todas as ferramentas para que tantos servidores quanto os munícipes tenham o melhor cenário para trabalhar com tranquilidade e também no caso dos pacientes para serem acolhidos de forma humana. Outra problemática que é importante ressaltar é que a pasta da saúde não é desvinculada das demais e algumas ações acabam esbarrando em situações burocráticas que fazem parte da rotina administrativa e que infelizmente acabam por atrasar algumas ações da saúde. Entendo que seja urgente o fortalecimento, por exemplo, do setor financeiro para que as demandas da Saúde sejam entendidas como prioritárias, visto que é uma pasta com uma demanda muito grande de solicitações e para comprar um comprimido que seja, a diretoria precisa da celeridade do financeiro, mas estamos em conversa com o executivo e a diretora responsável para melhorar também esse fluxo, buscando otimizar o andamento de tais solicitações.
Candeia – Para 2026 que ações e projetos pretende colocar em prática no município?
Myrella – Já iniciamos diversos estudos para entendermos os fluxos de atendimento que acontecem nas Unidades Básicas de Saúde, Estratégia Saúde da Família e demais equipamentos da atenção básica para que consigamos definir protocolos que agilizem e otimizem os recursos que dispomos para que o paciente tem acesso a um tratamento com início meio e fim. Para tanto, estamos nos reunindo com as equipes responsáveis de cada unidade, abrindo assim as portas da diretoria para que sejam apresentadas as dificuldades de cada lugar e com isso possamos organizar estratégias para minimizar as problemáticas e proporcionar um atendimento adequado a todos aqueles que necessitam dos serviços. Pretendo, dentro da possibilidade do município, fomentar ações de capacitação para nossos servidores no intuito de melhorar a qualidade de trabalho dos mesmos e também melhoria no atendimento a toda população: planejamento e comunicação eu entendo que sejam as palavras-chave para que tenhamos sucesso nessa empreitada.
Candeia – Uma das maiores reclamações é quanto à falta de consultas e exames com especialistas. Como está resolvendo essa situação?
Myrella – Realmente, infelizmente enfrentamos uma complicação que é reclamação da maioria das cidades da nossa região, visto que as especialidades de obrigatoriedade da atenção primária incluem a pediatria ginecologia, obstetrícia, ortopedia, as demais especialidades seriam em tese de responsabilidade do governo do Estado, porém, como já foi noticiada, a oferta regulada pelo sistema Siresp (Cross) está muito aquém da necessidade do município, isso faz com que tenhamos que organizar contratações para suprir essas demandas. Recentemente foi possível, através do contrato emergencial, restabelecer o atendimento de ginecologia, ortopedia, oftalmologia, psiquiatria adulto e infantil, pediatria e profissionais psicólogos que já iniciaram os atendimentos. E tantas outras especialidades como reumatologia, endocrinologia, neurologia, vascular, otorrino, estão em fase de contratação, visto que dependemos da empresa encontrar profissionais devidamente habilitados para exercer as funções, e estamos trabalhando no sentido de agilizar os processos licitatórios para manter tais atendimentos após o período emergencial. Temos também exames de imagem com uma quantidade significativa que precisamos dar vazão, como é o caso dos ultrassons, ressonâncias e tomografias, colonoscopias e endoscopias tais exames também seriam de responsabilidade do Estado em sua maioria, porém o município arca com a maior parte deles com recursos próprios. Em conversa com a regional de Saúde foi solicitado que exista mutirão desses exames o quanto antes, para que possamos dar andamento no atendimento dos pacientes, todos os gestores apresentaram junto ao governo do Estado as demandas de cada município e aguardamos que para o primeiro semestre 2026 o governo do Estado cumpra com o acordado e libere tais exames que devem acontecer no município de Jaú. Até que isso aconteça, estou em estudo técnico para viabilizar pequenos mutirões para atender ao menos os casos de maior urgência e prioridade, dentro das possibilidades do município.
Candeia – Outra queixa constante diz respeito aos medicamentos…
Myrella – Com relação aos medicamentos, infelizmente o município passou por uma situação incomum onde culminou que vários medicamentos acabaram no mesmo período, seja por conta de desencontros por parte da gestão, seja por fatores externos como por exemplo é o caso da FURP – que é o órgão que deveria abastecer o município com a chamada cesta básica da saúde, com medicamentos regulares que são entregues com data prevista, porém, a entrega que era para ter sido realizada em outubro não chegou até a presente data. Até que tenhamos conhecimento não existe uma previsão exata da data dessa entrega que está atrasada em toda região, temos também a preocupante situação dos medicamentos de Alto Custo que são regulados pelo Estado e que os pacientes possuem processos que garantem tais medicamentos, e mesmo assim alguns processos estão retornando sem as medicações. Tudo isso acontecendo ao mesmo momento fez com que o estoque da central de medicamentos reduzisse bastante e a população sentisse na pele a falta dos medicamentos, o qual lamentamos profundamente. Assim que assumi assinei diversos empenhos para que fosse reposta uma série de medicações, que já começaram a chegar na central, todas as solicitações que aguardavam empenho foram devidamente assinadas restando apenas determinados medicamentos que fazem parte de uma nova licitação que está em fase de finalização para que possamos completar o restante dos pedidos. Como são várias empresas diferentes que fornecem os medicamentos, pode ser que alguns cheguem em dois, três dias e outros demorem até mais de uma semana. Mas deixo claro para a população que estamos trabalhando diuturnamente e acompanhando os processos para que as medicações sejam repostas o mais brevemente possível.
Candeia – A senhora acredita que é possível ampliar a atenção básica em Bariri, como, por exemplo, o aumento de unidade da ESF? Por quê?
Myrella – Antes de falarmos em ampliação, precisamos focar nesse primeiro momento no fortalecimento da atenção primária e das unidades que já existem, visto que conforme as orientações do próprio governo federal todas as unidades de saúde da família estarão passando por uma readequação com relação ao quantitativo de pacientes atendidos em cada unidade. Somente após a redistribuição da geolocalização das unidades já existentes é que será possível vislumbrar a necessidade da implantação de uma nova unidade, visto que não é apenas você levantar o prédio que irá abrigar a unidade, mas deslumbrar todos os equipamentos que irão compor a unidade e também a equipe mínima que deverá ser contratada para atuar em um eventual nova unidade. Estaremos estudando profundamente o que será mais viável nesse momento de readaptação que acontece não só no nosso município, mas em toda regional. Entendo que o fortalecimento deve ocorrer não apenas nas estratégias sobre da família, mas também nas UBSs, como é o caso do soma 2 , Unidade de Saúde João Justulin-Nova Bariri e Centro de Saúde, também a Policlínica e demais serviços de saúde.
Candeia – De que forma pretende trabalhar com a equipe gestora da Santa Casa de Bariri, especialmente para que o pronto-socorro seja voltado mais para casos urgentes e de emergência?
Myrella – Estive na semana passada em conversa com a gestora do hospital Marina Prearo e sua equipe técnica, justamente para entender de qual forma podemos trabalhar de forma uníssona e produtiva. Fui muito bem recebida, visto que nós duas já trabalhamos juntas em outra situação e entendemos exatamente quais as dificuldades tanto da Santa Casa, quanto da Atenção Primária. Mais uma vez a comunicação se faz importante para que a Santa Casa consiga viabilizar em tempo hábil um maior número de profissionais no momento que a direção de saúde estiver com seu efetivo de generalistas por algum motivo defasado, seja por férias o afastamento de profissionais, isso auxilia muito, pois o hospital tem condição de se preparar para eventuais acúmulos de pacientes. É importante ressaltar que o número de casos de dengue está sob controle e com o advento dos novos profissionais especialistas, entendemos que neste momento não se justifica a permanência do ambulatório da dengue e de síndromes gripais, ficando a cargo das unidades de saúde acolherem essa demanda e eventuais casos mais sérios devem ser encaminhados ao pronto-socorro. Futuramente, caso seja identificada necessidade eminente, a reabertura do ambulatório em comum acordo com o hospital e o Conselho Municipal de Saúde. É de suma importância entendermos que a saúde é uma só, seja ela atenção primária ou de urgência e emergência, e que todos devemos buscar a cordialidade e a conversação para que o melhor aconteça para os nossos pacientes, visto que mesmo para aqueles que têm um melhor poder aquisitivo e possuem planos de saúde, o primeiro atendimento impreterivelmente acontece na nossa Santa Casa, seja para o milionário ou para o morador de rua, logo, todos temos a responsabilidade de cuidar do que é nosso.
Candeia – A Diretoria Municipal de Saúde recebeu de emendas impositivas R$ 130 mil para a atenção básica e R$ 370,1 mil para a Vigilância Epidemiológica. Efetivamente, de que forma esses recursos serão empregados?
Myrella – Agradecemos imensamente os vereadores que entenderam a necessidade da atenção básica, pretendo investir esse dinheiro do custeio de saúde, que em sua grande maioria foi enviada pela vereadora Priscila Domingos para emergências de medicamentos, como, por exemplo, no caso de a Furp atrasar novamente o abastecimento da cesta básica a pasta tem esse fôlego para atender a necessidade da população. Com relação à verba destinada para a vigilância epidemiológica as ações podem ir desde castrações, material informativo, até mesmo a compra de equipamentos que auxiliam a equipe como veículos e demais ações que visem o controle epidemiológico. Aproveito o espaço para lembrar a população que seguem abertos os cadastros para castração de cães e gatos que deve ocorrer no início do mês de dezembro deste ano, estão acontecendo ali na Rua Campos Sales, na Casa Rosa, ao lado da biblioteca, a ação é gratuita e já tivemos dois dias de castrações que foram um sucesso, muito bem organizadas com uma equipe de ponta composta por diversos profissionais que possui uma estrutura extremamente adequada para dar o melhor tratamento ao seu animalzinho de estimação.
























