
Talita Violante Azevedo “O laboratório municipal irá atender toda a nossa demanda de exames de sangue, que em 70% ou mais dão o diagnóstico e os próximos passos no tratamento do paciente”.
A administração municipal pretende reformar ala do Soma 1 para abrigar laboratório próprio para exames de sangue. A informação é da diretora municipal de Saúde, Talita Violante Azevedo. De acordo com ela, resultados no setor poderão ser conhecidos nos próximos meses. “No atendimento básico, por exemplo, estamos trabalhando para otimizar o uso das vagas disponíveis e reduzir o tempo de espera de quem aguarda por atendimento”, afirma. No cargo desde o início de abril, Talita trabalhou por quatro anos na gestão em unidades da Unimed, outros cinco anos com passagem por algumas clínicas multidisciplinares e por mais dois anos atuou em gestão hospitalar.
Candeia – Que balanço faz de seu trabalho à frente da Diretoria Municipal de Saúde?
Talita – Estou perto de completar três meses como responsável pela pasta da Saúde em Bariri. Não tive a oportunidade de ter um período de transição, como se diz por aí “peguei o bonde andando” é dessa forma que estamos tomando conhecimento da real situação. Tenho uma equipe especial e focada em oferecer um serviço de qualidade e humanizado para o cidadão. Muita coisa já mudou, já foi melhorada, mas os resultados serão visíveis ao longo dos próximos meses. Temos uma demanda longa e antiga por exames e cirurgias que foram organizados e estamos diminuindo na medida do possível, com os mutirões que já fizemos e temos programada essa demanda reprimida. Mas temos outras frentes de trabalho, no atendimento básico, por exemplo, estamos trabalhando para otimizar o uso das vagas disponíveis e reduzir o tempo de espera de quem aguarda por atendimento. Estamos trabalhando para que Bariri fique apto para participar de diversos programas oferecidos pelo Estado e pelo Governo Federal, esses programas trazem, por exemplo, recursos e atendimento médico especializado para o município, que hoje fazem uma falta muito grande.
Candeia – Como a pasta tem atuado para diminuir as filas de consultas médicas e exames na rede básica?
Talita – Primeiro, foi necessário identificar e organizar essa demanda. Tínhamos pedidos de exames e procedimentos encaixotados, não catalogados e agora toda essa demanda está no sistema. Tenho tido todo o apoio necessário do prefeito Airton Pegoraro e do vice-prefeito Paulo Kezo, para que, na medida do possível, sejam realizados mutirões de exames e procedimentos para atender quem já está nessa fila há dois ou três anos, aguardando um exame ou uma cirurgia eletiva. Já fizemos dezenas de exames laboratoriais, de ultrassom e oftalmologia. Temos outros programados para acontecer em breve. Nesse caso estamos chamando quem está na fila, esperando por esse exame há dois ou três anos, mas só agora está sendo chamado. Essas ações não se limitam aos exames, mas com o diagnóstico do paciente em mãos, dar seguimento com encaminhamento necessário, seja ele clínico ou cirúrgico.
Candeia – No dia 30 de junho terá início a construção de UBS no Jardim São Marcos. Assim que a obra estiver concluída, que atendimentos serão feitos no local? Haverá mudanças em outras unidades de saúde?
Talita – Sim, as obras terão início na próxima semana e a previsão de que aquele equipamento (unidade de saúde) seja entregue é de 12 meses. Nesse espaço de tempo já teremos pronta a reorganização da Saúde, isso inclui reformular área cobertura de cada unidade, serviços oferecidos à população. Inicialmente, a nova unidade terá equipes de saúde, formada por médico, enfermeiro, técnico de enfermagem, agente comunitário de saúde, agente de controle de endemias e equipes de saúde bucal, composta por cirurgião-dentista e auxiliar de saúde bucal. A estrutura física contará com salas de medicação, reidratação e coleta de exames, de curativos de vacinação e de práticas coletivas, aplicação de medicamentos, quatro consultórios, sendo um deles de ginecologia e outro odontológico, farmácia, atendimento individualizado. Mas nesse período de construção dessa nova unidade vamos fazer um levantamento da real necessidade da população que será coberta por aquela unidade e adaptar tudo para atender melhor e com qualidade cada morador ou moradora da área abrangida por aquela e demais unidades.
Candeia – Que avaliação faz do ambulatório instalado no Centro de Saúde? É possível manter por longo tempo os atendimentos médicos aos finais de semana e feriados?
Talita – Com o ambulatório conseguimos evitar que a saúde sofresse um colapso no atendimento devido aos casos de dengue e síndromes respiratórias; a maioria dos municípios na região sofreu com uma superlotação no atendimento hospitalar superlotando os leitos de UTI. Hoje a demanda do ambulatório caiu drasticamente, e o atendimento voltará a ser de segunda à sexta-feira. Assim, poderemos redirecionar esses recursos para oferecer outros serviços para a população. Mas sempre que for necessário, que a demanda exigir, o atendimento do ambulatório aos finais de semana e feriados será reativado.
Candeia – Diante de decreto do prefeito para proibir a realização de horas extras, como a Diretoria Municipal de Saúde tem atuado para que alguns tipos de serviço não sejam prejudicados?
Talita – O decreto proíbe que se faça hora extra sem necessidade, mas na saúde alguns serviços só são possíveis com o trabalho extra-horário, por exemplo, o atendimento do ambulatório aos finais de semana e feriados só estão sendo possíveis através do pagamento dessas horas. Então não é que as horas extras estão proibidas, elas só podem ser autorizadas se forem realmente necessárias, com autorização do Executivo. Por isso, desde que estou aqui, sempre que solicitado e fundamentado, essas horas extras foram autorizadas e não tivemos serviços prejudicados.
Candeia – Que ações e projetos a senhora pretende colocar em prática até o fim do ano na Saúde?
Talita – Temos alguns objetivos para serem alcançados até o final deste ano. Promover a reestruturação das unidades de saúde no município é uma dessas urgentes. Vamos começar, na próxima semana, no prédio do Soma 1, a reforma de um espaço onde vamos instalar um laboratório municipal para atender toda a nossa demanda de exames de sangue, que em 70% ou mais dão o diagnóstico e os próximos passos no tratamento do paciente. Vamos trabalhar na instalação de um espaço para atendimento de pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), uma espécie de Casa do Autista. Buscar parcerias com os governos federal e estadual através de programas que ofereçam para que o município possa oferecer atendimento em especialidades médicas e realizar diversos mutirões visando diminuir, e em alguns casos, zerar a fila de espera por exames e cirurgias, demanda está que vem de dois três anos.
























