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Abelardo Maurício Martins Simões Filho – “O grupo político precisa compreender que a mudança exige enfrentar situações que tiram pessoas da ‘zona de conforto’ e que podem causar desgaste momentâneo e julgamentos equivocados, antes que os resultados comecem a aparecer.”

 

Como é tradição, o Candeia entrevista na edição de Natal o prefeito em exercício. Desta vez o entrevistado é Abelardo Maurício Martins Simões Filho (MDB), cujo governo encerra o primeiro ano de mandato. Na entrevista, ele avalia 2021 e fala dos desafios para 2022. Reconhece que há certa dificuldade no relacionamento com o Legislativo, mas entende que os políticos farão sua avaliação sobre como lidar com a administração municipal quando os resultados surgirem. O prefeito destaca a pandemia do novo coronavírus e que assumiu a gestão com “prédios em péssimo estado de conservação e veículos e equipamentos sucateados”. Conta que ao longo de 2021 a prefeitura obteve verbas extras num total de R$ 13 milhões. Abelardo Simões fala também se haverá mudanças no primeiro escalão, como pretende encaminhar projeto para reajuste salarial dos servidores e como dar uma solução à constante falta d’água na cidade.

 

Candeia – Que avaliação o senhor faz do primeiro ano de governo? Quais os principais desafios? E conquistas?

Abelardo – Um ano difícil, que começou com uma pandemia no auge e com muitos problemas de gestões passadas colocando em risco o funcionamento da nossa Santa Casa. A prefeitura com prédios em péssimo estado de conservação e veículos e equipamentos sucateados. Funcionários desmotivados e desvalorizados. Nós “trocando o pneu com o carro andando” porque tivemos transição entre os governos muito conturbada e muitas “surpresas” administrativas que poderiam inviabilizar a nossa administração, mas que soubemos contornar. Algumas em definitivo e tantas outras com medidas intermediárias, até alcançarmos a solução definitiva. Tudo isso com muita disposição para trabalhar pela população de Bariri. É tempo de semear. De fazer contatos, buscar verbas, bater nas portas do Palácio dos Bandeirantes e de Brasília, nos gabinetes dos deputados e “passar o pires”, independente de partido, para que os recursos cheguem e melhore a vida da população. Eu sei que enquanto a semente não germina e a gente não colhe os bons frutos, muitos agem como “São Tomé”. Isso não nos preocupa. Temos consciência, confiança e fé que o trabalho que tem sido construído com o apoio dos servidores municipais e de toda a comunidade já está mudando Bariri para melhor. Quanto à lista de conquistas, ela é imensa. Mais de R$ 13 milhões de verbas que estão e serão revertidas em melhorias para nossa Bariri.

 

Candeia – Houve opção por um quadro de diretores formado por pessoas, em sua maioria, que não havia desempenhado a função antes. Os resultados do trabalho do primeiro escalão ficaram dentro das expectativas?

Abelardo – Apostamos na mudança, sim. Mas com responsabilidade. Os diretores são jovens, técnicos e desejam fazer o melhor por Bariri. Não são pessoas “da política”. Eu sei que isso me atrapalha em muitos aspectos, porque a população está acostumada de outra forma. Mas eu preciso pensar na parte técnica da prefeitura de Bariri que estava “parada no tempo”. E estou muito satisfeito com o desempenho técnico da nossa equipe. Durante a “faxina” ou “reforma” pesada na casa, às vezes, não dá tempo de olhar para os detalhes ou de explicar as obras. Mas, na medida em que a casa fica em ordem, a gente passa a ter mais condições para cobrar, também, a atenção aos detalhes. Isso já vai começar, a partir do próximo ano. A prefeitura de Bariri possui apenas nove cargos em comissão (diretores), enquanto a maioria das cidades possui, pelo menos, 30 ou 40. Então, os diretores ficam sobrecarregados no desenvolvimento do plano de governo e, ao mesmo tempo, atendendo as demandas do dia a dia. Mas agradeço minha equipe e os servidores públicos pela dedicação e compreensão com esse primeiro ano de aprendizado. Agora é seguir trabalhando cada vez mais e melhor para a população.  Eu sou jovem. A equipe é jovem. E isso é bom, porque não temos os vícios do passado. Temos que seguir aprendendo e melhorando, sem perder os valores que nos trouxeram aqui! Fazer a nossa parte por Bariri! E isso só faremos com humildade, ouvindo a todos. E esperamos que a população saiba reconhecer que algumas coisas se resolvem rápido e tantas outras demandam tempo. E fiquem a vontade para falar comigo, onde for, e se precisar “puxar a orelha” dos diretores, eu vou fazer. É para isso que estamos lá. Para servir Bariri.

 

Candeia – Haverá mudanças nos cargos de primeiro escalão em 2022?

Abelardo – Pode ser que sim. Nenhuma administração começa e termina com o mesmo time. Mas, eventuais mudanças serão técnicas e não por pressão política. No dia a dia, observamos a dinâmica da máquina pública e como acontece com o técnico de futebol, vemos que determinada pessoa pode render mais em outra função. Da mesma forma, que em um momento do “jogo” podemos precisar de um determinado perfil e na medida em que as coisas avançam, precisamos de outro. Infelizmente, temos poucas “posições” para trabalhar. São apenas nove diretores, como eu já disse. Isso atrapalha muito Bariri. E as mudanças também podem acontecer por outros motivos. Às vezes, as pessoas se engajam em outros projetos, algumas vezes são necessários ajustes e em outras oportunidades o destino nos toma os parceiros de luta, como aconteceu esse ano com o inesquecível amigo Juninho Barbieri, de quem eu sinto falta diariamente, pela amizade e pelo vigor com que ele se dedicava e defendia a administração. Abraçou a gestão como um guerreiro e não por política, por um ideal, uma Bariri muito melhor. Enfrentou lado a lado as dificuldades da pandemia, assim como os demais diretores. Nossa memória ao querido Junior, nesse momento de reflexão, amor e paz do Natal.

 

Candeia – A falta de água foi um dos problemas mais crônicos em Bariri em 2021. Qual a solução para essa questão e quando ela virá em definitivo?

Abelardo – A falta de água é um problema de muitas décadas, por conta da falta de investimento, de planejamento e de cobrança dos empreendimentos privados, para que abasteçam corretamente a população. E esse problema foi agravado em todo o país pela maior seca dos últimos 90 anos. Em Bauru faltou água. Em Itapuí faltou água e em várias cidades da nossa região faltou água. Mas, o Edinho e a equipe do Saemba estão fazendo um trabalho maravilhoso. Planejaram o futuro. Estão realizando as ações. A prefeitura já furou alguns poços, o que não era feito há muito tempo pelo poder público da cidade. Mas, a grande virada nesse problema virá com a perfuração do poço profundo que conquistamos com o apoio de vários deputados e, em especial, do Baleia Rossi e também do vice-governador Rodrigo Garcia. Esse poço será perfurado na área da ETA, para reduzir a dependência da cidade do manancial, que quando está seco atrapalha o abastecimento. Em breve, a população vai sentir essa diferença. Sei que a oposição “gritou” bastante com a gente este ano por conta da questão da água e aproveitou para tirar uma “casquinha”. Mas, aí eu pergunto… Se o problema era tão antigo, porque não cobraram os outros prefeitos? Todos sabemos a resposta. Já a minha resposta para a população é buscar recursos, bater porta a porta, lutar, lutar e lutar para que o governo do estado e o governo federal enxerguem Bariri. O poço profundo é resultado disso.

 

Candeia – A Santa Casa de Bariri demandou muitas ações durante 2021. Terminado o ano, o que destacaria no trabalho à frente do hospital, que está sob intervenção do município desde setembro de 2018?

Abelardo – A Santa Casa evoluiu. Sobre todos os aspectos. Aumentamos o investimento, conseguimos mais verbas para o hospital, abrimos as portas para voluntários, melhoramos a qualidade dos serviços, buscamos parceiros, colocamos a população na linha de frente, lado a lado com a prefeitura e a Câmara, através do conselho e da transparência, conquistamos vitórias jurídicas com o apoio do Ministério Público que traz segurança jurídica para os funcionários da entidade e seguimos aprimorando e recuperando nossa Santa Casa que ainda está na “UTI”, mas, agora podemos acreditar que ela voltará a “respirar sem aparelhos”. Somos do diálogo. No início do ano quiseram polemizar e politizar uma ação do Ministério Público que acabou sendo um passo importante para avançarmos na gestão. Quanto mais a política e a política ficarem longe da Santa Casa, mais rápido ela vai se reerguer. Por isso, eu faço essa blindagem do nosso hospital. Temos méritos pelo trabalho realizado, pelas verbas conquistadas, mas isso não dá o direito de intervirmos em questões técnicas. Isso está bem claro para funcionários, corpo de enfermagem e médicos. E é com esse diálogo que quero conduzir os próximos anos. O desafio maior é fazer a Santa Casa sustentável e independente o máximo possível dos cofres públicos municipais, que possuem limites e que também precisam atender a atenção básica, com médicos e tratamentos nas unidades de saúde. O SUS é ponto de equilíbrio entre todos os serviços e é isso que buscamos. E quem está conosco acompanha essa ideia e luta por ela.

 

Candeia – Na Educação, vários prédios necessitam de reformas. Que ações a prefeitura irá tomar para a volta das aulas em janeiro e para o ano de 2022 como um todo? Como ficará a situação da Creche Carmem?

Abelardo – Vários prédios necessitam de reformas. É verdade. E eu pergunto: desde quando precisavam e ninguém fez? Há muito tempo as escolas estavam abandonadas. Mas neste primeiro ano já fizemos muitas reformas e vamos avançar ainda mais em 2022. E a Creche Carmem é um dos trechos mais tristes dessa história de abandono e falta de planejamento. Uma obra recente e cheia de problemas, realizada em um lugar infestado de escorpiões. Agora, os alunos foram deslocados para outro prédio, onde a creche está funcionando bem, sem risco para a saúde das crianças. E já temos várias reformas pontuais programadas para o período do recesso escolar. Fizemos uma ata de registro de preços que vai ajudar nisso, além de licitar outros serviços maiores como a troca do telhado da Emei 1 e da Emei 3. O objetivo é que as reformas sejam constantes, todos os anos, para não impactar tudo de uma vez, em um único orçamento, como acontecia antes da nossa gestão.

 

Candeia – Quais os critérios que serão utilizados pela administração municipal para concessão de reajuste salarial do funcionalismo?

Abelardo – Prudência e “pés no chão”. Não adianta prometer um reajuste que não poderá ser pago depois ou que vai colocar em risco as finanças públicas, só para agradar por politicagem. Fui eleito para ter responsabilidade com a administração pública. Os servidores merecem salários melhores, reajustes e mais benefícios. Mas, a prefeitura de Bariri aguenta pagar? O bolso do contribuinte, que é toda a população de Bariri, aguenta pagar? No meu coração eu queria atender tudo o que pedem. Mas sei que estaria iludindo os servidores, como fizeram lá atrás, quando prometeram “mundos e fundos” em um estatuto do magistério que é inexequível. Estamos buscando equilíbrio, montando o impacto financeiro e sabendo que 2022 será um ano imprevisível para o orçamento público, com tantos problemas na economia. Vamos propor medidas que possam recuperar os vencimentos, principalmente, dos servidores que apesar de trabalharem muito, possuem uma remuneração injusta. E vamos continuar trabalhando para corrigir as distorções, pagar em dia os servidores e também ter recursos para os investimentos que a população exige, porque a população satisfeita, ela sente que seus tributos são bem utilizados em prol da comunidade e a inadimplência e a sonegação diminuem. Está tudo interligado. Quem quiser “puxar a corda” apenas para um lado e desequilibrar as contas públicas da Prefeitura vai ser parte do problema e não da solução. Eu vou aplicar o reajuste que couber no orçamento da prefeitura e tentar corrigir distorções. E se Deus quiser, passando a turbulência de 2022, as coisas vão melhorar mais e teremos novos avanços.

 

Candeia – Em relação ao concurso público em andamento, qual a previsão para contratação dos aprovados? Quais áreas são mais carentes?

Abelardo – A previsão de homologação do concurso é para janeiro de 2022. Inicialmente serão chamados servidores para substituir os cargos que ficaram vagos nos últimos anos. Precisamos de pessoal de apoio no administrativo para melhorar os trabalhos da prefeitura. Nas áreas finalísticas, saúde e social são prioridades de contratação no momento.

 

Candeia – Na Câmara Municipal não há uma base que defenda seu governo. Como pretende melhorar a interlocução junto ao Legislativo?

Abelardo – Existe uma diferença entre grupo e base. Meu grupo político conta com lideranças da comunidade em diversos setores e com vereadores na Câmara Municipal. Agentes políticos com quem eu conto para implantar as mudanças e uma administração mais moderna, mesmo que tenhamos que ajustar rumos e mesmo que tenham algumas divergências pontuais. Mas grupo político precisa compreender que a mudança exige enfrentar situações que tiram pessoas da “zona de conforto” e que podem causar desgaste momentâneo e julgamentos equivocados, antes que os resultados comecem a aparecer. Mas, depois que os resultados aparecem, o grupo é quem mais se beneficia dessa construção. A boa política, a política que eu quero fazer pelo bem de Bariri é feita com coragem, com o “couro grosso” para as denúncias infundadas, para a “gritaria” de alguns e para o enfrentamento dos problemas de frente, com o “olho no olho”. E o grupo precisa estar junto, porque o sucesso do nosso trabalho é o sucesso do grupo também. Afinal, não será com a oposição que o grupo alcançará espaço no futuro. Já a base é um conceito mais amplo, que abrange também o diálogo e a negociação caso a caso, das pautas e das demandas. Até mesmo vereadores de oposição podem, em algum momento, formar “base” como já aconteceu neste ano. Os interesses mudam. As visões mudam. E tenho certeza que na medida em que os resultados de tudo que plantamos começarem a aparecer ainda mais, como já está acontecendo nos últimos meses, cada político da cidade fará sua avaliação sobre como lidar com a administração. A gente sabe que a “torcida contra” é grande. Mas a gente sabe, também, que nos ventos da política tudo muda. Por ora, no início do próximo ano, nosso vice-prefeito Fernando Foloni, que já foi vereador, vai dialogar com a Câmara passando um resumo de tudo que já avançamos, através da Tribuna. Fora isso, a prefeitura está de portas abertas para a busca por soluções para a população e eu estou de abraços abertos para o diálogo.

 

Candeia – Qual o montante de recursos obtidos pela prefeitura de Bariri em 2021 com emendas parlamentares e transferências da União e do governo estadual? Qual foi o destino do dinheiro?

Abelardo – Já passamos de R$ 13 milhões (que tal uma entrevista no início de janeiro para falar só sobre isso?) Foram mais de 40 verbas destinadas, para as mais diversas finalidades. Especialmente, para a saúde (custeio da santa casa e da rede), aquisição de vans (algumas ainda estão sendo licitadas), infraestrutura (asfalto e maquinários), reforma de creches, iluminação, poços (eu estou à disposição para mais uma entrevista no início do ano sobre esses investimentos).

 

Candeia – Gostaria de deixar uma mensagem neste fim de ano?

Abelardo – Quero agradecer a confiança neste primeiro ano de trabalho. Nas ruas, quando converso com as pessoas, sinto que a maioria compreende as dificuldades, o aprendizado e também reconhecem o esforço para mudar. Para fazer mais e melhor pela cidade. Ouço a todos com humildade. Agradeço a paciência dos velhos amigos que sabem que agora preciso dividir meu tempo todos e que, por isso, muitas vezes, aquele “cafezinho” e o “dedo de prosa” ficam para outra hora. Mas eles sabem que estou semeando a favor da nossa cidade. Quero agradecer a Deus por este ano, por nos ajudar a carregar todos os fardos, em todas as lutas e por olhar e abençoar a população de Bariri. Quero abraçar as famílias que perderam seus entes queridos, especialmente aqueles que foram vítimas da pandemia. Que este possa ser o último Natal em que tenhamos que nos proteger e proteger nossas famílias com distanciamento, para que possamos voltar a mostrar todo o amor que nós brasileiros sentimos uns pelos outros. Agradeço a todos que acreditam, agradeço aos que não acreditam, mas criticam de forma justa e construtiva e agradeço também aos que nos atacam injustamente, pela oportunidade de me tornar uma pessoa mais resiliente e sábia, para ouvir calado e seguir trabalhando pela nossa Bariri. Agradeço demais minha família, especialmente a Anai, Presidente do Fundo Social de Solidariedade, e meus filhos, Abelardo Neto e Analu, por compreenderem as ausências, o sair de casa antes das crianças acordarem e o voltar depois que já dormiram, as viagens, os finais de semana focados na nossa missão, que é servir nossos cidadãos. Obrigado população de Bariri pela amizade e pelo carinho. Obrigado aos servidores e colaboradores pelo emprenho e pelos conselhos. Um Santo Natal e Próspero Ano Novo. Sintam-se abraçados por mim e pela minha família!