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Abelardo Maurício Martins Simões Filho – “Não se imaginaria que a segunda onda (novo coronavírus) seria tão grande, o que me faz me dedicar quase que exclusivamente na busca de recursos para auxiliar à Diretoria de Saúde”

 

Nessa semana o governo municipal completou 100 dias de gestão. Em entrevista ao Candeia, o prefeito de Bariri, Abelardo Maurício Martins Simões Filho (MDB), faz um balanço desse período. Segundo ele, por causa da segunda onda do novo coronavírus os maiores desafios foram na área da Saúde. Soma-se a isso também a delicada situação financeira vivida pela Santa Casa. O prefeito relata que, devido à pandemia, não foi possível realizar atividades nos setores culturais e de esporte. Na entrevista, ele fala também das ações para correção no provimento de cargos na prefeitura e no Serviço de Água e Esgoto do Município de Bariri (Saemba), que ainda este ano haverá abertura de concurso e o que pensa para o futuro da Casa da Agricultura de Bariri.

 

Candeia – Que balanço o senhor faz dos 100 primeiros dias de governo? O que foi possível realizar e o que não foi nesse período?

Abelardo Simões – Os primeiros 100 dias foram de grandes desafios. Pois tivemos que nos situar sobre o andamento dos processos, bem como sobre o operacional. Em meio a tudo isso, conseguimos avançar na Santa Casa com mais médicos, resgatando a credibilidade do hospital. Nas diretorias municipais, destacamos os trabalhos na Saúde com toda a mobilização para a vacinação e na manutenção das ambulâncias. No Social, houve a mobilização para angariação de recursos a fim de auxiliar com alimentos às famílias mais carentes durante essa pandemia. Na Educação, houve treinamentos aos professores, a fim de aperfeiçoar suas habilidades para as aulas online e com alunos especiais, além da regulamentação do Kit Merenda. Na parte de Obras e de Infraestrutura, houve melhorias na frota de máquinas e equipamentos, que estavam sucateados, além dos mais de sete mil metros quadrados de tapa-buraco e 500 km de reparos em estradas rurais. Além de diversas outras ações. Porém, o que mais apresentou dificuldades foi a execução das propostas de Esporte e Cultura, que estão restritas no período de pandemia. Mas já estamos elaborando um calendário para o período pós-pandemia.

 

Candeia – Qual o impacto da pandemia do novo coronavírus em Bariri em 2021?

Abelardo Simões – Primeiramente na Saúde, o grande impacto é o aumento da demanda pelos serviços, que apesar de se esperar um aumento, não se imaginaria que a segunda onda seria tão grande, o que me faz me dedicar quase que exclusivamente na busca de recursos para auxiliar à Diretoria de Saúde e tomar medidas drásticas, tal como o lockdown, visando conter a pandemia. Já nas Finanças, estamos vendo dificuldades de arrecadação de recursos, porém, estamos estudando medidas para incrementos das receitas, bem como a incansável busca por emendas e convênios.

 

Candeia – Em relação à Santa Casa, como o senhor analisa a situação do hospital na continuidade da intervenção feita por sua equipe, a partir de janeiro?

Abelardo Simões – A situação da Santa Casa é muito crítica, e isso vai para além dos recursos financeiros escassos. Pois veja, temos complicação com os numerosos processos judiciais, que geram bloqueios de bens e contas bancárias. Ademais, temos o combate ao novo coronavírus, que vem demandando grande atenção e esforços para seu combate, haja vista o elevadíssimo número de casos que estamos tendo na segunda onda da pandemia, o que leva até a ocupação total de leitos disponíveis. Porém, estamos incansavelmente analisando alternativas para solucionar os problemas judiciais da Santa Casa e livrar o hospital desse fardo tão devastador para a saúde pública municipal.

 

Candeia – O senhor assinou decreto para a continuidade da intervenção por mais três meses. Feito o diagnóstico e apresentados os números em audiência pública, que passos serão tomados no próximo período de três meses?

Abelardo Simões – Como já mencionado, agora com o diagnóstico em mãos, nosso maior desafio é aumentar a receita do particular, bem como revisar os repasses do Governo Federal, além de ajustar os protocolos e procedimentos dentro do hospital, visando propiciar um atendimento mais humanizado e de qualidade à nossa querida população. Inclusive, estamos analisando grandes melhorias na infraestrutura do pronto-atendimento.

 

Candeia – Recentemente, o Tribunal de Justiça decidiu que cargos na prefeitura e no Saemba devem ser extintos. Como o senhor pretende resolver essa questão, especialmente na autarquia, que pode perder servidores de áreas de gestão?

Abelardo Simões – Trata-se de uma ação que vem correndo na Justiça desde o ano de 2016, e estamos tomando pé de seu inteiro teor apenas neste ano. Mas já estamos estudando medidas efetivas a serem adotadas. Reunimo-nos com os procuradores jurídicos da prefeitura e do Saemba. Delimitamos estratégias para sanar esse problema e atender ao exigido pela legislação, sem prejudicar aos serviços públicos. Em breve devemos nos reunir com o Legislativo para tratar da solução definitiva.

 

Candeia – Com base nas últimas decisões da Justiça, o senhor pretende realizar reforma administrativa com criação, extinção e substituição das funções e diretorias?

Abelardo Simões – Viemos com a vontade de realizar a reforma administrativa na prefeitura, tornando-a mais eficiente para a população, desde o começo. Porém, precisamos esperar passar as vedações do período de pandemia, além de, por prudência, aguardar o encerramento da tramitação da reforma administrativa federal.

 

Candeia – Pretende realizar concurso público para o preenchimento dos cargos necessários na prefeitura e no Saemba?

Abelardo Simões – Sem dúvida. A prefeitura e o Saemba estarão abrindo concursos de cadastro reserva, visando repor as vagas aberta por servidores que saíram da prefeitura. O edital deverá ser lançado ainda no presente ano.

 

Candeia – Por que a prefeitura abriu somente agora o processo de licitação para aquisição de sistema apostilado, com recebimento das propostas no início de maio?

Abelardo Simões – Se analisar nos anos anteriores, o processo para a licitação do sistema apostilado se inicia por volta do mês de outubro de cada ano, o que não feito pela administração anterior. E desde o início do ano passado (2020) o Sistema Anglo vinha alertando sobre a intenção de não renovar o contrato com a prefeitura de Bariri. Dessa forma, tivemos que começar todo o processo do zero no início de 2021, o que gerou o atraso em todo o processo. Destacamos também o esforço para economizar nesta contratação, sem perder a qualidade. Vale ressaltar que a partir do segundo bimestre do corrente ano tudo estará normalizado.

 

Candeia – Outro assunto que ensejou certa polêmica é com relação ao uso compartilhado da Casa da Agricultura. O que a administração municipal pretende realizar no local? É possível que no futuro a Casa da Agricultura deixe de prestar os serviços que realizava no passado, incluindo novos servidores estaduais?

Abelardo Simões – Não pretendemos extinguir os serviços prestados pela Casa Agricultura. Pelo contrário, deseja-se integrar aos serviços da prefeitura, através do uso compartilhado do espaço com a Diretoria Municipal de Obras, trazendo mais comodidade ao munícipe, uso adequado de espaço ocioso, e ampliação dos serviços. Em paralelo, estamos retomando os trabalhos do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural, visando dar uma atenção maior à política pública municipal, com a integração do Município ao Estado.