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José Roberto Fígaro Caldeira

“Quanto mais desenvolvido o país ou a região deste país, maior o risco para câncer de mama”

Movimento internacional de conscientização para o controle do câncer de mama, o Outubro Rosa foi criado no início da década de 1990 pela Fundação Susan G. Komen for the Cure. O mote da campanha de 2019 é “Cada corpo tem uma história. O cuidado com as mamas faz parte dela”. O câncer de mama é segundo tipo que mais acomete brasileiras, representando em torno de 25% de todos os cânceres que afetam o sexo feminino. Para o Brasil, foram estimados 59.700 casos novos de câncer de mama em 2019, com risco estimado de 56 casos a cada 100 mil mulheres. Segundo o médico mastologista José Roberto Fígaro Caldeira, a expectativa é que neste ano haja 14 mil mortes relacionadas a esse tipo de câncer. Ele afirma que é necessário que seja feita a prevenção. Caldeira é chefe do Serviço de Mastologia do Hospital Amaral Carvalho (HAC), de Jaú, especialista em Mastologia pela Sociedade Brasileira de Mastologia e doutor em ciências biológicas, genética e câncer de mama.

Candeia – Quais são as possíveis causas do câncer de mama?
Caldeira – As causas do câncer de mama ainda demandam estudos. Sabemos que se trata de interação entre fatores hormonais, ambientais e genéticos. É o tipo de tumor que está intimamente relacionado ao estilo de vida. Quanto mais desenvolvido o país ou a região deste país, maior o risco para câncer de mama.

Candeia – Há algum levantamento ou estudo sobre os casos de câncer de mama na região de Jaú?
Caldeira – Especificamente não, somente que Jaú pertencente à Região Sudeste do País, onde a incidência de câncer de mama estimada é de aproximadamente 63 casos para 100.000 mulheres.

Candeia – De que forma é feito o diagnóstico? Qual a importância do autoexame das mamas?
Caldeira – O diagnóstico compreende o exame clínico, exames de imagem, através de mamografia, ultrassom de mamas e até ressonância nuclear magnética das mamas se for necessário. O diagnóstico é confirmado se houver alguma lesão, como nódulo suspeito, realização de biopsia desta lesão e análise do material pelo médico patologista, revelando se tratar de câncer. O autoexame é a maneira de a paciente conhecer suas mamas e, surgindo anormalidade, procurar recurso.

Candeia – Quando é necessário e quem deve fazer a mamografia?
Caldeira – A mamografia na rotina como prevenção está indicada a partir dos 40 anos de idade. Isto não impede que se faça em pacientes mais jovens, que apresentem sintoma de nódulo mamário à palpação ou alteração de textura em determinado local da mama, que chamou atenção da paciente.

Candeia – Quais são os tratamentos para o câncer de mama?
Caldeira – Os tratamentos para o câncer de mama compreendem cirurgia, quimioterapia, radioterapia e hormonioterapia. São basicamente esses, quando indicados. O tratamento é individualizado.

Candeia – É verdade que pílula anticoncepcional aumenta o risco da doença? Por quê?
Caldeira – Atualmente poucos trabalhos científicos mais controlados e de melhor desenho demonstraram que houve aumento de risco para o câncer de mama se foi utilizado anticoncepcional por pacientes mais jovens e por maior período de utilização. Ainda necessitam trabalhos científicos com maior período de seguimento e bem estruturados.

Candeia – Que hábitos e comportamentos diminuem as chances de ter a doença?
Caldeira – Hábitos saudáveis, como alimentação balanceada, frutas, legumes, verduras, atividade física, baixa ingestão de bebidas alcoólicas (principalmente destilados), evitar a obesidade. Esses são alguns hábitos que colaboram para diminuir o risco do câncer de mama.

Candeia – Por causa da campanha Outubro Rosa, o senhor tem observado maior procura a serviços médicos e discussão sobre o assunto nos últimos anos?
Caldeira – Sim. Outubro Rosa já ficou conhecido como o mês de atenção e prevenção ao câncer de mama. Sem dúvida ocorre aumento na procura para prevenção, como realização de exame clínico, mamografia e ultrassom das mamas. O papel do médico mastologista é de fundamental importância na detecção clínica de alterações sutis nas mamas, assim como interpretar as imagens que os exames oferecem, decidindo por necessidade de investigação por biopsia ou não. É de fundamental importância manter no calendário o já consagrado Outubro Rosa. Segundo o Inca (Instituto Nacional do Câncer), o número esperado de câncer de mama para este ano é de 59.760 casos e aproximadamente 14.000 mortes. Vamos fazer a prevenção!