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Alberto Chaim

“Lembrando que a Campanha da Fraternidade não acontece automaticamente, as pessoas precisam abraçá-la e assumir o seu papel nessa importante iniciativa. Sem o engajamento de todos nada vai mudar”

Na Quarta-Feira de Cinzas, dia 26, houve o lançamento da Campanha da Fraternidade 2020. Na ocasião, o coordenador da campanha na Paróquia Nossa Senhora das Dores, Alberto Chaim, apresentou na missa das 19h o cartaz, o tema – “Fraternidade e vida: dom e compromisso” – e o lema – “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10, 33-34). No dia 5 de março, próxima quinta-feira, às 20h, Centro Catequético e de Evangelização (CCE), Chaim irá apresentar o texto-base, com estudo mais detalhado. Segundo ele, o que levou a CNBB a adotar o cuidado com a vida como tema deste ano é a necessidade urgente de se construir um novo paradigma de zelo pela vida humana. Chaim atua como coordenador da CF da Paróquia Nossa Senhora das Dores desde 2002. Há 26 anos trabalha como oficial de Justiça no Fórum de Bariri.

Candeia – Como o senhor avalia a escolha do tema da Campanha da Fraternidade deste ano?
Chaim – Creio que o tema deste ano é muito propício e oportuno, sobretudo num contexto social em que as relações em geral estão muito polarizadas e se acentua bastante o desprezo pela vida alheia. Vida que é o valor maior que possuímos, mas que se debate diante de uma cultura de morte cada vez mais difundida. Existem muitos mecanismos de morte hoje em dia, desde aquela praticada por meio de armas, a que convivemos diariamente no trânsito brasileiro e mesmo aquela silenciosa provocada pela fome, a miséria e a exclusão.

Candeia – Há alguma situação em especial vivida no País para a CNBB adotar essa campanha?
Chaim – Anualmente a Secretaria Executiva de Campanhas, da CNBB, recebe inúmeras sugestões de temas que pessoas e entidades, inclusive não ligadas à Igreja Católica, entendem como adequados para uma campanha e para discussão em nível nacional. O que levou a CNBB a adotar o cuidado com a vida como tema deste ano é a necessidade urgente de se construir um novo paradigma de zelo pela vida humana, assim entendido igualmente o cuidado com a natureza, uma vez que os índices de mortandade no Brasil só aumentam a cada ano, em decorrência de antigas e novas formas de desprezo pela vida.

Candeia – O lema da campanha é “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele”. Qual sua análise sobre o lema, com foco na parábola do Bom Samaritano?
Chaim – A parábola do Bom Samaritano é contada na Bíblia como uma forma de Jesus explicar quem é o meu próximo, e como devo me portar diante dele, em especial se se encontra fragilizado e debilitado. A definição de quem é o meu próximo não parte daquele que se depara com alguém caído. É o necessitado que determina essa relação. Portanto, sempre que nos encontramos diante de pessoas nessa situação, precisamos cuidar de alguma maneira delas. Mas primeiro é necessário ver, e não ser indiferente a tantas situações de morte que nos cercam. Ao enxergar isso, aproximar-se dessas realidades com compaixão, ou seja, com o sincero desejo de fazer o que for possível para minimizar aquela dor. Esse desejo só produz efeito se transformado em ações concretas, em gestos e compromissos eficazes. É o cuidado. Portanto, se a vida é um presente que recebemos, nossa atitude deve ser de cuidado, carinho e atenção para com a vida, tanto nossa quanto a alheia e a natureza.

Candeia – Como avalia a escolha da Irmã Dulce e do Pelourinho para ilustrar o cartaz da campanha?
Chaim – Foi uma grata surpresa tê-la como referencial de cuidado e de dedicação pela vida dos necessitados. Irmã Dulce dos Pobres, como é conhecida, é uma religiosa baiana que dedicou sua vida ao cuidado dos doentes, tendo sido canonizada pelo Papa Francisco e se tornado, então, a primeira mulher comprovadamente nascida no Brasil a ser considerada santa. A dedicação de Irmã Dulce é inspiradora nos dias atuais e serve de motivação para fazermos a nossa parte diante dos desafios de preservação da vida em todas as suas instâncias.

Candeia – De que forma o tema será trabalhado na Igreja Matriz Nossa Senhora das Dores?
Chaim – Como de costume e em nível nacional, o lançamento oficial da Campanha aconteceu na Quarta-feira de Cinzas, e deve perdurar por todo o ano de 2020, embora seu período mais forte seja no tempo da Quaresma. No dia 5 de março acontece a Apresentação do Texto-base da Campanha da Fraternidade, às 20 horas, no auditório do Centro Catequético e de Evangelização (CCE), e essa é uma oportunidade de conhecer a fundo o conteúdo da campanha. Essa explanação, aliás, é aberta a todos que tenham interesse em aprofundar o assunto e se engajar nessa empreitada em favor da vida. Como forma de conscientização e de sensibilização da importância do tema, diversas reflexões serão feitas, tanto no espaço celebrativo quanto fora dele, visando envolver toda a sociedade e despertar em todas as pessoas a necessidade do cuidado para com a vida.

Candeia – Na prática, de que forma a comunidade pode vivenciar a CF neste ano?
Chaim – Toda ação ou iniciativa, tanto individual quanto comunitária, em favor da vida deve ser valorizada. Ninguém pode ficar de fora dessa campanha: pessoas de todos os credos ou religiões, políticos, escolas, empresas, enfim, todos aqueles que sonham com um Brasil melhor e mais pacífico. A campanha possui inúmeras sugestões de atuação, ainda assim toda ajuda é bem-vinda no sentido do cuidado e da preservação da vida, inclusive no aspecto ecológico. Do menor ao maior gesto, todos estão convocados para essa empreitada. Lembrando que a Campanha da Fraternidade não acontece automaticamente, as pessoas precisam abraçá-la e assumir o seu papel nessa importante iniciativa. Sem o engajamento de todos nada vai mudar.