
A Prefeitura de Bariri vem intensificando, nos últimos meses, uma política de revisão patrimonial que inclui a avaliação e possível alienação de imóveis considerados ociosos ou subutilizados. A iniciativa, que ganhou novo capítulo com a designação de corretores para analisar três áreas adicionais — duas na Avenida das Indústrias e uma na Rua Santa Cruz —, busca reorganizar o portfólio imobiliário municipal e transformar ativos parados em novas oportunidades de desenvolvimento econômico.
Trata-se de um movimento relevante, especialmente em um cenário em que os municípios enfrentam limitações orçamentárias e precisam encontrar alternativas para ampliar receita e atrair investimentos privados. A venda ou concessão de áreas públicas não é, por si só, garantia de crescimento, mas pode ser um instrumento legítimo quando amparado por planejamento, transparência e interesse coletivo claramente demonstrado.
Nos últimos meses, Bariri intensificou esse processo: outras nove áreas estão com leilão marcado para 2 de dezembro, e duas alienações recentes — uma área adquirida pela Vntec, de Boraceia, por R$ 1,137 milhão, e outra comprada pela Safra Bebidas por R$ 5,4 milhões — mostram que o setor produtivo local e regional observa esses movimentos com atenção. Esses recursos são destinados ao Fundo Municipal de Desenvolvimento, o que, em tese, devolve à própria cidade a capacidade de reinvestir em infraestrutura, fomento econômico e serviços públicos.
Ainda assim, políticas de alienação exigem cautela. É necessário que cada venda seja devidamente justificada, que os imóveis tenham destinação clara e que a comunidade saiba quais contrapartidas ou benefícios concretos poderão advir dessas operações. A simples conversão de patrimônio em receita não deve ser encarada como solução automática; é indispensável que a prefeitura apresente — de forma acessível e contínua — o planejamento que orienta essas decisões e os critérios adotados na escolha das áreas disponibilizadas.
Dito isso, é inegável que Bariri busca construir um ambiente mais favorável ao investimento privado, à instalação de novas empresas e à ampliação industrial. Disponibilizar terrenos bem localizados pode, de fato, facilitar essa dinâmica. Mas o sucesso dessa política dependerá da combinação entre planejamento de médio e longo prazo, transparência na execução e acompanhamento criterioso dos resultados.
A alienação de imóveis públicos não deve ser tratada como tabu, mas também não pode ser vista como panaceia. É um instrumento — e instrumentos precisam ser usados com responsabilidade. Cabe à administração assegurar que cada decisão esteja alinhada ao interesse público e que o processo seja conduzido com clareza, objetividade e fiscalização.
Bariri vive um momento de reorganização administrativa importante. Transformar patrimônio ocioso em oportunidades pode ser positivo, mas somente se a cidade, de fato, colher frutos duradouros dessa estratégia. O debate, portanto, não se encerra com o anúncio dos leilões — ele está apenas começando.
























