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As crianças, especialmente, ficam surpresas ao ver instrumentos utilizados na expedição, como o teodolito, o sextante e a bússola

Nova Exposição

A visita à exposição “Mário Fava e a Carretera Panamericana”, no Museu Mário Fava – localizado em Bariri – permite um verdadeiro mergulho à história da maior aventura do homem por terra. Cenografia ricamente elaborada, objetos de época e recursos de áudio e vídeo incrementam a mostra. Quem conhece o Museu leva para casa a principal mensagem deixada pelo desbravador Mário Fava: seja persistente e jamais desista de seus sonhos.
A expedição teve início no Rio de Janeiro em 16 de abril de 1928 com o automóvel Ford T doado pelo jornal O Globo. Ele recebeu o nome Brasil. Finalizou após 10 anos, em 1938, e passou por 15 diferentes países.
Três brasileiros viajaram pelas Américas em busca da realização de um sonho. E conseguiram. Os heróis são o mecânico baririense Mário Fava, o aventureiro e tenente do exército Leônidas Borges de Oliveira, natural de Descalvado; e o auto ditada em engenharia Francisco Lopes da Cruz, nascido em Florianópolis (SC).
O Museu fica instalado em prédio histórico na região central da charmosa cidade do interior de São Paulo. No passado, ele abrigou a Sociedade Italiana de Bariri. O imóvel passou por ampla e completa reforma e em 21 de julho de 2019 comemorou um ano de funcionamento.
Desde o dia 1 de agosto o Museu recebe gratuitamente grupos de unidades escolares locais para conhecerem a nova exposição. Só no mês de agosto, 834 estudantes – das redes pública e privada – visitaram a entidade. Também foi prestigiado com a visita de pessoas de Bariri, de cidades da região, de outros Estados e países.
Vale destacar que todas as visitas são guiadas pela equipe do Museu. Uma palestra é apresentada pelo coordenador do projeto educativo, Maurício Tadeu de Andrade, logo após um vídeo é apresentado e na sequência todos podem tirar dúvidas e desvendar curiosidades. Os visitantes são convidados a entrar no salão principal e conhecer o acervo histórico.
As crianças, especialmente, ficam surpresas ao ver instrumentos utilizados na expedição, como o teodolito, o sextante e a bússola; adereços indígenas, pois os índios tiveram papel fundamental na expedição. Mas o ponto alto, sem dúvida, é conhecer o Ford T 1918, além da estátua de Mário Fava em tamanho real, a qual foi produzida pelo artesão carioca Hildebrando Lima.
Todos os estudantes são contemplados com o Jogo das Américas, um jogo de tabuleiro com perguntas e respostas sobre o tema, que pode ser explorado por amigos e familiares após a experiência no Museu. Além disso, participam do Jogo da Roleta, com perguntas e respostas também relacionadas à temática.
“A intenção do educativo da exposição é que as crianças levem para casa um objeto mediador que possa ser um elo entre o que a criança vivenciou no museu e o que ela absorveu dessa experiência. Assim, ela será agente multiplicadora de conhecimento, seja em casa, na escola, com amigos e familiares”, diz Andrade.

Nossos heróis

Os jovens incansáveis percorreram mais de 27 mil quilômetros e o percurso deu origem à atual Carretera Panamericana. Os três saíram do Brasil com destino aos EUA inspirados em um sonho: queriam provar que era possível unir as Américas por uma rodovia. Boa parte do caminho foi aberta a pás, picaretas e bananas de dinamite.
“Embora as dificuldades tenham sido significativas, a força de vontade de nosso intrépido mecânico e seus dois companheiros não os deixou abater. E conseguiram, com determinação, concluir o traçado da rodovia. Alguns instrumentos ajudaram na missão, entre eles a bússola, e também o teodolito e o sextante, os quais medem ângulos”, ressalta o curador José Augusto Barboza Cava, o Cavinha.
Pelas cidades que passavam, os expedicionários eram tratados como visitas ilustres. Nos Estados Unidos, ponto final da expedição, foram recebidos pelo lendário Henry Ford, em Detroit, e reuniram-se com o então presidente Franklin Delano Roosevelt, na Casa Branca.

Acervo histórico

A coordenadora geral do projeto, Renata Prado, reforça que a exposição reúne documentos, fotos e objetos de época que ilustram a história em cada um dos 15 países visitados, por meio de pesquisas realizadas com moradores e pesquisadores locais que arquivaram jornais, fotos e histórias da época.
Renata acrescenta que uma área de imprensa também faz parte da mostra. Ela é composta por arquivo digital contendo matérias, desde a época do início da viagem até os dias atuais.
Explica também que os textos expostos em painéis são acompanhados por tela interativa. Nela, o visitante pode selecionar o país de seu interesse e ouvir sobre os acontecimentos deste trajeto. É disponibilizado áudio guia para deficientes visuais. Além disso, o Museu conta com cadeira de rodas para pessoas com mobilidade reduzida.
“Nosso objetivo é levar o visitante em uma viagem pelo tempo, fazendo com que ele absorva o conteúdo da exposição de maneira natural, conhecendo a vida deste herói baririense Mario Fava e os principais trechos dessa grande aventura. Queremos que os cidadãos baririenses sintam-se orgulhosos desse patrimônio cultural”, completa Renata.

Serviço

Unidades de ensino interessadas em conhecer a exposição, de Bariri ou região – da rede pública ou privada – podem entrar em contato com a equipe do Museu para realizar o agendamento. A exposição “Mário Fava e a Carretera Panamericana” segue até o mês de dezembro e oferece a entrada e o transporte gratuitos para os grupos.
A previsão é que 2,5 mil estudantes vivenciem a surpreendente história dos desbravadores Leônidas Borges de Oliveira, Francisco Lopes da Cruz e o baririense Mário Fava. O Museu fica na rua Tiradentes, 410. Centro. Telefone: (14) 3662-1317. (Texto: Juliana Campos, jornalista)

Cronologia

Rio de Janeiro: Em 16 de abril de 1928 a expedição partiu com o automóvel Ford T doado pelo jornal O Globo, o Brasil

Petrópolis: Foram recebidos pelo presidente Washington Luis

São Paulo: Francisco Lopes da Cruz passa a fazer parte da expedição. Ganham do Jornal do Comércio uma caminhonete Ford T, o São Paulo

Descalvado: Terra natal do comandante da expedição, Leônidas Borges de Oliveira

Pederneiras: O mecânico Mário Fava incorporou-se à equipe

Bauru: Foram assaltados em um hotel

Mato Grosso: Mário Fava foi atacado por uma onça

Paraguai: Receberam título de Hóspedes de Honra

Argentina: Hóspedes oficiais do governo

Bolívia: Iniciaram a trajetória pelos Andes. Não havia combustível

Peru: Levaram quatro meses para atravessar a cordilheira. Passagem marcada por diversos acidentes

Equador: Foram recebidos como heróis

Colômbia: Passaram meses na selva

Panamá: Encontraram com atletas a caminho das Olimpíadas de 1932

Costa Rica: Ficaram encantados com as belezas naturais

Nicarágua: Foram testemunha da crise política do país e encontraram-se com o líder rebelde Augusto Sandino

Honduras: Cruzaram 187 km do país em 8 dias

El Salvador: Incorporaram no traçado da futura carretera, seguimento de estrada já construída
Guatemala: Ficaram seguros do sucesso da expedição
México: Ficaram sensibilizados com a hospitalidade do povo
Estados Unidos: Já consagrados pelo sucesso da expedição, foram recebidos por Henry Ford e pelo presidente Roosevelt
Rio de Janeiro: Retornaram ao Brasil por via marítima, chegando ao Rio de Janeiro em 25 de maio de 1938, depois de passarem por 15 países das três Américas após 10 anos 1 mês e 9 dias e rodarem 27.631 km