Slider

No museu, ao lado do Ford T, Everson e Cléa recepcionados pelo curador José Augusto Cava, o Cavinha – Rosana Acçolini/Candeia

Há dois anos, assistindo um programa de TV aberta, a professora de História, Cléa Rubiane de Souza Granada, 48 anos, natural de Alvorada, região metropolitana de Porto Alegre, se encantou com a façanha de três valentes brasileiros que fizeram a primeira viagem entre Brasil e os Estados Unidos.
Mais do isto: Cléa ficou sabendo que em Bariri – cidade no interior paulista – existe um museu que guarda o legado desses desbravadores brasileiros que percorreram as três Américas em um Ford T – em especial do mecânico Giuseppe Mário Fava, filho da terra.
Cléa é casada com o engenheiro eletrônico, Everson Lopes Granada, 47. Eles residem na cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul, quase fronteira com o Uruguai. Há doze anos o casal tem como principal projeto de vida percorrer de carro o território brasileiro e outros países.
Diante da paixão da historiadora por essa façanha, não foi difícil para o casal decidir que Bariri e o Museu Mario Fava integrariam o roteiro de uma de suas próximas viagens. Pesquisaram sobre o assunto e, através das redes sociais, conversaram com um dos responsáveis pela instalação do museu, o engenheiro baririense, Osni Ferrari.
A curiosidade e fascínio só aumentaram. Então, no mês de férias escolares, eles partiram rumo a Bariri. Depois de uma semana de viagem e percorrer 1.400 km – com paradas em Apuaí (SP), onde conferiram as esculturas de argilas, grutas e cachoeiras, e Curitiba (PR), para rever parentes – Everson e Cléa chegaram ao museu e foram recepcionados pelo curador José Augusto Cava, o Cavinha.
Na entrevista ao Jornal Candeia, ficou evidente a emoção do casal diante das peças, textos, documentos, relatos, fotografias e demais acervo, que comprovam a façanha de Mário Fava, Leônidas Borges de Oliveira e Francisco Lopes da Cruz.
Cléa chega às lágrimas quando fala sobre seu encantamento. Com o fone de ouvido, escutando o documentário sobre a viagem, ela afirma que os baririenses devem se orgulhar de ter Mario Fava como conterrâneo e, principalmente, de contar com o museu.
Everson destaca o Ford T. “Olhar para esse carro e imaginar que ele conseguiu atravessar três Américas, vencer tantos obstáculos. Não tem como não se emocionar”, comenta.
O casal criou um projeto pela internet intitulado “Sigam-me os bons pelo mundo”, que retrata as viagens e aventuras que faz, com fotos, roteiros, dicas e muita troca de experiências com outros viajantes.
Cléa afirma que vai utilizar a ferramenta on line para divulgar o Museu Mário Fava. Para ela, “essa é a maior aventura terrestre que conheci. Merece ser compartilhada por todo mundo”.

Caminhonete/casa

Um capítulo à parte das viagens do casal de Pelotas é o veículo que utilizam para as aventuras. É uma caminhonete/casa. Sobre a plataforma de um S10 Chevrolet Higt Country eles instalaram uma residência móvel com camas (inclusive uma para hóspedes), cozinha, banheiro, armários, geladeira, TV e outros eletrodomésticos.
O casa móvel dispõe de energia (solar e bateria) e rede de água (com temperatura quente e fria). Apesar do pouco espaço, as viagens do casal são realizadas em evidente conforto.
Everson aproveitou seus conhecimentos de engenheiro para idealizar o projeto da caminhonete/casa. Planejou e acompanhou a montagem de cada detalhe. Até agora, investiram de R$ 330 mil.
Ele conta que antes viajavam de carro regular e se hospedavam em hósteis, hotéis e pousadas. Muitas vezes, isso limitava os roteiros a locais que dispõem desses alojamentos. Agora, com a caminhonete/casa os trajetos e roteiros se ampliaram.
Depois de Bariri, eles seguem a viagem rumo à Chapada Diamantina na Bahia e devem acabar o passeio em Canindé de São Francisco, município no extremo noroeste do estado de Sergipe.

O casal criou um projeto pela internet intitulado “Sigam-me os bons pelo mundo”, que retrata as viagens e aventuras que faz – Rosana Acçolini/Candeia