Slider

“Hoje sinto que sou uma pessoa, esposa, mãe e médica melhor”. É assim que a cardiopediatra, Silvana Conceição Furcin Moraes”, de 47 anos, define a importância em sua vida.do movimento Mães que Oram pelos Filhos, também denominado Associação de Mães que Oram Pelos Filhos (AMO).

Desde agosto de 2018 – data do início do movimento em Bariri – ela coordena o grupo de cerca de 40 mulheres que se reúnem uma vez por semana (às quartas-feiras, após a missa das 19h, no Santuário Nossa Senhora Aparecida, no Jardim Nova Bariri) para aprendizagem, troca de experiência, apoio e oração mútua pelos filhos.

Em entrevista ao Candeia, Silvana afirma que diferentes relatos e testemunhos de participantes de grupo, ao longo desses três anos, confirmam a crença que embasa o movimento: “tudo pode ser mudado pela força da oração”.

Apesar de ser de família católica praticante, a médica conta que até integrar o grupo, nunca havia participado de pastoral nem assumido qualquer papel de liderança dentro da igreja. “Soube do movimento e tive vontade de criar em Bariri. Externei essa ideia durante confissão com Padre Marcelo Francelin e a resposta dele foi surpreendente”, afirma.

O pároco afirmou que havia recebido da diocese aval para estimular a criação do grupo e que uma pessoa iria procurá-lo para iniciar o movimento. “Pelo jeito, essa pessoa é você”, disse padre Marcelo. Para Silvana, o episódio comprova que ela recebeu “um chamado de Deus” ao iniciar a formação do grupo.

 

Cronograma nacional

 

No início, as mulheres do Santuário receberam o apoio do grupo de Matão, que coordenava o movimento na Diocese de São Carlos. Aos poucos o movimento local se fortaleceu e passou a ter sua própria agenda, mas sempre seguindo o cronograma do núcleo central. “A coordenação nacional elabora o roteiro, que é transferido para o grupo estadual, que repassa para os grupos em cada paróquia”, relata Silvana.

Em Bariri, a associação “Mães que Oram pelos Filhos” funciona através de ministérios, espécies de subgrupos de coordenação, como os de súplica, música, formação (Escola de Nazaré) e de mídia.

O encontro semanal é basicamente para a oração, de forma simples, sem muitas técnicas ou efusões, para que todas possam se sentir bem em participar. “Nada fora do comum, oração focada nos pedidos pelos filhos e agradecimentos pelas graças obtidas”, descreve.

Segundo Silvana, muitas delas participam de outras ações na paróquia, como pastorais e liturgia, ou são ministras extraordinárias da eucaristia. “No movimento fazemos o que a nossa patrona, Nossa Senhora da Salete, ensinou: oração, conversão e penitência”.

Ela relata que devido às restrições impostas pela fase emergencial da pandemia de Covid-19, os encontros presenciais ficaram suspensos. Por isso, criaram grupo virtual que diariamente reza o terço, às 20h30. Foi a forma que encontraram para permanecer em integração. “Agora, mesmo com o retorno dos encontros presenciais, decidimos manter também o grupo virtual de oração”, afirma.

 

Entronização

 

Há um ano, o atual administrador paroquial, Padre Evandro Pimentel, acompanha a trajetória do grupo e, segundo Silvana, mantém o mesmo apoio que antes era dado por Padre Marcelo.

No final de 2020, o grupo adquiriu imagem de 60 cm de Nossa Senhora da Salete, que é o símbolo da AMO, uma das invocações marianas mais conhecidas da contemporaneidade, avistada no topo de uma montanha francesa a chorar por todos os filhos do mundo, trazendo revelações e pedindo pela intercessão das mães. Sua figura em posição trágica inspirou uma das mães formadoras do AMO, que contou sua experiência quando avistou uma representação de Nossa Senhora da Salete.

Padre Leandro teve a iniciativa de reservar um espaço específico no altar do Santuário para a imagem da patrona. A ideia foi aprovada e comemorada pelo grupo. Assim, fiéis e mães do movimento podem a qualquer momento demonstrar a devoção à patrona.

No dia 21 de abril, com o final da fase emergencial da pandemia e após quatro meses de espera, o grupo participou da cerimônia de entronização da imagem de Nossa Senhora da Salete no altar do Santuário. Segundo Silvana, a celebração foi emocionante e a presença da imagem no altar representa nova etapa de fortalecimento ao grupo.

Antes da pandemia: cerca de 40 mulheres se reúnem uma vez por semana, às quartas-feiras, após a missa, no Santuário Nossa Senhora Aparecida – Divulgação

Durante a pandemia: o encontro é basicamente para aprendizagem, troca de experiência, apoio e, em especial, oração mútua pelos filhos – Divulgação

Cerimônia de entronização da imagem de Nossa Senhora da Salete representa nova etapa para o movimento em Bariri – Divulgação

 

A história do movimento

 

No começo dos anos 2000, o movimento Moms in Prayer organizava grupos de mães para orarem por seus filhos e suas escolas, intercedendo por todas as crianças. Com a internet, especialmente, o movimento começou a se internacionalizar e criar células em diferentes continentes. Muitas obras inspiradas na iniciativa foram publicadas.

Uma dessas obras foi Every child needs a praying mom, publicada no ano de 2005, de autoria de Fern Nichols, traduzida no Brasil como “Todo filho precisa de uma mãe que ora”.

Nas mãos de Vanessa Campos, essa leitura foi inspiradora e determinante para convocar sua mãe, Angela Abdo Campos Ferreira, e outras mães de sua comunidade para que criassem um elo de oração pelos filhos. O grupo pertencia à Paróquia São Camilo de Léllis, em Mata da Praia, Vitória/ES,

O grupo logo chegou às dezenas e ajudou a fundar células em outras regiões. As graças começaram a ser compartilhadas por diversas mães na descoberta da vocação espiritual da maternidade, o amadurecimento e a construção de fortes ligações como comunidades.

Ao final de 2011 o grupo em expansão, produzia materiais instrucionais para a criação de grupos de Mães que oram pelos filhos. A Associação de Mães que Oram Pelos Filhos (AMO) publicou seu primeiro livro em 2014, durante o Kairós do Dia das Mães, pela editora Canção Nova, aumentando ainda mais o alcance e as diretrizes para a formação de grupos.

Mães que passaram a viver no exterior levaram consigo os princípios fundamentais do grupo, criando células internacionais de mães que lutam, de todos os lugares do mundo.

Hoje a AMO tem centenas de grupos formados e instruídos dentro das atividades da associação – um deles em Bariri – que oferece uma série de materiais: em seu site, através de livros, programas na TV, perfis nas redes sociais, nas plataformas de vídeo e paróquias.

 

Fonte: Site Sabatini