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Trecho do rio considerado morto e impróprio para o uso mais que dobrou nos últimos quatro anos, aponta Fundação SOS Mata Atlântica – Divulgação

A mancha de sujeira do Rio Tietê avançou e atingiu 163 km, a maior extensão dos últimos 6 anos, de acordo com um relatório divulgado pela SOS Mata Atlântica nesta quarta-feira (18).

O estudo da ONG monitora 566 km do Tietê, que tem 1.100 km, desde sua nascente, em Salesópolis, no interior de São Paulo, até a foz no Rio Paraná, no município de Itapura. Os técnicos analisam a qualidade da água em quase 100 pontos.

O resultado deste ano revelou que a poluição atingiu 163 km do rio, um aumento de 33% em relação ao ano passado, e a maior mancha desde 2013. A mancha representa 28,3% do trecho monitorado.

“Infelizmente, os índices monitorados dessa mancha nos remetem aos dados de 2013. É como se nós tivéssemos voltado no tempo. Todo investimento em saneamento básico não tem sido suficiente ou capaz de evitar as outras ações, como uso irregular do solo, o desmatamento e os efeitos do clima na gestão do rio”, disse Malu Ribeiro, coordenadora da Rede de Águas da SOS Mata Atlântica.

Depois de passar por algumas cidades da Grande São Paulo, o Tietê que chega à capital está praticamente morto. As águas escuras e com mau cheiro muito forte estão carregadas de esgoto não tratado, que vem das casas, indústrias e áreas de cultivo agrícola.

O estrago fica ainda mais visível em cidades como Salto, no interior do estado, onde as quedas formam uma espuma tóxica no rio.

O presidente da Sabesp (Companhia de Saneamento de São Paulo) diz que parte da culpa pelo aumento da poluição é de cidades metropolitanas – Guarulhos, a segunda maior do estado, só trata 12% do esgoto.

“Onde houve um aumento da mancha de poluição é onde nós temos menos tratamento dos esgotos. Há coleta e não há tratamento”, disse Benedito Braga, presidente da Sabesp. “É um rio de cabeceira, com vazões baixas, que tem água que vem de outras bacias hidrográficas. Então isso representa um desafio muito grande”, continuou.

Para a responsável pelo estudo, a cura do Tietê exige uma solução articulada: “Fazer com que a despoluição seja um projeto de estado, e que todos os municípios da bacia do tietê estejam integrados a esse programa”, concluiu Malu Ribeiro, da SOS Mata Atlântica.

Fonte: G1