Acusado de homicídio em Bariri irá responder em liberdade

Advogado Guido Sérgio Basso residia em Bastos e veio a Bariri fazer medições em residência – Divulgação

Engenheiro eletrônico Cyro Cesar de Aguiar estava na casa quando advogado foi ao local – Divulgação
A Justiça de Bariri determinou a liberdade provisória do engenheiro eletrônico Cyro Cesar de Aguiar, 66 anos, indiciado por homicídio. A decisão judicial foi tomada no início da tarde de quarta-feira, dia 3, após a realização de audiência de custódia na 1ª Vara Judicial de Bariri.
Aguiar foi preso em flagrante pela polícia um dia antes, por eventualmente ter provocado a morte do advogado Guido Sérgio Basso, 61 anos, morador de Bastos. Ele era natural de Bariri e tinha familiares na cidade. O crime ocorreu em residência na Rua José Bonifácio, no centro, adquirida pelo advogado em leilão.
Para a defesa de Aguiar, o engenheiro eletrônico agiu em legítima defesa por ter sua casa invadida pelo advogado (leia box).
A Justiça entendeu que Aguiar é primário, sem antecedentes criminais, aposentado, com residência fixa em Bariri. Também mencionou em sua decisão que o indiciado não ofereceu resistência quando conduzido à Delegacia de Polícia para ser interrogado.
Para o Judiciário, não é possível afirmar que o retorno ao convívio social de Aguiar causará riscos à ordem pública e à instrução processual.
Ele poderá ser preso preventivamente caso atrapalhe a investigação. Além disso, terá de cumprir medidas cautelares, como comparecimento mensal em juízo para informar suas atividades e proibição de ausentar-se da comarca sem autorização judicial.
O promotor de Justiça Silvio Brandini Barbagalo recorreu ao Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo requerendo a prisão temporária do acusado. O recurso é denominado Recurso em Sentido Estrito.
Medição
Basso e a esposa, a arquiteta Sônia Maria Lopes, 58 anos, vieram a Bariri para fazerem medições na residência localizada no centro da cidade. O imóvel foi arrematado pelo advogado num leilão.
A reportagem apurou que o advogado tinha a escritura e, quando foi fazer o registro, soube que o imóvel tinha três escrituras separadas num mesmo lote. Por esse motivo foi orientado a fazer a unificação dos lotes.
Na terça-feira, dia 2, o casal viajou para Bariri para fazer a medição necessária para o projeto de unificação, que havia sido solicitado pelo Cartório de Imóvel. A posse do imóvel só seria realizada posteriormente a documentação.
Velório
O corpo de Basso foi velado no Velório da Santa Casa de Bariri, com início na manhã de quarta-feira, dia 3. O sepultamento ocorreu na manhã de ontem, dia 5. Houve demora para que fosse aguardada a chegada da filha do advogado, a qual mora na Austrália.
O casal era bastante conhecido em Bastos. Basso foi presidente do Rotary Club de Bastos no biênio 2006-2007. Sua esposa, Sônia, presidiu o clube no biênio 2004-2005. Além disso, ela foi vereadora na cidade e disputou a eleição para prefeito em outubro de 2016.
Crime ocorreu no centro da cidade

Crime ocorreu em casa situada na Rua José Bonifácio, no centro de Bariri: imóvel foi adquirido pela vítima em leilão – Foto: Robertinho Coletta/Candeia
O homicídio do advogado Guido Sérgio Basso, 61 anos, ocorreu por volta das 12h30 de terça-feira, dia 2, em residência situada na Rua José Bonifácio, no centro de Bariri.
O corpo foi encontrado num dos quartos da casa. Os tiros foram concentrados aparentemente no tórax e lateralmente à direita. A arma estava na mão direita da vítima.
Policiais que estiveram no local observaram certa desordem na casa e não puderam aferir indícios seguros de luta corporal entre os dois homens.
O engenheiro eletrônico Cyro Cesar de Aguiar, 66 anos, foi localizado momentos mais tarde na Rua Aziz Chidid, no Jardim Panorama. Foi abordado sem que tivesse reagido, não portando arma ou outros objetos.
Aguiar relatou aos policiais que a casa arrematada em leilão havia sido invadida pelo advogado. Também disse que discutiram, momento em que Basso teria sacado arma de fogo e efetuado dois disparos em sua direção.
Os homens teriam entrado em luta corporal, ocasião em que o advogado foi atingido pelos disparos que tiraram sua vida. Segundo os policiais, o engenheiro eletrônico não aparentava lesões.
A esposa de Basso, a arquiteta Sônia Maria Lopes, contou à policia que o marido abriu o portão da garagem da casa, que estava encostado. Nesse momento, ela também desceu do veículo.
O advogado se aproximou da porta da sala, quando teria sido advertido pelo morador que não era para entrar.
Basso teria dito ao homem que precisava entrar na casa para fazer medições e futura regularização da matrícula. Assim que o marido entrou no imóvel, a mulher não o viu mais.
Sônia ficou na calçada. Quando os homens entraram não teria ouvido discussão. Na sequência, escutou três disparos de arma de fogo. Chamou pelo marido, que não atendeu.
A arquiteta teria corrido até a porta da sala, mas não entrou. Deparou com Aguiar na sala com uma arma de fogo em mãos. Ele teria dito à mulher para não entrar senão iria atirar.
Por esse motivo, Sônia correu e quando se afastava teria escutado o barulho de mais um disparo no interior da casa. Ela afirmou à polícia que o marido não entrou armado no imóvel.
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Acima reportagem do Sistema Belluzzo feita no dia do ocorrido, entrevista populares e policiais no local do incidente – Reprodução/Facebook
Defesa
O advogado de Aguiar, Eliel Pacheco, apresenta outra versão. Segundo ele, Basso teria invadido a casa com arma em punho, calibre 32 e sem registro. Em seguida, teria atirado em Aguiar, mas os projéteis não o acertaram. Depois, os homens entraram em luta corporal, ocasião em que o advogado teria sido baleado e morto.
Pacheco diz que o engenheiro eletrônico tinha um revólver calibre 38 devidamente registrado. A arma foi apreendida pela polícia no interior da casa.
O advogado relata ainda que Aguiar havia ajuizado processo contra um banco a fim de receber diferenças de uma negociação. Por esse motivo, a casa comprada pelo advogado ainda não estava registrada ou em posse de Basso.
Pacheco aponta que a legislação permite que qualquer cidadão reaja à invasão de sua casa e também não permite que ninguém invada uma casa sem autorização.
A Polícia Civil aguarda laudos periciais, entre eles o de corpo de delito e residuográfico nas mãos dos dois homens para determinar a dinâmica do crime.
Das oitivas, a Polícia Civil teria chegado à conclusão que Aguiar era quem portava a arma e teria usado o revólver em represália à presença do advogado. A autoridade policial requereu a conversão da prisão em flagrante para prisão preventiva até a realização de audiência de custódia. O engenheiro eletrônico ficou detido até quarta-feira, dia 3, quando foi concedida a ele pela Justiça a oportunidade de responder em liberdade.
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Após audiência de custódia, delegado de defesa Eliel Pacheco concedeu entrevista ao Jornal Candeia – Reprodução/Facebook
























