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Robertinho Coletta/Candeia

Alcir Zago

 

Após familiares do menino Miguel terem registrado boletim de ocorrência por possível negligência no atendimento à gestante Grazieli de Souza Xavier, a Polícia Civil de Bariri instaurou inquérito para apurar o caso.

O garoto não sobreviveu ao parto realizado na madrugada de segunda-feira, dia 2. A equipe médica que fez a cesariana relata que o menino nasceu morto. Familiares da gestante contam que a mulher chegou a ouvir o choro do bebê.

O delegado responsável pelas investigações, Durval Izar Neto, explica que serão ouvidos médicos, Grazieli e familiares dela.

Também será requisitado parecer de médico do Instituto Médico Legal (IML) de Jaú para apontar o real motivo da morte do bebê. Como não foi feito exame necroscópico na criança, o legista irá se ater a documentos como o prontuário médico da gestante. O jornal apurou que a família teria se negado em encaminhar o corpo ao IML.

Familiares de Grazieli relataram que ela começou a sentir dores e contrações no sábado, dia 29, e procurou o pronto-socorro (PS) da Santa Casa. Médico de plantão ministrou medicamentos e liberou a gestante para casa.

No domingo, dia 1º, ainda com dores, ela retornou ao PS. Como as dores não passavam, a médica que a atendeu resolveu interná-la.

Perto das 5h de segunda-feira, dia 2, o médico ginecologista Luiz Eduardo Rodrigues de Almeida fez o parto, no entanto, a criança teria nascido morta, com o cordão umbilical enrolado no pescoço.

A maior queixa da família é que se fosse feita cesariana no sábado ou no domingo a criança não teria morrido. Além disso, a realização de exame de imagem (ultrassom) poderia mostrar a situação do bebê na barriga da mãe.

Robertinho Coletta/Candeia

Expulso da coletiva

 

Na tarde de segunda-feira, dia 2, os médicos Luiz Eduardo Rodrigues de Almeida (obstetra que fez o parto) e Jésus Fernandes da Costa Junior (anestesista que também atuou na cesariana) concederam entrevista coletiva à imprensa.

Luiz Eduardo disse que a mulher, de 36 para 37 semanas de gravidez (oito meses de gestação), não estava em trabalho de parto e que as dores poderiam ser relacionadas à própria gestação, por isso não foi feita a cesárea antes. “O exame de cardiotocografia não relevava contrações”, afirmou o obstetra. “Não iria fazer cesárea sem motivos.”

Segundo ele, a internação no domingo foi para avaliar a situação da gestante. Ela apresentava os mesmos sintomas, com batimento cardiofetal (BCF) positivo e ausência de contrações. O exame de urina também deu resultado normal.

De acordo com o médico, o contato da Santa Casa de Bariri com ele foi feito por volta das 5h30 de segunda-feira, dia 2. A informação é que o BCF estava baixo, isto é, 132 batimentos por minuto. Pediu para a equipe de enfermagem preparar a paciente que viria de Jaú a Bariri para realizar o parto.

Ele atribui a morte do menino à dupla circular de cordão ao nascer. Ou seja, o cordão umbilical teria enforcado a criança ainda na barriga da mãe.

Durante a fala de Luiz Eduardo, familiares de Grazieli reclamaram de forma veemente da atuação do médico. Eles saíram e retornaram depois juntamente com o vereador Vagner Mateus Ferreira (PSD). Aos berros, o parlamentar expulsou o médico da Santa Casa de Bariri.

Em seguida, Jésus voltou a falar com a imprensa. Segundo ele, o atestado de óbito da criança assinado pela pediatra Josaine Foloni Aquilante foi insuficiência placentária (placenta teria ficado envelhecida mais cedo).

O anestesista, que integra a equipe intervencionista que administra o hospital, aponta também que o bebê não teria crescido o suficiente no último mês de gestação.

Outra possibilidade mencionada pelo médico é má-formação cerebral – seria o mesmo caso de criança residente em Itaju, que sobreviveu por poucos dias.

Jésus citou ainda sofrimento fetal, em que a placenta não se desenvolve de forma adequada, dupla circular de cordão e finalmente possibilidade de falta de atendimento. “Se atendimento não foi feito da forma correta, tem de ser apurado”, comentou.

Segundo ele, durante o parto não foi possível perceber o choro da criança ao nascer. Diz que seu foco era na mãe, por ser anestesista.

O médico diz que a Santa Casa de Bariri realiza aproximadamente 40 partos por mês. Conta que nesta semana foram feitas duas cesáreas em que as mulheres tiveram descolamento de placenta.

De acordo com Jésus, foram casos em que não haveria tempo hábil de transportar as mães para outra unidade médica. “Sem maternidade em Bariri, as crianças poderiam ter morrido”, diz.

Robertinho Coletta/Candeia

Prefeito determina afastamento do obstetra

 

Em entrevista ao Jornal Candeia, na terça-feira, dia 3, o prefeito Francisco Leoni Neto (PSDB) disse que oficiou a equipe interventora da Santa Casa de Bariri para que afastasse o médico Luiz Eduardo Rodrigues de Almeida.

O motivo é a reincidência em casos envolvendo partos na cidade. “Não estou condenando o médico, mas diante da sucessão de fatos que aconteceram, tenho certeza que era a medida mais correta que eu tinha de tomar”, diz Neto Leoni.

O prefeito conta que no ano passado, por um problema ocorrido durante parto em Bariri, havia determinado o afastamento de Luiz Eduardo do serviço que prestava à prefeitura por meio de uma empresa terceirizada.O mesmo pedido foi feito à equipe interventora do hospital, no entanto, não foi acatado.

O prefeito entende que caso tem de ser apurado pela Polícia Civil e pelo corpo clínico do hospital. “É muito leviano alguém querer culpar o prefeito por esse fato”, afirma Neto Leoni. “Não é porque a prefeitura é interventora da Santa Casa que num episódio desse a culpa é do prefeito. Cada um tem de ter sua responsabilidade.”

De acordo com ele, fatalidades e erros acontecem, e os responsáveis têm de ser punidos.

Sobre as constantes falhas nos atendimentos à distância no plantão do pronto-socorro, Neto Leoni menciona que os próprios gestores relatam que há dificuldade em encontrar profissionais. Mesmo médicos de Bariri têm se negado em fazer plantão.

Conforme decisão da Justiça em ação civil pública movida pela Promotoria de Justiça, os plantonistas à distância (anestesista, clínica médica, pediatria, cirurgia geral e ortopedia) têm de comparecer à Santa Casa de Bariri, quando chamados, em 15 minutos ou 30 minutos, conforme a emergência.