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Aposentado está curado da Covid-19: com enfisema pulmonar, diz que foi a pior crise respiratória que já teve e que não conseguia tomar banho em pé – Foto: Robertinho Coletta/Candeia

Alcir Zago – Até o momento Bariri registrou um caso do novo coronavírus (Covid-19) em exame feito por laboratório credenciado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), no caso o Instituto Adolfo Lutz.

Trata-se de um aposentado de 64 anos, que ainda trabalha. Na segunda-feira, dia 27, ele contou como enfrentou a doença (a família concordou em falar com o Candeia com a condição de que o nome do aposentado fosse mantido em sigilo).

Outro caso, de um homem de 37 anos, testou positivo em laboratório particular e negativo pelo Adolfo Lutz.

No fim de março ele começou a sentir dores de garganta. Por causa de enfisema pulmonar, costuma fazer uso rotineiramente de oxigênio em casa. Além disso, já sofreu três infartos e tem refluxos constantes.

Pensando que a dor era decorrente do histórico dessas comorbidades, a filha do idoso dirigiu-se a uma drogaria e comprou medicamento e pastilhas. O quadro piorou e evoluiu para inchaço nos pés e pernas e falta de oxigênio.

Por esse motivo, procurou a Santa Casa de Bariri. Uma médica determinou que fosse internado e, devido aos sintomas de Covid-19, pediu a realização de exame para atestar ou descartar a doença.

O idoso ficou internado em isolamento de 3 a 8 de abril. No mesmo período ele contraiu cirrose.

Assim que melhorou, teve alta e foi para casa. Enquanto se recuperava em domicílio e mantinha a quarentena, o hospital recebeu o resultado do exame do homem: positivo.

No dia seguinte à chegada do exame, o interventor da Santa Casa de Bariri, Marco Antonio Gallo, pediu para que o homem fosse internado novamente. O intuito foi acompanhar melhor a evolução da doença e investigar a situação de pessoas próximas. Na reinternação acabou sendo medicado com cloroquina.

Familiares relatam que o idoso não viajou para outras cidades e não recebeu visitas de pessoas de fora. Costuma manter rotina de ir ao trabalho e a poucos locais, como bancos, supermercados e alguns estabelecimentos comerciais.

Trata-se de um indício de que tenha contraído a Covid-19 de alguma pessoa que reside em Bariri e não tenha manifestado os sintomas.

Uma filha do aposentado acompanhou-o desde que procurou o hospital pela primeira vez. Ela acabou entrando no isolamento e há semanas está sem ver o seu marido. Ao todo, pai e filha ficaram 15 dias totalmente longe do contato com outras pessoas. Até mesmo funcionários do hospital utilizavam procedimentos e equipamentos de proteção individual (EPIs) para entrar no quarto onde eles ficaram.

Sobre o enfrentamento da doença, o idoso diz que é grave. “Foi a pior crise respiratória que já tive”, conta. “Perdi o paladar e não conseguia nem beber água. Não conseguia tomar banho em pé e, curioso, não sentia dor alguma, somente a falta de ar.”