Composição 1_1
Composição 1_1

Engenheira civil Fernanda Perez Venturini falou à Candeia TV – Foto: Robertinho Coletta/Candeia

Dez pessoas morreram em um incêndio no Centro de Treinamento do Flamengo no início da manhã de 8 de fevereiro Todas as vítimas eram atletas da base do time – tinham entre 14 e 16 anos.

O fogo destruiu parte dos alojamentos do Ninho do Urubu, em Vargem Grande, Zona Oeste do Rio.

Segundo a engenheira civil Fernanda Perez Venturini, os módulos de seis contêineres foram feitos para descanso, mas depois se transformaram em alojamento noturno. Eram compostos por parede sanduíche (duas placas de metal e, dentro, um isolante término e acústico – espuma de poliuretano).

Fernanda comenta que esse tipo de espuma foi o mesmo material que agravou o acidente na Boate Kiss, em janeiro de 2013, que resultou em 242 mortes.

A espuma de poliuretano libera muitas substâncias tóxicas ao ser queimada, sendo o gás cianeto a pior delas. A engenheira explica que o correto é utilizar material antichamas.

Outro problema no Ninho do Urubu é que o ar condicionado era menor que o buraco de encaixe. O preenchimento foi feito por pedaços de madeira, plástico e espuma. Fernanda aponta que o ideal seria a utilização de alumínio.

Em 2018 foram feitas três vistorias no CT do clube carioca com base no projeto, no entanto, essas estruturas não constavam. Além disso, foram lavradas 31 multas desde outubro de 2017.

De acordo com a engenheira civil, o projeto possuía apenas uma saída e não havia placas sinalizando a saída.

“Desde 2010 foi apresentado o projeto de Corpo de Bombeiros, mas nunca foi aprovado por conta das irregularidades”, diz ela.