
“Para os gestores não há outra saída do que fazer mais com menos. Nessa linha, a saúde preventiva tem de prioridade máxima”
A área da Saúde tem uma série de complicadores que impactam diretamente nos gastos públicos.
Diferentemente da Educação, em que se sabe ao certo as competências do município e do Estado, na Saúde as atribuições se misturam e muitas vezes a conta recai sobre o elo mais fraco, justamente por estar mais próximo da população.
O primeiro ponto a ser destacado é que os municípios devem injetar nessa área no mínimo 15% das receitas. No entanto, em Bariri o montante é quase o dobro e mesmo assim é insuficiente.
Outro problema é que, pela hierarquia na Saúde, Bariri deveria focar mais na atenção básica, mas não é isso o que ocorre no dia a dia.
Consultas e exames mais especializados são oferecidos na rede municipal, para facilitar a vida das pessoas, prática essa adotada há vários governos. Obviamente, há impacto nas contas públicas.
Bariri parece vivenciar duas situações bem distintas. Sob intervenção do Executivo desde setembro de 2018, a Santa Casa de Bariri vive um bom momento. Muito se deve ao aumento de repasse com recursos de quase R$ 1 milhão por mês dos cofres públicos, após ação promovida pelo Ministério Público (MP).
Outro programa bem-vindo é o SUS Paulista, que transfere recursos mensais para procedimentos, como cirurgias.
O outro lado da moeda é a atenção básica, oferecida em unidades de Saúde, Estratégias Saúde da Família (ESFs), centro de especialidades etc.
Observando o cenário mais recente, há reclamações sobre a falta de medicamentos na Farmácia Central. Consultas muitas vezes demoram a ser marcadas pela falta de profissionais médicos ou pela grande demanda em algumas áreas. A situação da fisioterapia que era prestada por clínica particular ainda não foi plenamente resolvida.
A respeito das fraldas geriátricas, o governo municipal parou de efetuar compras, adotando o Programa Farmácia Popular, parceria com o governo federal. Nesse caso, é preciso que a Prefeitura de Bariri dê mais publicidade sobre o funcionamento do programa e quais farmácias privadas fazem parte dele.
A ausência de reajuste da tabela SUS por décadas impacta negativamente. Se a Santa Casa não recebe a mais pelos serviços prestados, cabe ao município complementar a receita. Se coloca dinheiro de um lado, tem de retirar do outro.
Para os gestores não há outra saída do que fazer mais com menos. Nessa linha, a saúde preventiva tem de prioridade máxima. Aumentar a oferta de consultas e exames e também procedimentos (inclusive cirúrgicos) com certeza trará ganhos para todos no futuro, de qualidade de vida dos usuários e de redução dos gastos.
























