
“Material lítico significa que aquele sítio arqueológico, aquela região teve um povoamento muito antigo”
André Chagas
Durante a semana a empresa A Lasca Arqueologia, que faz assessoria arqueológica para obtenção de licenças ambientais, realizou projeto educacional na escola municipal Professora Joseane Bianco junto aos alunos do 6º ano das escolas públicas e particulares de Bariri. Eles puderam conferir o “Projeto Arqueologia na Escola – Programa de Gestão do Patrimônio Arqueológico no Município de Bariri e Região – Iphan-SP”. Trata-se de peças encontradas no sítio arqueológico no Bairro Queixadinha, próximo da Usina Hidrelétrica Álvaro de Souza Lima. No intervalo entre uma apresentação e outra o educador patrimonial André Chagas, da A Lasca Arqueologia, atendeu à reportagem do Candeia. Segundo ele, foram encontradas em Bariri peças líticas, utilizadas por povos muito antigos. Os itens estão em laboratório para análise.
Candeia – Qual o trabalho que a empresa A Lasca desenvolve na área de arqueologia?
André Chagas – A A Lasca desenvolve um trabalho de educação patrimonial e arqueologia preventiva. Em empreendimentos de médio ou grande portes é necessário ter um trabalho de arqueologia. No trabalho de movimentação de terra podem ser encontrados vestígios arqueológicos, caracterizando um sítio arqueológico, o que ocorreu em Bariri. O Sítio Arqueológico Queixadinha foi descoberto com material lítico, mostrando uma grande parte da história da região de povoamento indígena.
Candeia – A A Lasca foi contratada por uma empresa local por conta de uma legislação que trata da localização e preservação desses vestígios…
André Chagas – Será feita uma olaria no Bairro Queixadinha. Na medida em que é feito o empreendimento, o empreendedor contrata uma empresa de arqueologia para realizar o trabalho. Num outro momento, o trabalho é levando para as escolas.
Candeia – A localização desses vestígios causa uma surpresa num primeiro momento? Qual o encaminhamento do material?
André Chagas – Material lítico significa que aquele sítio arqueológico, aquela região teve um povoamento muito antigo. Geralmente são encontrados materiais como louças, porcelana e cerâmicas, que não são tão antigos. A partir do momento em que se encontra material lítico é sinal de que é bem antigo. Depois que é feito o resgate do material, as peças são levadas ao laboratório e em seguida vão para o museu. No caso de Bariri, as peças vão ser encaminhadas para o município de Monte Mor. Na arqueologia não há uma datação precisa desse material.
Candeia – O município pode requisitar essas peças para montagem de um museu?
André Chagas – As peças serão encaminhadas para museu na cidade de Monte Mor, que tem preparo e curadoria para recebê-las. Se Bariri tiver um espaço que possa receber o material, é possível fazer o pedido.
Candeia – Como os leigos no assunto devem ficar atentos à localização de material antigo?
André Chagas – É um trabalho de formiguinha. Não há como você andar e encontrar um objeto e achar que se trata de peça arqueológica. Quando é feito estudo arqueológico, a área é limitada. No caso de Bariri, foi limitado exatamente o espaço que será utilizado pela olaria. São feitos sondagens e buracos para as escavações, normalmente num espaço de um ou dois quilômetros. Se encontrarmos um objeto, temos de chamar um arqueólogo ou outro profissional para fazer o reconhecimento.
Candeia – Qual a profundidade em que as peças normalmente são encontradas?
André Chagas – Normalmente um metro de profundidade. Quanto mais para baixo, mais antigo é o material.
Candeia – Que outros trabalhos a empresa realizou no Estado de São Paulo?
André Chagas – Há trabalhos que estão em encaminhamento, como em Rio Claro. Em Jaú também será feito um trabalho. Fizemos estudos também em outras partes do Brasil, de material cerâmico e lítico.
Candeia – É recente o cuidado com a arqueologia em empreendimentos econômicos?
André Chagas – Trabalho na A Lasca há mais de 12 anos, mas esse trabalho existe há mais de 20 anos, em empreendimentos de médio e grande portes. Existe a legislação, conforme o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que exige esse trabalho de educação patrimonial e arqueologia.
























