Slider

Renato Gonçalves Felix

 

“O grande desafio ainda é conscientizar as pessoas, principalmente os mais idosos, que devem ficar em casa”

 

O médico Renato Gonçalves Felix vê com bons olhos as medidas tomadas pelas esferas de governo no enfrentamento ao novo coronavírus (Covid-19). No entanto, chama a atenção para problemas como falta de leitos de UTI, número de profissionais e equipamentos de proteção individual (EPIs). Especificamente em relação a Bariri, diz que o desafio é conscientizar as pessoas a ficarem casa, em especial os idosos. O médico alerta para os cuidados com as crianças na prevenção à Covid-19 e doenças típicas do período mais frio. Renato Felix é pneumologista pediátrico e pediatra, especialista em doenças respiratórias em crianças, doutorado pela USP e professor de pediatria da Unesp e da Uninove, de Bauru. Atualmente é membro do corpo clínico da Santa Casa e da Unimed de Jaú e sócio da Clínica Integrada Gerlin em Bariri.

 

Candeia – Qual a opinião do senhor sobre as medidas adotadas no Brasil, na região e em Bariri em relação ao novo coronavírus?

Renato Felix – As medidas adotadas pelos governos federal, estadual e municipal, apesar de adequadas, esbarram em problemas antigos da área de saúde, como a falta de leitos de UTI, número de profissionais e quantidade de equipamentos de proteção individual. Além disso, outro fator que preocupa é a inexistência de uma medicação especifica contra o vírus. Ao circular pela cidade, percebemos que a prefeitura busca com toda dedicação impedir aglomerações e promover um efetivo isolamento social, porém, o grande desafio ainda é conscientizar as pessoas, principalmente os mais idosos, que devem ficar em casa.

 

Candeia – Qual o risco para a saúde das crianças em relação ao novo coronavírus?

Renato Felix – Estamos acompanhando atentos ao perfil epidemiológico da doença, ou seja, como é sua propagação, sua frequência, seu modo de distribuição, sua evolução e as faixas etárias que adoecem. A boa notícia é que crianças e jovens, quando infectados, normalmente não evoluem com quadros graves ou óbito. Já a má notícia é que mesmo sem sintomas, as crianças são capazes de transmitir o novo coronavírus.

 

Candeia – Normalmente a Covid-19 é mais letal para idosos e pessoas com doenças de base. Por que as crianças são menos suscetíveis ao novo coronavírus?

Renato Felix – A justificativa para tal fato, ainda esta em estudo, porém, seguramente tem relação com o fato de que organismos mais jovens respondem melhor imunologicamente quando comparados com organismos já debilitados ou com doença crônica prévia (diabetes, hipertensão, asma, enfisema, doenças auto-imunes, obesidade etc).

 

Candeia – Como pneumologista e pediatra, que orientações o senhor daria para os pais com relação a essa doença?

Renato Felix – As orientações que os pais devem adotar para proteger seus filhos e demais familiares são: lave as mãos com água e sabão ou use álcool em gel; cubra o nariz e boca ao espirrar ou tossir; evite aglomerações ; mantenha os ambientes bem ventilados e não compartilhe objetos pessoais. Ainda vale ressaltar que o cartão de vacina deve estar em dia, crianças menores que 6 anos de idade ou com doenças crônicas, como asma brônquica, devem receber a vacina contra a gripe (H1N1).

 

Candeia – Em breve terá início a estação mais fria. Quais principais cuidados com as crianças?

Renato Felix – Com a chegada do outono e inverno temos o surgimento de enfermidades da época, isto se deve à diminuição da temperatura, baixa umidade do ar e concentração de poluentes, o que facilita a disseminação de bactérias e vírus. Para enfrentar tudo isso, os pais devem estar atentos quanto à higiene adequada das mãos das crianças, evitar o contato com pessoas doentes, estimular a hidratação e alimentação saudável das crianças e a prática regular de atividades físicas. O contato com fumantes também deve ser evitado e o cartão vacinal em dia é indispensável. Visitas regulares ao pediatra são importantes e pacientes com doenças respiratórias devem consultar-se regularmente com o especialista.

 

Candeia – Quais são doenças respiratórias mais comuns no inverno e como preveni-las? Em que situações deve-se procurar um médico?

Renato Felix – As doenças respiratórias mais frequentes no inverno se dividem, basicamente, em dois grupos: infecciosas (resfriado, gripe, sinusite, otite, amigdalite, laringite, bronquiolite e pneumonia) e alérgicas (rinite, asma e demais alergias respiratórias). A atitude dos pais deve estar sempre relacionada à prevenção: alimentação saudável, hidratação adequada, limpeza nasal com soro, lavagem de mãos, vacinação em dia, evitar contato com doentes e eliminar alérgenos (no caso da asma e da rinite). O acompanhamento regular do paciente com pediatra ou pneumologista pediátrico, no caso dos pacientes com problemas e alergias respiratórias, também se faz necessário. Em caso de crise ou piora clínica (falta de ar, tosse intensa, febre alta ou cansaço), a criança deve ser encaminhada, o quanto antes, ao pronto atendimento mais próximo para avaliação.