Daniela Mazoti Furcin – “Queremos uma ação em conjunto, ecumênica, visando acima de tudo o bem estar de quem mais precisa. A caridade é universal”.
Para realizar obras assistenciais, em especial a entrega de cestas básicas, as três paróquias de Bariri vão contar com cadastramento inédito de famílias carentes. Todo o levantamento está sendo coordenado por um casal – a cirurgiã dentista, Daniela Mazoti Furcin, e o empresário, Edson Furcin –, com o apoio dos padres Ériko Thiago Nogueira, Carlos Menezes Jr. e Evandro Pimental e de movimentos e pastorais. As informações serão confrontadas com as das famílias já assistidas pelos órgãos públicos. Ou seja, os dados coletados vão permitir retrato fiel das famílias beneficiadas e, consequentemente, auxílio mais racional e eficiente, sem duplicidade e/ou omissão. De acordo com Daniela, que atendeu à reportagem do Candeia, a pesquisa estará à disposição, inicialmente, nas paróquias. “Depois, pretendemos deixar disponível para as demais igrejas e entidades filantrópicas e também, futuramente, on line para consulta do cidadão”, afirma a voluntária. Daniela conta que o trabalho se iniciou na Paróquia de Santa Luzia, nos altos da cidade, onde se localiza a maior parte das famílias cadastradas. O levantamento inicial comprovou que o desemprego é o retrato perverso e real de muitas famílias em Bariri e que cada vez mais dependem de políticas públicas de atendimento como auxílio emergencial e Bolsa Família. Também houve constatação de auxílio duplicado (dois membros da mesma família recebendo o benefício) e dados incompletos e/ou desatualizados. “Podemos observar que essa fase inicial cumpriu os objetivos do cadastramento”, conclui a voluntária.
Saiba mais sobre a entrevistada
A cirurgião dentista Daniela Mazoti Furcin nasceu em Bariri e tem 47 anos. É formada em Odontologia pela Unesp de Araraquara, onde realizou pós-graduação em Endodontia Stricto Sensu e Lato Sensu, e é também especialista em Radiologia e Imagiologia pela Faculdade de Odontologia da USP de Bauru.
Após a formatura permaneceu na cidade de Araraquara na Faculdade de Odontologia, realizando residência e alguns cursos além de trabalhar em consultórios particulares de colegas, exercendo atividade de endodontista.
Ainda atuou como dentista e especialista na prefeitura municipal de Bariri durante alguns anos, juntamente com consultório particular onde atende até hoje.
Por oito anos integrou a Clínica Mazoti Radiologia e Endodontia, hoje sob a responsabilidade do grupo de Radiologia Massucato de Jaú.
Há cerca de um ano, Daniela e o marido Edson tornaram-se vicentinos e iniciaram trabalham voluntário junto ao Lar Vicentino de Bariri. Foi aí que eles observaram a necessidade de cadastramento das famílias carentes e puseram as mãos à obra.
Candeia – Faça um breve histórico de seu voluntariado junto ao Lar Vicentino e como surgiu a ideia do cadastramento de famílias carentes para as paróquias?
Daniela Furcin – Minha história no voluntariado iniciou-se o ano passado, após aceitar um convite para tornar-me vicentina. Nessa nova função, realizava visita às famílias carentes e um dia solicitamos ao Padre Ériko Nogueira, da paróquia central, uma lista das famílias que recebiam as cestas básicas para ampliarmos nossa assistência, juntamente com os demais do grupo. Ele nos explicou a necessidade de uma nova organização destas famílias, sendo o ideal um programa para isso. Juntamente com meu marido, Edson Furcin, que também é vicentino e trabalha na área de informática, começamos a pensar e elaborar como isso poderia ser feito.
Candeia – Qual objetivo desse levantamento?
Daniela Furcin – Nosso objetivo é conseguirmos em relação às famílias carentes, dados os mais próximos possível da realidade da quantidade, necessidades, localização, renda, condições de habitação, crianças e idosos envolvidos. Tudo isso com a finalidade única de poder melhor atendê-los, inicialmente, em suas necessidades básicas de alimentação e, futuramente, quem sabe, em um acompanhamento mais próximo de suas necessidades humanas mais amplas.
Candeia – Como a pesquisa está sendo realizada? Quem participa?
Daniela Furcin – Chegamos à conclusão que para um cadastramento adequado seria necessário a visita pessoal em cada família o que seria difícil, uma vez que teríamos que ter pessoas para realizar a visita e preencher uma ficha. Para que pudéssemos pensar nas questões mais úteis para nosso formulário, procurei os padres das três paróquias com um questionário básico socioeconômico e pedi sugestões e complementações. Após decidirmos a ficha, Edson começou a fazer o programa para cadastrá-las após serem preenchidas. O levantamento iniciou-se na Paróquia de Santa Luzia e foi realizado em um mutirão através da ajuda de integrantes das pastorais pertencentes à Igreja de Santa Luzia, sob a direção do Padre Carlos Menezes Jr. Realizamos uma reunião onde todos foram instruídos como proceder a visita e a como preencher o questionário.
Candeia – Que ações podem se beneficiar dessas informações? Quem terá acesso aos dados?
Daniela Furcin – Todas as entidades religiosas, governamentais ou mesmo indivíduos que quiserem ajudar a uma dessas famílias, através de doações, poderão consultar esse cadastro que estará disponível, inicialmente, nas paróquias. Depois, pretendemos deixar disponível para as demais igrejas e entidades filantrópicas e também futuramente online para consulta do cidadão. Pretendemos oferecer para todos os grupos que realizam filantropia em Bariri, gratuitamente. Queremos uma ação em conjunto, ecumênica, visando acima de tudo o bem estar de quem mais precisa. A caridade é universal.
Candeia – Qual a previsão para o término da pesquisa? Haverá constante atualização?
Daniela Furcin – A maior quantidade de famílias para cadastramento estava na Paróquia de Santa Luzia, a qual já foi realizado. Agora estamos realizando o trabalho na Paróquia de Nossa Senhora Aparecida, no Jardim Nova Bariri, com auxílio do Padre Leandro Pimentel. O levantamento abrange as famílias carentes, principalmente, do Bairro do Livramento e Jardim Industrial; depois será a Paróquia Nossa Senhora das Dores. Após encerrarmos as três paróquias pretendemos confrontar os dados com as famílias assistidas pela prefeitura. Em seguida, iniciaremos a implantação nas demais igrejas e entidades que se interessarem pelo programa. Pretendemos finalizar o projeto e colocá-lo online até o final do ano. O fato do programa estar online permite uma atualização constante dos dados entre todas as instituições a cada adição de um novo cadastro.
Candeia – Quais informações iniciais e relevantes a senhora destaca nesse levantamento?
Daniela Furcin – Podemos observar que essa fase inicial cumpriu os objetivos do cadastramento. Foram realizadas na Paróquia de Santa Luzia 360 visitas, sendo que dessas descobrimos que 55 famílias estavam duplicadas, ou seja, mais de um membro da mesma família estava recebendo cesta básica. Outro dado é que 37 famílias não residiam mais no endereço ou nunca residiram. Além disso, das famílias visitadas, 102 não necessitavam de cesta básica segundo os critérios pré-estabelecidos. Ao reduzirmos o número de famílias de forma responsável, foi possível atender a todos aqueles que realmente precisavam. Outra observação foi que na grande maioria das famílias que recebe o auxílio da cesta básica, os responsáveis estão desempregados ou vivem de Bolsa Família ou outro auxílio governamental. Em muitos casos foi relatado o desemprego recente após a pandemia de Covid 19. A preocupação com o fim do auxílio emergencial e a volta do valor médio do Bolsa Família – em torno de R$ 200 a R$ 300 – é que essa situação vai encontrar a maioria das famílias enfrentando o desemprego.

























