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Francisco Leoni Neto – “A partir de janeiro, vou me dedicar em organizar minha vida e minhas coisas particulares traçando planos de trabalho para um futuro próximo”

 

Na última edição de 2020, o Jornal Candeia entrevista o prefeito de Bariri, Francisco Leoni Neto (PSDB). Único político a cumprir três mandatos à frente do Executivo municipal (2001-2004, 2005-2008 e julho/2018-dezembro/2020), Neto Leoni afirma que, no momento, não pretende mais disputar cargos eletivos. Segundo ele, a partir de janeiro irá se concentrar em questões particulares e traçar planos de trabalho para o futuro – ele é advogado e músico. O tucano responde pela prefeitura até quinta-feira (31), e no dia seguinte haverá posse de novos membros do Executivo e Legislativo. Na entrevista, Neto Leoni comenta a situação financeira da prefeitura, a questão da intervenção na Santa Casa, as divisões dentro do grupo político, entre outros assuntos.

 

Candeia – Como está a situação financeira da prefeitura de Bariri no fechamento de 2020?

Neto Leoni – Nossa marca registrada é o bom controle das finanças da Prefeitura. Mesmo com todas as dificuldades que este período de governo nos impôs, conseguimos manter o equilíbrio das contas públicas, graças ao controle de gastos e acompanhamento das receitas e, assim, fecharemos o ano positivamente. Outra marca nossa é não aumentar impostos e taxas, para não castigar a população, já tão castigada com tributos excessivos em nosso País. Um exemplo é a água, a mais barata da região e uma das mais baratas do Estado.

 

Candeia – Nesses dois anos e meio de governo quais os maiores acertos e os maiores erros de sua gestão?

Neto Leoni – O maior acerto foi não se acovardar frente aos enormes problemas que tínhamos pela frente. A crise moral que afetava a Prefeitura foi combatida e vencida. A Santa Casa não fechou as portas, apesar das enormes dívidas herdadas. As prioridades de governo foram elencadas e hoje podemos dizer com clareza que entregamos uma cidade muito melhor do que encontramos. Por outro lado, não chamaria de erros, mas sim de dificuldades, e certamente a maior que enfrentamos foi o pouco tempo de mandato que tivemos.

 

Candeia – O senhor conviveu com a pandemia do novo coronavírus tanto como gestor público como tendo sido contaminado pelo vírus. Nesses dois aspectos, como avalia esse período?

Neto Leoni – Como gestor público, digo com convicção que tivemos sensatez para tomar os atos que não prejudicassem a população. Também investimos com moderação em equipamentos para fazer o primeiro atendimento às pessoas que contraíram o vírus. Como pessoa, fui uma vítima da doença, e meu caso foi extremamente grave. Agradeço demais a Deus por ter me dado a chance de continuar vivo, como também às muitas pessoas que torceram e oraram por mim. Acredito que essa foi a minha maior vitória.

 

Candeia – A cada dia a situação da Santa Casa fica mais difícil. Recentemente o jornal divulgou cobrança de mais de R$ 120 milhões pela Receita Federal. Que saída o senhor vê para o hospital e para o serviço de pronto-socorro e hospitalar em Bariri?

Neto Leoni – Esse valor cobrado pela Receita se refere a período anterior à intervenção, aliás, a grande dívida da Santa Casa é referente ao período anterior, quando uma organização criminosa se apossou de nossa Santa Casa e a levou para o buraco. Da intervenção para cá, apesar das dificuldades enfrentadas, não houve problemas desse tipo. Aliás, a intervenção, muita criticada na época da campanha, foi necessária para que o hospital não fechasse. Cabe agora à próxima administração municipal dar o encaminhamento que achar correto, e a população certamente ficará na expectativa de não ser penalizada.

 

Candeia – O senhor defendia o pagamento das progressões aos professores. Por que decidiu efetuar a maior parte dos pagamentos no último mês de governo?

Neto Leoni – Sim, defendo a educação em primeiro lugar, como também os direitos de seus profissionais. Tanto é assim que fizemos o pagamento das progressões. Já havíamos iniciado e concluímos agora em dezembro, dentro das disponibilidades orçamentárias e financeiras da Prefeitura.

 

Candeia – Que comportamento o senhor e seu grupo político pretendem adotar em relação ao novo governo municipal?

Neto Leoni – Ao contrário do que fizeram pra mim, pretendo ter um comportamento de não atrapalhar o governo municipal e torcer para que coisas boas sejam feitas para nosso município.

 

Candeia – Que atividades profissionais e políticas irá realizar a partir de janeiro?

Neto Leoni – Nos três mandatos que tive me dediquei intensamente ao meu trabalho como prefeito, deixando de lado minha profissão e minhas atividades particulares. A partir de janeiro, vou me dedicar em organizar minha vida e minhas coisas particulares traçando planos de trabalho para um futuro próximo.

 

Candeia – Seu grupo político enfrentou divisões e rompimentos e uma derrota eleitoral. Como pretende reorganizá-lo?

Neto Leoni – Vitórias e derrotas fazem parte da vida. Essa questão de grupo é muito relativa. Existem pessoas de bem, comprometidas, que pensam no bem comum, e outras individualistas, que pensam apenas no que é melhor pra elas. Melhor ter menos pessoas ao seu lado que sejam honradas do que muitas que lá na frente vão te apunhalar pelas costas.

 

Candeia – No momento, pensa em disputar novamente o cargo de prefeito de Bariri ou outro cargo eletivo?

Neto Leoni – No momento não penso em disputar cargo algum.