
Ao longo de três anos e oito meses, a atual legislatura da Câmara de Bariri mantinha discurso de certa cordialidade entre os pares, mesmo atuando em polos distintos da política.
Mesmo com a definição dos grupos que irão disputar as eleições municipais do dia 6 de outubro, com divisão das forças em campos antagônicos, os edis buscavam manter um clima de cordialidade.
Obviamente, o mesmo comportamento não ocorreu entre alguns vereadores e prefeito, vice e alto escalão da administração municipal.
Bem no início da campanha eleitoral deste ano, o clima azedou na Câmara. Na sessão de segunda-feira (19) a presidência da Casa colocou para o plenário decidir sobre a admissibilidade ou não de Comissão Processante (CP) pedindo a cassação do mandato do vereador Ricardo Prearo (PSD).
O caso chegou ao Legislativo por iniciativa de Maurício Rodrigues Rodrigues. Ele alegou falta de decoro por parte do vereador que o teria agredido fisicamente numa lanchonete em Bariri no dia 10 de agosto.
Durante discussão do assunto, alguns vereadores apontaram que a elaboração de um boletim de ocorrência não era motivo para se discutir a cassação do mandato de um colega. Ou seja, seria preciso aguardar o término do inquérito policial para que houvesse uma decisão política sobre o caso.
Antes de a sessão começar, os vereadores Prearo e Francisco Leandro Gonzalez (Avante) bateram boca na secretaria da Câmara. Indício de que a reunião legislativa iria esquentar.
Em seguida, por orientação da Procuradoria Jurídica da Câmara, que se ateve a algumas decisões judiciais, o presidente do Legislativo, Airton Luis Pegoraro (Avante), fez o primeiro suplente do PDT, Gilson de Souza Carvalho, ser empossado somente para dar seu voto pela abertura ou não da CP. O motivo alegado é que Prearo não poderia votar já que era denunciado.
A partir daí, o denunciado “centrou fogo”, nessa ordem, nos vereadores Gonzalez, Myrella Soares da Silva (União Brasil) e Pegoraro. Termos pesados foram utilizados por Prearo e resposta no mesmo calibre de Gonzalez.
As cenas ultrapassaram qualquer limite já registrado na história política recente de Bariri, com dezenas de comentários em vários locais da cidade e também nas redes sociais.
A animosidade se seguiu até a votação em plenário, com cinco votos pelo arquivamento da denúncia e quatro pela abertura da CP.
A sessão camarária continuou seu trâmite normal, mas era evidente o clima de constrangimento em todos. A próxima sessão ordinária ocorre no dia 2 de setembro.
Seja na eleição majoritária ou proporcional, os grupos mantêm a campanha política junto ao eleitorado com vista às eleições municipais. Episódios como esse na sessão de segunda-feira (19) podem acirrar mais os ânimos.
Os ganhos e perdas para quem participou da sessão ficam a critério de cada pessoa que depositará seu voto no dia 6 de outubro.
























