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Silvia Gandara, Viviane Aranha e Ana Paula comentaram os projetos mantidos pela Apae e que muitos resultam de parceria com o poder público – Rosana Coletta/Candeia

Como as demais instituições, a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Bariri (Apae) enfrenta restrições de funcionamento devido ao isolamento social provocado pela pandemia de Covid-19.

A situação vem sendo contornada com atividades de ensino remoto (pela internet), à distância e em domicílio. Há uma parte, inclusive, de atividades presenciais, sempre com medidas protetivas, sanitárias e de higienização. Vale ressaltar que a Apae local atende alunos e usuários de Bariri, Itaju e Boraceia.

A equipe praticamente não parou durante os meses de pandemia. A diretora da Apae, Silva Maria de Barros Gandara, atendeu a reportagem do Candeia, acompanhada da coordenadora do social e saúde, Viviane Aranha, e da responsável pelos setores Financeiro e Recursos Humanos, Ana Paula Falcão.

Elas relatam os projetos mantidos pela organização da sociedade civil (OSC) e afirmam que muitos dos serviços prestados resultam de parceria com o poder público, através das Diretorias de Saúde, Educação e Ação Social da Prefeitura de Bariri.

O programa genuíno da Apae é o Escola Especial, que atende 50 alunos, divididos em cinco classes regulares, cujas atividades são supervisionadas anualmente pela Diretoria de Ensino de Jaú. Durante a pandemia estão seguindo as determinações previstas no Plano SP do governo do Estado.

As aulas presenciais foram suspensas, os alunos divididos em grupos pequenos e sob coordenação de umas das professoras do programa. Elas preparam as atividades de aulas remotas e enviam através de WhatsApp. Programam o controle, feedback e avaliações das atividades.

Os alunos que não têm acesso ao aplicativo são atendidos através de atividades no caderno. As professores levam e buscam em domicílio para corrigir.

Segundo Sílvia Gandara, diariamente as professoras relatam o andamento dos projetos desenvolvidos nas diferentes áreas do conhecimento.

 

Ação Social

Equipe da Apae mantém programas na área educacional, de saúde e ação social, que atendem alunos e usuários de Bariri, Itaju e Boraceia – Rosana Coletta/Candeia

O Serviço de Proteção Especial às Pessoas com Deficiência (Seped) é coordenado por Viviane Aranha, com apoio da Ação Social do Município. Nesse programa os atendidos são chamados de usuários, uma vez que envolve pessoas acima de 16 anos (já cursaram a Escola Especial ou nunca frequentaram unidades escolares) até idosos, além de familiares e/ou responsáveis.

São divididos em quatro núcleos socioassistenciais e o programa é mantido com recursos das três esferas governamentais (município, Estado e União). A equipe atua através de oficinas, ministradas por psicólogo, assistente social e dois facilitadores (oficineiros).

Há oficinas de cunho educador (atividades físicas, jardinagem, dança e artes marciais) e social (artesanato, habilidades e autonomia de vida diária). Em horário normal, frequentam as oficinas todos os dias, de segunda à sexta-feira.

Durante a pandemia, as aulas são remotas e enviadas três vezes por semana. A equipe entra em contato telefônico com familiares e/ou responsáveis para saber sobre o andamento das atividades. Solicitam o envio de vídeos mostrando a participação do usuário nas atividades.

Nesse programa é comum a equipe fazer visitas domiciliares se ocorrem faltas ou evasão. Durante a pandemia isso está acontecendo se não dão retorno das atividades remotas.

Através do Seped, a Ação Social envia kits de alimentos proteicos aos usuários, assim como de produtos de higiene pessoal. As famílias são contatadas para retirar na Apae. Se não têm condições, os kits são entregues em domicílios.

Silvia relata que a Apae estuda retomar aos poucos o atendimento presencial de familiares, através de subgrupos (três no máximo), em lugar aberto, com distanciamento social e equipe paramentada de equipamentos de proteção individual (EPIs).

 

Saúde

Distribuição de kits de alimentos proteicos e higiene pessoal são entregues através de programa de Ação Social – Rosana Coletta/Candeia

Através do setor de Saúde, a Apae desenvolve dois projetos junto aos usuários. Um de estimulação precoce, direcionado a crianças de 0 a 7 anos; e outro diagnóstico, que envolve crianças a partir de 3 anos, podendo se estender até 18 anos.

A parceria com a Diretoria Municipal teve início em 2016 e são programas mantidos exclusivamente pela Apae de Bariri.

Nele também há a participação de equipe multidisciplinar: psiquiatra, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, assistente social e técnico em enfermagem.

Com autorização do prefeito Francisco Leoni Neto e da Federação das Apaes, os dois programas permaneceram com atendimento presencial durante a pandemia, devido à natureza do atendimento. Dentro das restrições da pandemia.

Segundo Silvia, os programas não podem parar porque a permanência em casa pode implicar em regressão nos portadores de transtornos e deficiências intelectuais. Mesmo com o acompanhamento de profissionais à distância e o esforço para manter atividades diárias, a interrupção de terapias e o isolamento social causam consequências físicas e psicológicas nos usuários, com sinais de regressão.

 

Educação Especializada

 

O programa Atendimento Educacional Especializado (AEE) há três anos resulta de parceria com a Diretoria de Educação e é mantido com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), através do item Educação Especial.

São 22 alunos que frequentam classes especiais nas escolas regulares e no contraturno frequentam o programa da Apae. Há também equipe multidisciplinar de fonoaudiólogo, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, pedagogo e psicólogo.

Durante o primeiro semestre, a equipe enviou atividades no caderno, através de familiares e/ou responsáveis. O caderno retornava após um mês para correção e posterior envio de mais atividades.

No segundo semestre, o sistema está sendo reavaliado. Através de reunião e/ou contato com familiares e/ou responsáveis, conclui-se pela necessidade de reajustes, uma vez que a maioria dos alunos demonstra cansaço e sobrecarga com atividades que devem cumprir nos dois sistemas de ensino.

Cumprindo a natureza do programa de ser complementar e suplementar ao ensino regular, Silvia diz que a Apae vai priorizar o envio de vídeos, com atividades lúdicas, que envolvam atividades físicas, que facilitem habilidades e rotina.

 

Retorno

 

Em relação ao retorno gradual de todas as atividades diárias da Apae, a diretora afirma que acompanha as determinações previstas em decretos do governo do Estado, município e da Federação das Apaes.

Provavelmente parte de alunos e usuários terá dificuldade em cumprir as medidas protetivas, sanitárias e de higienização, como por exemplo a permanência de máscaras e/ou o distanciamento social (são loucos para abraçar).

Antes de qualquer definição, a ideia é reunir pais e responsáveis na quadra da escola, cumprindo as determinações da pandemia, e discutir a melhor opção para a realidade local da Apae.

 

Semana Nacional da Pessoa com Deficiência

 

De 21 a 28 de agosto, a Apae de Bariri vai participar da Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla 2020.

O evento ocorre em todo o território nacional e tem como tema “Protagonismo Empodera e Concretiza a Inclusão Social”.

Tão logo for definida, a equipe local vai divulgar a programação oficial do evento.