Composição 1_1
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De Bariri para o mundo…

Associação de Bariri, pioneira mundialmente em certificações de cana-de-açúcar, vende créditos para a empresa Barry Callebaut, a maior fabricante de produtos de chocolate e cacau

A Associação dos Fornecedores de Cana da Região de Bariri (ASSOBARI), fundada em 2005, tem desde a sua fundação o olhar para a sustentabilidade, além dos outros serviços que são ofertados aos seus associados.

Confira entrevista feita com José Fausto Tanganelli Filho (Jô Tanganelli), diretor presidente, Ulisses Fanton, presidente do conselho de representantes, e Acácio Masson Filho, diretor de sustentabilidade.

Pergunta – O que é a ASSOBARI?

Jô Tanganelli – A ASSOBARI, Associação dos Fornecedores de Cana da Região de Bariri, foi fundada em 25 de Janeiro de 2005, por um grupo de agricultores com um ideal em comum, reunir os produtores para defender seus principais interesses e direitos, trocar conhecimentos, e oferecer aos associados e dependentes benefícios na área técnica e social e incentivar a economia local, através do dinheiro recolhido pelo produtor. Atualmente, somos filiados à ORPLANA (Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil) e temos um quadro de aproximadamente 200 associados, totalizando 10.000 hectares de cana-de-açúcar, abrangendo as cidades de Arealva, Bariri, Bocaina, Boraceia, Iacanga, Ibitinga, Itajue Guarantã, fornecendo para várias usinas da região, como, por exemplo: Della Coletta Bioenergia, Raízen; Usina Santa Fé, Usina Iacanga e Zilor. Contamos com vários departamentos: jurídico, social, capacitação, agrícola, administrativo, projetos e de comunicação. Em 2020 desenvolvemos um sistema de gestão de qualidade através de um projeto desenvolvido em parceria com a Solidaridad Brasil chamado QUALICANA. Esse sistema contempla todos os campos necessários para rastrear todos os processos e atividades desenvolvidos na propriedade do associado, e está sendo replicado em outras associações.

Pergunta – Qual é a importância da ASSOBARI para o produtor rural?

Ulisses Fanton – A ASSOBARI, como associação, é a união e a representação de empresários rurais, não importando seu tamanho ou riqueza, organizada e está em constante movimento, buscando sempre melhorias, inovações e atualizações. Ela é a segunda casa do produtor, é aqui que ele encontra a resolução dos seus problemas em relação a sua propriedade em vários âmbitos: na área trabalhista, ambiental, de organização e gestão, econômica da sua produção, entre outros. Hoje a ASSOBARI é um exemplo de sucesso, cuja receita é a soma de trabalho honesto de seu corpo administrativo, dedicação dos seus funcionários e confiança de seus associados. A união destas forças resultou numa entidade plenamente estabelecida. Ao longo desses anos tivemos muitas conquistas para os produtores, e desde sempre o nosso objetivo foi a excelência no atendimento e serviços prestados. Começamos em um espaço pequeno e alugado, hoje temos uma sede própria ampla com auditório para atender as demandas de cursos, palestras e treinamentos ofertados não somente aos associados, mas para a comunidade como um todo, temos softwares e tecnologia de ponta para atender as inovações do mercado do agro e ofertar aos associados, buscamos desde o início convênios para a área da saúde como um todo e também com os comércios da cidade de Bariri e região para contemplar os associados, seus familiares e seus funcionários.Todos esses serviços são ofertados para que produtor tenha um maior ganho em sua área agricultável, produzindo mais e gastando menos, principalmente para o pequeno produtor que é a maior parte da ASSOBARI.

Pergunta – Quais projetos são desenvolvidos pela associação?

Ulisses Fanton – Temos muitos projetos em desenvolvimento em diversos setores:

  • Plano de Colheita, que é realizado no início do ano junto a Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo e a CETESB.
  • Participantes do Projeto Etanol Mais Verde da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo
  • Idealizadora do Projeto “Dia do Campo Limpo na Região de Bariri”
  • Na área agrícola são realizados: acompanhamento de plantio e de colheita, amostragem de sacarose, amostragem de solo, levantamento de perdas, levantamento de pragas de solo, levantamento populacional de broca, levantamento populacional de cigarrinhas, mapas com GPS, recomendação de análise de solo, regulagem de implementos agrícolas, soltura de cotésias, marcação de curva de nível, visita em campo, atendimento técnico na sede, projetos de financiamentos bancários, projetos ambientais como outorga, dispensa de outorga, autorização para queima de controlada de culturas agrícolas, projetos para recomposição de APP (área de preservação permanente), CAR – Cadastro Ambiental Rural e reuniões de planejamento com as usinas.
  • Na área assistencial são oferecidos: consultas médicas com médicos de várias especialidades, exames de laboratórios, eletrocardiograma, ultra-som, Raios-X, consultas psicológicas, e convênios com comércio de várias cidades de nossa região com descontos especiais.
  • Na área de capacitação profissional, são oferecidos cursos, treinamentos, palestras e reciclagem aos produtores e seus funcionários.
  • Projeto CORTEVA NA ESCOLA em parceria com a Della Coletta Bioenergia, COOPERCITRUS e CORTEVA para escolas municipais.
  • Projeto de inovação com a BONSUCRO.

Pergunta – Como está a atuação nos outras culturas?

Jô Tanganelli – No ano de 2019 alteramos nosso estatuto para poder atender aos produtores de outras culturas, hoje já temos bastantes associados nessa categoria e estamos sempre buscando atendê-los da melhor forma possível de acordo com as necessidades de cada um. Nossos associados produzem muitas vezes na mesma propriedade diferentes culturas e criação de animais. Implantamos a CADEC na ITABOM (conselho de avicultores e indústria), outra área é a pecuária entre ela a de corte e leiteira, temos também grandes produtores de amendoim, soja e milho. Para todas essas culturas, buscamos trazer cursos, palestras voltadas o melhor desenvolvimento do setor, capacitação técnica dos diferentes meios de produção.

Pergunta – Como é a representação da ASSOBARI perante aos governos públicos?

Jô Tanganelli – Sabemos a importância da política em nossas vidas, está diretamente relacionada com o nosso bem-estar. Sendo assim, temos um papel fundamental em busca de defesa de políticas públicas da nossa classe. Atuamos desde a esfera municipal, estadual e federal, (prefeitos, deputados) supervisionando e levando projetos que melhorem o desenvolvimento, como cobrança de melhores estradas (logística escoamento de produção), na discussão de inúmeras leis que garantam o equilíbrio fiscal, importação e exportação, lei de defensivos agrícolas, leis do meio ambiente, enfim, tudo que está relacionado à produção e comercialização dos produtos em que o governo possa atuar.

Pergunta – Fale sobre o projeto de certificação BONSUCRO e as vendas para a empresa Barry Callebaut.

Acácio Masson Filho – Vamos começar explicando um pouco sobre as empresas:

A BONSUCRO é a principal plataforma e padrão global de sustentabilidade para a cana-de-açúcar, uma das culturas mais importantes do mundo. O propósito é acelerar coletivamente a produção e usos sustentáveis da cana-de-açúcar.

Contam com mais de 280 membros de mais de 50 países para enfrentar desafios críticos no setor de cana-de-açúcar e impulsionar o desempenho e o impacto por meio de nosso sistema de padrões de sustentabilidade.

Atuam em todos os produtos e derivados da cana-de-açúcar – açúcar, etanol, melaço e bagaço em setores tradicionais e novos do mercado, de açúcar e álcool a biocombustíveis e bioplásticos.

A BARRY CALLEBAUT começou em 1911 em um pequeno vilarejo da Bélgica, chamado Wieze, por OctaafCallebaut. Nos anos seguintes, Octaaf teve tempo de refinar e aperfeiçoar as receitas e são repletas de excelente aroma de chocolate. Em 1988 a Callebaut acolheu artesões do mundo inteiro na primeira escola deste tipo: o CallebautCollege, que antecedeu os centros Chocolate AcademyCallebaut. Em 1996 a Callebaut fusiona com a empresa francesa Cacao Barry. A Callebaut continua sendo uma marca 100% belga – com todo o Autêntico Chocolate Belga criado na Bélgica desde a amêndoa até o chocolate

Hoje o grupo Barry Callebaut é o maior fabricante de produtos de cacau e chocolate gourmet do mundo. O grupo opera com cerca de 60 fábricas e emprega mais de 11 mil pessoas.

Um dos raros produtores no mundo que tem controle total das matérias-primas até a produção do chocolate: desde a seleção das melhores amêndoas de cacau, a torrefação e moagem em fábricas próprias, garantindo máxima qualidade dos chocolates oferecidos ao mercado. Tem integração com todos os países produtores de cacau no mundo inteiro.

No Brasil, a Barry Callebaut atua por meio de um escritório central localizado em São Paulo, onde também funciona a Chocolate Academy, que ministra cursos e treinamentos para aqueles que desejam aprimorar suas habilidades com o chocolate.

Na Bahia, há duas fábricas de cacau, localizadas em Ilhéus e Itabuna de onde saem às matérias-primas para as indústrias de chocolate, como o licor ou massa de cacau, a manteiga de cacau e o cacau em pó. No Sul de Minas Gerais, em Extrema, fica a fábrica de chocolates Sicao – a marca regional do grupo.

A unidade de Extrema iniciou suas operações em 2010 como a primeira fábrica de chocolate da subsidiária suíça na América do Sul – um importante passo na estratégia da companhia de fortalecer sua presença em mercados crescentes. Portanto, a marca Sicao, produzida em Extrema, é a nova geração do chocolate no Brasil. Feitos com todo o conhecimento e tradição da Barry Callebaut em mais de 150 anos na produção de chocolate de alta qualidade, os produtos Sicao foram adaptados ao paladar e às receitas brasileiras. Os chocolates e coberturas Sicao são produzidos com amêndoas de cacau primordialmente da Bahia e Pará.

E aqui mesmo em Bariri temos uma confeiteira que utiliza os chocolates da Barry Callebaut em seus doces.

Vanessa Pultrini Rovaris, 34 anos, é casada com Marco Antonio Milani e tem uma filha, Iara Milani, é graduada em História pela UNESP – Assis e atuou como docente por 8 anos. Começou a confeitaria em 2015, como complemento de renda, fazendo pirulitos de chocolate e brigadeiros.

Quando sua filha nasceu ela parou de trabalhar para se dedicar exclusivamente a maternidade, mas depois retomou a confeitaria como atividade principal.

Retornou fazendo doces mais saudáveis, como lowcarb e com outros preparos menos industrializados e foi assim que surgiu “O COGUMELO DOCE”. A semente dos valores da marca já estava plantada: sem corantes, sem aromatizantes ou essências artificiais, com o uso de industrializados o mínimo possível, sem recheios prontos e ultraprocessados.

Os brigadeiros vieram com o tempo, e os chocolates também, e foi nesse momento que conheceu os chocolates da Barry Callebaut, da qualidade, do quanto eles faziam com que um doce ficasse com uma qualidade superior.

Conheceu o Ruby e achou incrível a história desse chocolate, o quanto ele era diferente, a proposta de ser um chocolate rosa naturalmente, então na pandemia percebeu que precisava de um produto diferenciado para evoluir, então decidiu investir na marca e simplesmente se apaixonou pela qualidade do chocolate, incrível. Depois comprou o chocolate gold, o meio amargo, o branco e ao leite. Hoje, trabalha com todos, são chocolates maravilhosos que me permitem entregar ao cliente uma sobremesa de altíssima qualidade e muitas combinações e tomou conhecimento do nosso projeto de certificação e da responsabilidade sócio ambiental da Barry Callebaut: “Eu achei incrível por dois pontos: responsabilidade sócio ambiental e globalização” finaliza.

Pergunta – Como a ASSOBARI atua na área ambiental?

Acácio Masson Filho – A ASSOBARI, desde a sua fundação, é idealizadora de atividades focadas em sustentabilidade e também na melhoria da administração e dos associados. Essas melhorias são orientações técnicas e agrícolas no campo, orientações sociais e trabalhistas, sempre no sentido de cada dia ser mais eficiente para nosso produtor rural. Em 2007 iniciou um projeto pioneiro mundialmente chamado de Protocolo Agro Socioambiental em parceria com a OIA – (Organização Internacional Agropecuária), com a Della Coletta Bioenergia e o SEBRAE – SP, isto concluído colocamos em prática e logo outras entidades tomaram conhecimento e procuraram se informar conosco mais detalhadamente sobre o assunto. Especificamente a BONSUCRO, empresa de certificação mundial de cana-de-açúcar, tomou conhecimento no nosso projeto e solicitou o acesso a ele e baseado em estudos que eles promoveram sobre o projeto criaram um projeto próprio com intuito de colocar em prática mundialmente para certificar os produtores sustentáveis e não somente às unidades industriais, e foi à primeira associação de fornecedores de cana a receber a certificação BONSUCRO no ano de 2016 e no mesmo ano também conseguimos a certificação RSB – RoundtableonSustainableBiomaterials.

Em julho de 2019 a BONSUCRO criou uma plataforma para negociação de venda de créditos de cana independente de unidades industriais (usinas), onde compradores e vendedores se reúnem para promover a produção sustentável de cana em escala.

No dia 29 de julho de 2020, a ASSOBARI conseguiu realizar sua primeira negociação dos créditos de cana, sendo essa a primeira comercialização realizada no mundo. Essas vendas continuaram e hoje já vendemos mais de 400 mil créditos de cana certificada, resultando em um valor de mais de R$ 400 mil reais para o produtor, dinheiro esse que circula na nossa região. A nossa jornada não parou ai, estamos buscando hoje parceiros para comercialização de credito de carbono, que já está em fase bem adiantada.

Pergunta – Comente sobre o RenovaBio – o maior programa de descarbonização do mundo.

Jô Tanganelli – Trata-se de um programa brasileiro que incentiva o aumento da produção e da participação de biocombustíveis (etanol, biodiesel, biometano, bioquerosene, segunda geração, entre outros) na rede de transportes do país, no que se refere à sua contribuição para a segurança energética, a previsibilidade do mercado e a mitigação de emissões dos gases causadores do efeito estufa no setor de combustíveis. Com isso, os biocombustíveis viabilizam uma oferta de energia cada vez mais sustentável, competitiva e segura.

O RenovaBio é composto por três eixos estratégicos: 1) Metas de Descarbonização; 2) Certificação da Produção de Biocombustíveis; e 3) Crédito de Descarbonização (CBIO).

No primeiro eixo, anualmente o Governo estabelece metas nacionais para dez anos, as quais são desdobradas para os distribuidores de combustíveis, que são a parte obrigada da política.

No segundo eixo, os produtores voluntariamente certificam sua produção e recebem como resultado, notas de eficiência energético-ambiental. Essas notas são multiplicadas pelo volume de biocombustível comercializado, o que resulta na quantidade de CBIOs que determinado produtor poderá emitir e vender no mercado, o que é o terceiro eixo.

1 CBIO equivale a 1 tonelada de emissões evitadas, que equivale a 7 árvores em termos de captura de carbono. Até 2029, serão compensadas emissões de gases causadores de efeito estufa que representam a plantação de 5 bilhões de árvores, o que equivale a todas as árvores existentes na Dinamarca, Irlanda, Bélgica, Países Baixos e Reino Unido juntas.