
Vereador Gilson de Souza Carvalho na sessão de quinta-feira, dia 6: “não cometi crime algum e provarei minha inocência, nunca ordenei a retirada de ninguém” (Alcir Zago/Candeia)
A denúncia oferecida pelo Ministério Público (MP) à Justiça contra o vereador Gilson de Souza Carvalho (PSB) por eventual perseguição, especialmente contra mulher por razões da condição de sexo feminino, repercutiu na sessão da Câmara realizada na quinta-feira (6).
Notícia de fato chegou ao conhecimento do MP pela professora da rede municipal Dayane Marci Fonseca da Silva, a qual relatou ser vítima de perseguição reiterada pelo vereador. Até o ano passado ela era responsável pelo polo de Bariri da Univesp.
A partir daí foram adotadas diligências, como depoimento de vítimas e testemunhas. Ao todo, 11 pessoas foram ouvidas pelo MP. Os depoimentos teriam confirmado as perseguições contra a representante e contra outras mulheres.
Perseguição
Gilson foi denunciado como incurso no artigo 147-A (perseguição), §1º, inciso II (contra mulher por razões da condição de sexo feminino, nos termos do artigo 121, §2-A), do Código Penal.
Gilson comentou que as alegações não prosperam e que isso será provado no Judiciário. Segundo ele, há 320 mulheres filiadas ao Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bariri e que nunca foram desrespeitadas.
Referindo-se indiretamente a Dayane, falou que por vários anos exerceu cargo comissionado com salário alto, em detrimento de muitos servidores que recebem remuneração menor.
De acordo com ele, o prefeito Airton Pegoraro (Avante) assumiu a gestão com o intuito de diminuir custos e que o fato de a então diretora da Univesp ter voltado ao cargo de origem (professora) teria sido o motivo de alegar depressão e perseguição por parte dele.
O vereador comentou também que depoimento feito ao MP narram situações já arquivadas pela própria Promotoria de Justiça e que provará que se tratam de divergências políticas.
“Não cometi crime algum e provarei minha inocência, nunca ordenei a retirada de ninguém”, finalizou Gilson.
O vereador Daniel de Madureira (PP) tratou de requerimento assinado por ele questionando a exoneração de Dayane do cargo de diretora da Univesp.
Segundo ele, houve estranhamento entre a resposta da Diretoria Municipal de Educação de que o cargo é comissionado e cabe ao prefeito fazer a nomeação e, por outro lado, os depoimentos ao MP, dando conta de que Gilson teria pedido a saída de Dayane do cargo.
Daniel pontuou, ainda, que reunião na qual Airton estava presente houve comentários de que admirava competência da diretora e que a exoneração dela foi um ato político.
Testemunhas
Conforme informações prestadas por Dayane ao MP, que objetivaram o oferecimento da denúncia, há anos Gilson estaria perseguindo-a, pedindo a vários diretores de Educação sua exoneração dos cargos. Tal situação teria ocorrido com ele na função de presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bariri e mais recentemente como vereador.
Segundo ela, Gilson teria chegado a dar causa a abertura e procedimentos administrativos infundados contra ela, que foram todos arquivados.
“Definido o resultado das eleições, Gilson acabou ganhando ao cargo de Vereador e, imediatamente, passou a propagar que, desta vez, conseguiria tirar ela do cargo. E que seria a primeira pessoa”, consta no relatório da Promotoria de Justiça.
O MP ouviu na condição de testemunhas o prefeito Airton Pegoraro, a diretora municipal de Educação, Cinira Moreira Giacone Mazotti, as servidoras públicas Ângela Devides, Ana Fabíola Fanton, Lucilene Valéria da Silva Grigolin e Ana Lucia Barbosa Pacheco, a gestora da Santa Casa de Bariri, Marina Prearo, a ex-funcionárias públicas Stéfani Edwirgem da Silva Borges, Fernanda Cavalheiro Rossi e Beatriz Ocon Ferreira e o esposo de Dayane, Daniel da Silva.
Em linhas gerais, relataram ao promotor de Justiça as eventuais perseguições feitas contra a ex-gestora da Univesp e também contra outras mulheres.
No despacho-ofício, Febraio Júnior encaminhou documento a vários órgãos para tomada de providências.
























