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“Nos encontros, passo a elas a fragilidade do corpo de uma adolescente, a dificuldade da família não só financeira, mas emocional”

Maria José Anello

A primeira semana de fevereiro é dedicada à Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência. De acordo com o Ministério da Saúde, em 2020 cerca de 380 mil partos foram de mães com até 19 anos, o que corresponde a 14% de todos os nascimentos no Brasil. O trabalho em Bariri envolve as diretorias de Ação Social, Educação e Saúde. O contato junto aos jovens nas palestras é feito pela enfermeira Maria José Anello, enfermeira há nove anos a Estratégia Saúde da Família (ESF) 4, situada na Rua José Gonçalves. Na unidade, ela trabalha prevenção através de palestras, consultas de enfermagem e grupos. Segundo Maria José, em casa ou na escola é preciso conversar com os jovens sobre a gravidez na adolescência. Além da fragilidade do corpo de uma adolescente, são passadas informações como “perda” da liberdade e dificuldades financeiras e emocional.

Candeia – A prevenção da gravidez na adolescência em Bariri envolve três diretorias: Ação Social, Educação e Saúde. Por quê?
Maria José – As três diretorias estão trabalhando juntas porque o público-alvo muitas vezes pertence a todas as pastas.

Candeia – A senhora está ministrando palestras nas escolas sobre a prevenção da gravidez na adolescência. Qual o público-alvo do trabalho?
Maria José – Estamos atendendo na semana nacional de gravidez na adolescência estudantes do 9º ano e também alunos especiais da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae).

Candeia – Qual o principal conteúdo passado às adolescentes nessas palestras?
Maria José – Nas palestras, passamos a importância do próprio corpo, como é engravidar na adolescência, desde evasão escolar até morte materna, as infecções sexualmente transmissível, como evitar a gestação com todos contraceptivos. O principal conteúdo são os adolescentes entenderem que agora não é hora da gravidez.

Candeia – Como está a receptividade das adolescentes em relação ao tema?
Maria José – Os adolescentes aceitam muito bem as palestras, pois possuem muitas dúvidas. Muitas vezes, por vergonha, acabam não perguntando e nas palestras eles se soltam muito.

Candeia – Quais os riscos da gravidez na adolescência?
Maria José – Nos encontros, passo a elas a fragilidade do corpo de uma adolescente, a dificuldade da família não só financeira, mas emocional. A responsabilidade de ter um filho é perder a liberdade, faz eles pensarem no nosso objetivo, que é não engravidar nessa idade.

Candeia – Em sua opinião, de que forma os pais e as escolas devem tratar do tema junto às adolescentes?
Maria José – O adolescente precisa escutar, dialogar, expor. Acho que quanto mais conversarmos com os jovens em casa e na escola e mostrar a realidade de uma gravidez na adolescência, conseguimos aos poucos diminuir o número de gestantes jovens.

Divulgação pelo Facebook

Em sua página no Facebook, a Diretoria Municipal de Ação Social disponibilizou informações aos jovens sobre a gravidez na adolescência e que essa idade não é o momento para ter filho.
Do ponto de vista da saúde, os riscos são prematuridade do bebê e baixo peso, morte pré-natal, anemia, aborto natural, pré-eclampsia e eclampsia, risco de ruptura do colo do útero e depressão pós-parto.
Há também o impacto financeiro, com fraldas, investimentos em educação, saúde, medicamentos, alimentação e outros.
O material reforça que a prevenção é importante também para evitar doenças sexualmente transmissíveis.
Métodos de prevenção e anticoncepcionais estão disponíveis na rede de saúde.
“A melhor forma de evitar a gravidez na adolescência é se informar adequadamente e conhecer o próprio corpo e do parceiro antes de iniciar a vida sexual”, ressalta a campanha no Facebook.