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“De maneira geral a Coeba desenvolve um trabalho pedagógico de excelência. Os resultados de avaliações internas e externas comprovam a qualidade”.

Dia 7 de janeiro, a professora e pedagoga Lia Maura Belluzzo Queiróz Foloni, 60 anos, assumiu a direção da Cooperativa Educacional de Bariri (Coeba), que em 2019 completa 21 anos de existência. Com quase 40 anos de atuação na educação, ela chega com grandes desafios pela frente. Um deles é manter o alto nível do trabalho pedagógico oferecido na Coeba, considerado de excelência e de qualidade comprovada. Outra tarefa será a implantação da reforma do Ensino Médio, que prevê currículo com parte comum e obrigatória a todas as escolas e outra parte flexível. Ela diz que toda mudança gera incertezas e inquietações, mas defendeu a reforma. “O modelo atual de ensino médio não atende às necessidades da maioria dos jovens, principalmente os das escolas públicas”, ponderou. Na entrevista, a diretora ainda comenta como está ligada à trajetória da Coeba; a composição e as novidades da nova equipe gestora; anseios e preocupações dos pais e funcionários; e a participação dos pais nos colegiados da cooperativa e as implicações de um projeto educacional bem sucedido.

Saiba mais sobre Lia Maura

Lia Maura Belluzzo Queiróz Foloni é casada com o engenheiro agrônomo João Batista Foloni há 40 anos. Tem um casal de filhos, a médica Marília e o também engenheiro agrônomo, João Neto.
É formada em Pedagogia, com habilitação em Educação Infantil, Magistério 1º e 2º graus, Supervisão Escolar, Coordenação Pedagógica e Administração Escolar, pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de. Jaú. Na Unesp- Araraquara fez especialização em Gestão e Planejamento Escolar. Participou do curso “Práticas Educativas: A intervenção Pedagógica na Universidad de Alcallá da Espanha.
Iniciou a carreira de professora no Centro Educacional SESI de Bariri, como professora do Ensino Fundamental. Em 1980, ingressou no magistério público estadual, em Carapicuíba e em 1981 veio removida para Bariri, no Bairro Queixada – Escola Rural e na E. E. Prof. Euclydes Moreira da Silva.
Em 1990, ingressou através de concurso público no cargo de diretora, na escola, do bairro Pouso Alegre – município de Jaú. Em 1993, removeu-se para a EE Profª Idalina Vianna Ferro, onde atuou por 22 anos. Em 2015, aposentou-se após 38 anos de trabalho como educadora, Neste ano assumiu a direção na Coeba a convite da Diretoria Administrativa e Pedagógica da Instituição.

Candeia – Em 2019, a Coeba completa 21 anos e a senhora está ligada à essa trajetória. Por favor, comente esse envolvimento e como ele deve ser decisivo em sua gestão.
Lia Maura – Em 1997, um grupo de pais se reuniu e decidiu formar uma escola. Eu fazia parte desse grupo. A Coeba começou suas atividades no ano de 1998, com o Ensino Fundamental I, II e Ensino Médio. Foi um trabalho de cooperativismo, daí a iniciativa de uma cooperativa educacional. Todos nós, profissionais de diferentes áreas, nos dedicávamos gratuitamente por um novo modelo de gestão administrativa e pedagógica, com mais autonomia que outras escolas que dispúnhamos na época, em nosso município. Consolidar e desenvolver um trabalho pedagógico de excelência, com base em uma filosofia de educação dinâmica que busque a renovação permanente e que esteja voltada para o desenvolvimento de uma consciência social, participativa, crítica, democrática e empreendedora, são princípios fundamentais do cooperativismo.

Candeia – Em sua opinião, quais principais desafios a serem enfrentados pela nova equipe gestora?
Lia Maura – A equipe gestora para 2019, está composta pela diretora da escola e a coordenadora a professora Flávia Adolf Lutz Keller. Uma equipe experiente com anos de trabalho em conjunto, na EE Profª Idalina Vianna Ferro. Contamos com o apoio e respaldo da diretoria administrativa da Coeba. De maneira geral a escola desenvolve um trabalho pedagógico de excelência. Os resultados de avaliações internas e externas comprovam a qualidade do mesmo. Focaremos mais nos aspectos organizacionais, no trabalho pedagógico em equipe e no resgate do cooperativismo junto aos pais de alunos, promovendo uma maior integração da escola e comunidade.
Candeia – Quais as novidades que a equipe traz de imediato para a Coeba?
Lia Maura – Reforma e adaptação no Ensino Infantil (para crianças a partir dos 6 meses) com aulas no período da manhã e tarde; Projetos de acolhimento e desenvolvimento de habilidades emocionais em todos os segmentos com diferentes abordagens.

Candeia – Durante essa semana, a senhora reuniu os diferentes segmentos da escola para apresentação oficial. De modo geral, quais as principais preocupações e anseios?
Lia Maura – O centro do trabalho é o aluno, garantindo a ele uma educação diferenciada, não apenas no aspecto quantitativo, mas também qualitativo, de formação para a vida. Todos os segmentos: funcionários, professores, monitores, equipe gestora e diretoria administrativa, devem estar cientes de suas atribuições para garantir um trabalho de excelência. Além disso, demos início ao Projeto Político-Pedagógico da Escola.

Candeia – O que torna um projeto educacional bem sucedido? Qual o novo papel do professor?
Lia Maura – Um projeto educacional bem-sucedido é aquele que atende às expectativas dos alunos, pais e da comunidade escolar. Ele precisa estar em consonância com o Projeto Político-Pedagógico da escola e também ser avaliado externamente. A experiência, competência, dedicação e permanente atualização dos professores contribui muito. Também uma equipe gestora que ofereça um suporte pedagógico e organizacional que garanta a implementação de todo o projeto. A participação dos pais de forma democrática e participativa é imprescindível para o êxito do projeto.

Candeia – As cooperativas escolares constituem proposta de participação de pais e professores que transcende aspectos pedagógicos tradicionais. Como a senhora vê essa questão? Como analisa a situação na Coeba?
Lia Maura – Uma cooperativa é uma associação autônoma de pessoas unidades, voluntária e com aspirações comuns. Sua maior vantagem é que os pais podem ter uma maior participação na Instituição de Ensino. Cabe aos pais o gerenciamento dos recursos financeiros definidos em assembleias e por conselhos eleitos democraticamente. O fim maior é o aluno, seus filhos, não o lucro. Na Coeba, temos pais que se dedicam voluntariamente, após suas jornadas de trabalho para participar ativamente da Diretoria Executiva e dos Conselhos Administrativo, Pedagógico e Fiscal, mas ainda há cooperados distantes da essência do cooperativismo. Esperamos que todos internalizem os valores, princípios, direitos e deveres, enfim, a essência da doutrina como um todo, e assim fortalecer o cooperativismo.

Candeia – O Ensino Médio passou por mudanças e é uma das preocupações de pais e escolas. Qual sua visão sobre as alterações? Que implicações devem provocar na atual dinâmica escolar?
Lia Maura – Em fevereiro de 2018, foi sancionada a tão esperada reforma do Ensino Médio, que terá uma parte comum e obrigatória a todas as escolas e outra parte flexível. São duas mudanças principais: passará a ser integral, o que no caso da Coeba não é novidade, uma vez que os alunos, além do período da manhã, já têm aulas no período da tarde e a outra apresenta um currículo com disciplinas optativas. Nesse caso, o aluno vai cursar o 1º ano e ao passar para o 2º ano poderá escolher uma entre 5 áreas para aprofundar seus estudos: Ciências Humanas, Ciências da Natureza, Linguagens, Matemática e Formação Técnica e Profissional. Esta última provavelmente será a distância EAD. Em países como EUA, Coréia do Sul e Finlândia a grade curricular é mais flexível, o que permite que o aluno se aprofunde nas áreas que mais lhe interessam. Essas modificações geram muitas dúvidas, não só entre os alunos, professores e escolas, mas na comunidade em geral. São muitas implicações na atual dinâmica escolar: carga horária, contratação de professores, adaptação do espaço escolar, matérias de escolha dos alunos, etc. Toda mudança gera inquietação, incerteza, desconforto, mas é necessária, uma vez que o modelo atual de ensino médio não atende às necessidades da maioria dos jovens, principalmente os das escolas públicas.